Em 1871, o povo de Paris, relegado à miséria e à exploração, sofrendo ainda com a recente derrota na guerra contra os alemães, revolta-se contra a República recém-instaurada por Adolphe Thiers. Com apoio da Guarda Nacional, os communards fundam um governo popular, coletivizam a produção, reformam o sistema educacional, entregam o poder ao povo. O sonho, que durou dois meses, tornou-se pesadelo quando as tropas do Governo de Thiers, saindo de Versalhes, invadem Paris e deixam um saldo de 30.000 mortos, entre homens, mulheres e crianças.
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Seria entre os 5 filmes mais longos da história?!
Há muito que elogiam-me este filme e, sobretudo, este diretor: amei um de seus clássicos, não gostei tanto doutro, mas tinha certeza de que esse aqui funcionaria muito comigo... Porém, quase seis horas de duração, teria coragem? Tive. E valeu muitíssimo a pena! É uma das obras mais revolucionárias a que tive acesso, pois enrijece-se na própria prática, a ponto de os próprios atores explicitarem as intersecções ideológicas com seus personagens durante o próprio processo de filmagem e, ainda sob o jugo da ficção (a História não é, em verdade, uma grande ficção?), questionarem o potencial influenciador desta obra. Este, não duvidemos, é imenso: sai da sessão tão contaminado pelo espírito de pós-utopia quanto o elenco, querendo saber mais sobre um evento histórico ainda insuficientemente abordado. No início, o sobejo de intertítulos longos estava incomodando-me: o recorte do diretor era o mais minucioso possível, de modo que funcionava melhor para quem conhece a fundo os meandros (e contradições) da democracia francesa. Mas, de repente, estes mesmos intertítulos insurgem-se como instância narradora à parte, como um personagem autônomo e suprafílmico, que atreve-se a comentar notícias contemporâneas, criticar a falta de financiamento ao filme e outras questões paralelas. Genial! É difícil até escolher o que elogiar primeiro: a entrega magistral do enorme elenco? A sagacidade da composição de redes anacrônicas de televisão, radicalmente opostas? A consciência de fissuras internas no seio da própria revolução, advindos de preconceitos anteriores dos habitantes encolerizados? Os aparatos técnicos arrebatadores? Tudo neste filme é grandioso como a sua duração: obra-prima ideal para quem ama Alexander Kluge, o casal Straub e o grupo Dziga Vertov. Revolução em estado bruto, puro, corrente, renovado e (para além do) audiovisual. Amo Peter Watkins para sempre, agora: este filme tem muito a ver com O JOGO DA GUERRA, inclusive. A marca autoral e apaixonada confirma-se ! <3 (WPC>)
Que filme amigos!
Um filme meta-revolucionario. Um filme revolucionário sobre uma revolução
Nós tivemos algo parecido com Canudos.