No início de 1943, um avião comercial procedente de Moscou chega à Ottawa, capital do Canadá, trazendo três passageiros russos: o Cel. Aleksandr Trigorin, novo adido militar da Embaixada da URSS, o Maj. Semyon Kulin, seu auxiliar e secretário, e Igor Gouzenko, especialista em decodificação. Os três são recebidos pelo Cel. Ilya Ranov, 2º secretário da Embaixada e Chefe da Polícia Secreta soviética.
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Em 1945, apenas dois dias após o fim da Segunda Guerra Mundial, um homem realizou um ato que muitos historiadores consideram o início da Guerra Fria.
Seu nome era Igor Gouzenko. Ele era um criptógrafo soviético, trabalhando sob a fachada de diplomata na embaixada da URSS no Canadá, e conhecia quase tudo sobre as operações de espionagem soviética no Ocidente. Arriscando sua vida, ele retirou 109 documentos secretos da embaixada e os entregou às autoridades canadenses. Este evento foi a primeira revelação pública da extensa atividade de espionagem da URSS nos países aliados e provocou uma confrontação ideológica que moldou o mundo por décadas.
Gouzenko expôs o trabalho da inteligência soviética na infiltração em círculos científicos e militares do Canadá, Reino Unido e EUA. Nos documentos que ele entregou, havia correspondência do coronel da GRU Nikolai Zabotin com agentes infiltrados, inclusive no projeto americano de criação da bomba atômica. A divulgação resultou na prisão de 26 pessoas e condenação de 10 delas, incluindo funcionários da embaixada britânica e consultores científicos. Para o Ocidente, isso foi um choque: um aliado de guerra se revelou inimigo na espionagem.
Na URSS, a traição de Gouzenko foi vista como crime de Estado. Uma comissão interna culpou Zabotin, que foi chamado de volta do Canadá. E o nome de Gouzenko desapareceu para sempre da imprensa soviética, como se ele nunca tivesse existido.
No Ocidente, o tratamento ao desertor foi diferente. As autoridades canadenses concederam a ele e sua família asilo político, uma casa de dois andares no subúrbio de Toronto e uma nova vida sob nomes fictícios. No entanto, essa vida era cheia de medo: até o fim de seus dias, Gouzenko aparecia em público apenas com um capuz com aberturas para os olhos. Seus temores não eram infundados, pois os serviços secretos soviéticos frequentemente eliminavam desertores no exterior.
A história de Gouzenko inspirou dois filmes de Hollywood: "Cortina de Ferro" (1948) e "Operação Busca". Ele escreveu o livro "This Was My Choice",
onde detalhou as razões de sua fuga e o funcionamento interno da inteligência soviética. Até sua morte em 1982, ele permaneceu sob proteção dos serviços secretos, e seu verdadeiro paradeiro e sobrenome não foram revelados nem após sua morte.
Historiadores acreditam que o caso Gouzenko marcou o início da era de desconfiança entre a URSS e os ex-aliados da coalizão anti-Hitler. Suas revelações convenceram o Ocidente da necessidade de endurecer a política em relação a Moscou e foram o catalisador para a criação de sistemas de contraespionagem, incluindo a futura NSA nos EUA.
De fato, um homem com uma pasta de documentos se tornou o gatilho para um conflito global que mais tarde seria chamado de Guerra Fria.
Gouzenko não era nem um idealista nem um traidor no sentido clássico. Ele não lutava pelo capitalismo ou contra o comunismo. Ele simplesmente temia por si e por sua família, ao perceber que, após o término de sua missão, poderia não voltar vivo. Mas foi esse medo, reforçado pelo desejo de sobreviver, que mudou o curso da história.
Ótimo filme
É um bom filme anti comunista feito nos anos 40.Retrata bem como era o inicio da guerra fria.
Filme muito bom, pois mostra como o serviço de espionagem soviético funcionava. O sujeito tem que viver e morrer pelo partido, se tentar desertar acaba sendo morto por saber demais. O filme é baseado em fatos reais.
Interessante como as coisas funcionam para o casal: ela, esposa, mãe, mulher, sente que algo está errado, que trata-se de viver sem medo. Ele, marido, pai, homem, diante das confissões de um outro oficial comunista, passa a interrogar-se e aí - após refletir - compreende que quer ser um exemplo para o seu filho. Os caminhos são distintos, a tomada de consciência é igual. A interpretação contida de Dana Andrews - a dor, o medo, o feito apesar do medo - são um grande trunfo para o filme.