Antes mesmo de David nascer, morre seu pai. Ainda criança, vê sua carinhosa mãe casar-se com um homem insensível (Murdstone) que o manda para um internato, onde sofre humilhações e castigos. Quando morre sua mãe, o padrasto o tira da escola e o manda para Londres, para trabalhar em condições desumanas. Ele foge e procura sua tia Betsey, que passa a educá-lo.
Assim David vai crescendo, trabalhando e subindo os degraus para se tornar um escritor de sucesso.
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Acho que o filme perdeu um pouco o rumo, depois que David cresceu
É um bom filme, mas é inegável que a parte em que o David é criança é muito superior à parte em que ele cresce e vira homem. O começo, com o David pequeno, é o coração do filme. O ator que faz o David criança é muito bom e passa os sentimentos e emoções de um jeito que quem tá assistindo sente tudo como se fosse com a gente. Um destaque é a Peggotty, que é super amável, assim como a mãe do David, duas figuras que marcam bastante nessa primeira parte.
Uma cena que mexe muito é a morte da mãe do David.
e morrer.
Outra cena que pega no coração é quando o David chega na casa da tia Betsy, depois de passar por um monte de coisa ruim. Ele conta tudo que enfrentou pra chegar lá, e essa cena é bem pesada, cheia de emoção. A tia Betsy é incrível, principalmente quando ela defende o David e bota o Murdstone e aquela bruxa da irmã dele no lugar deles. Essa cena é boa demais! Falando no Murdstone e na irmã, que personagens detestáveis! Dá ódio que ninguém fazia nada pra parar eles, e eles causam muito sofrimento.
Um ponto alto é o W.C. Fields, grande ator e humorista. Ele faz um personagem excelente, um amigo de verdade do David, e é muito bom ver ele em cena. Aliás ele não está creditado aqui no elenco.
Só que, quando o David cresce, o filme dá uma caída feia. A segunda parte é arrastada e cheia de personagens sem carisma. O David adulto é bem fraco, muito contido nas emoções, não chega nem perto do David criança. Além disso, personagens importantes do começo,
como a Peggotty e a mãe do David,
A mãe, claro, não tinha como aparecer por causa da morte, mas a Peggotty, que não morreu, poderia ter aparecido mais pra deixar o filme mais interessante. A falta deles deixa um vazio, e o filme perde a força que tinha no começo.
Por fim, uma citação importante do filme é quando a tia Betsy confronta o Murdstone, mostrando toda a força dela e o apoio ao David: "Eu vou me aventurar com o menino. Se ele for tudo o que dizem que ele é, ao menos eu poderei fazer muito mais por ele do que vocês jamais fizeram. Mas eu não acredito numa palavra sequer."
Enfim, é um filme bom. Apesar de algumas coisas, no final tudo se acerta e David é feliz como merecia, mas não sem antes se foder um pouco. Aliás, a vida é assim. Eu achei que poderia ter sido um pouco mais curto, e, como disse, a segunda metade do filme é mais longa do que parece e demora bem mais para passar do que a primeira.
Assistido em 29/08/2025
Drama romântico de aventura da MGM em preto e branco, indicado em 3 categorias no Oscar: melhor filme, melhor diretor assistente, Joseph M. Newman (1909-2006), e melhor montagem; no Festival de Veneza foi nomeado à Mussolini Cup de melhor filme estrangeiro. Também houve em uma versão colorizada por computador. O filme foi baseado no romance do escritor inglês Charles Dickens (1812-1870) de 1850, "The personal history, adventures, experience, & observation of David Copperfield the younger" (embora vários personagens e incidentes do romance original tenham sido omitidos) .
Houve ainda, 18 versões desta mesma estória, incluindo curtas, filmes feitos para a TV, minisséries e séries. O romance foi adaptado para 3 versões de filmes mudos antes desta, que foi a 1° produção sonora. O personagem de John Buckler (1906-1936) morreu afogado no filme, prenunciando o afogamento do ator na vida real apenas 1 ano após o lançamento do filme. Este foi o 1° filme americano do inglês Freddie Bartholomew (1924-1992). O produtor David O. Selznick (1902-1965) sempre quis fazer um filme de seu livro favorito. Ele adorou o romance, pois seu pai, distribuidor de filmes emigrante, o usou para ajudá-lo a aprender inglês quando ele chegou aos Estados Unidos.
O filme começa com a última frase do prefácio de Charles Dickens à edição original: "Como muitos pais afetuosos, tenho no fundo do coração um filho favorito, e seu nome é David Copperfield." Outra grande adaptação de Dickens com um elenco soberbo e destaques de W.C. Fields (1880-1946) e o jovem Bartholomew. A primeira metade do filme é bem melhor do que a segunda parte, após David se tornar adulto.
Essa é uma história clássica da literatura da qual já vi diversas citações, mas que só agora conheci. Confesso que me surpreendi um pouco com o fato do protagonista se tornar na idade adulta quase um coadjuvante da sua própria história. O filme tem muitos personagens todos muito bem defendidos por intérpretes conhecidos do cinema clássico hollywoodiano, tanto que é difícil destacar alguém no elenco. Por ser adaptado da obra literária de Charles Dickens do qual eu já conhecia outras adaptações cinematográficas confesso que eu esperava um pouco mais da história e do seu protagonista. Posso dizer que apesar disso o filme foi produzido e dirigido com grande competência e foi um prazer assisti-lo principalmente na sua metade inicial.
Adaptação bastante fiel a obra de Dickens aliada a direção sempre competente e afiadíssima de Cukor.