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Data de lançamento
11 Set. 2020Duração
Yana é uma jovem missionária das Testemunhas de Jeová, ela fica chocada depois que moradores irritados queimam seu local de culto. Seu marido, David, consegue obter imagens do ataque por CCTV. Mas na remota vila georgiana onde vivem com seu filho, sua busca por justiça desencadeia eventos que encontrarão a família totalmente isolada e inteiramente à mercê da polícia hostil local.
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Achei um filme bem sensorial.
"A vida passa como se eu não estivesse nela. É como se estivesse esperando algo começar ou terminar.”
Era um dos filmes selecionados no Festival de Cannes que não ocorreu devido a pandemia. O filme é feito de momentos, há cenas que funcionam lindamente e outras que não. Como um todo o filme é uma colcha de retalhos com tecidos bonitos e outros nem tanto. Se estende demais e cria situações completamente fora da realidade para justificar determinadas cenas que a diretora queria colocar no filme, não me convenceu. O que chama a atenção é a qualidade técnica e a entrega da atriz principal ao papel. O filme começa lindamente com uma bela cena inicial, daí ele vai caindo e subindo de nível o tempo todo como uma montanha russa, ao final pelo menos traz uma reflexão.
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Sinceramente? Acho um estilo ultrapassado esse de usar tomadas longas e tediosas para reforçar a mensagem de realismo e fatalismo. Esse filme tem uma história interessante e uma personagem instigante, que vive um conflito do seu universo religioso/familiar com eventos de intolerância e violência. As cenas finais são poderosas, especialmente:
Quando ela diz ao marido que matou o filho e fica de costas para ele e para o público, sem explicar nada. Nessa tomada, o silêncio diz muito.
A câmera fixa na primeira tomada foi impactante (aliás, toda a construção dos minutos iniciais me deixou paralisado de tão bom), mas confesso que o filme foi perdendo o ritmo ao longo da projeção, e a fixidez da câmera (salvo raras exceções) me incomodou.
Por duas vezes pensei até que o filme tinha travado, por motivos de:
um plano que dura mais de 5 minutos... gente, pra quê??? E ainda usou mais de uma vez tal artifício, me pareceu sinceramente artifício para preencher um vazio narrativo, desnecessário.
Até porque, o filme tem várias camadas interessantes, pois a personagem principal é de fato misteriosa, sofre traumas, tem uma relação estranha com o marido, o filho, o detetive, toda a simbologia das testemunhas de Jeová.... Então, no geral, eu gostei, mas poderia ter lapidado mais os maneirismos, especialmente quando se tornam redundantes. São imagens bem criativas, veja a cena final, e eu gosto de filme assim, mais reflexivo. Espero grandes obras dessa diretora.