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Data de lançamento
8 Set. 1988Duração
Os gêmeos idênticos Beverly e Elliot, brilhantes ginecologistas canadenses, pesquisam a fertilidade feminina em sua clínica particular. A atriz Claire Nivean, que não tem filhos, procura auxílio na famosa Clínica Mantle. Diagnosticada por Beverly como possuidora de um útero tricervical, Claire deve perder a esperança de engravidar. O arrogante Elliot fica fascinado pelo masoquismo da atriz e dorme com ela. Como é costume deles compartilharem as pacientes, encoraja o irmão a tomar seu lugar. Os dois passam a se revezar nas visitas a Claire, mas o tímido Beverly se apaixona pela atriz e, influenciado por ela, começa a usar drogas.
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Um David Cronenberg contido, bastante inclinado ao drama.
Apesar de bons elementos como a atuação competente de Jeremy Irons, e o alto teor psicanalítico fornecido pela estranha relação dos gêmeos, para mim Dead Ringers, não está entre as obras mais impactantes do diretor, talvez o fato do filme ser baseado em uma historia real, (caso Stewart e Cyril Marcus)., tenha sido um elemento limitador.
Em "Dead Ringers" salta aos olhos o talento de David Cronenberg, que entrega um trabalho cinematográfico de precisão quase cirúrgica. A duplicação de Jeremy Irons, interpretando os gêmeos Elliot e Beverly Mantle não é apenas um feito técnico, é um mosaico invisível entre câmera, edição de imagem e corpo. O uso imperceptível da divisão de tela, as sobreposições meticulosas e o uso de dublê corporal criaram uma ilusão tão perfeita que nos faz esquecer de que há apenas um ator em cena.
Mas à despeito de qualquer técnica, o verdadeiro trunfo é a delicadeza com que Jeremy Irons interpreta dois homens distintos, sem sequer esbarrar na caricatura. Elliot e Beverly são polos opostos de uma mesma alma. Elliot tem uma postura quase aristocrática, um homem atraente que parece ter nascido para o sucesso, enquanto Beverly é feito de hesitação e sombra; sua sensibilidade transparece no modo de agir, no olhar distante que evita o mundo. Mesmo quando um assume o lugar do outro, ficam pistas: um timbre de voz, um gesto... essa distinção é tão refinada que somos capazes de reconhecer os irmãos não pela aparência, mas pela vibração que emitem.
O terror do filme é psicológico, mas não menos violento. Mostra a espiral da dependência química, a separação física dos irmãos e a agonia que os reúne no fim. Tudo isso compõe um retrato de decadência humana que incomoda porque é muito íntimo. Cronenberg adaptou para o cinema uma tragédia verídica e acabou nos oferecendo uma obra profunda sobre como duas pessoas se confundem, se complementam e se destroem mutuamente.
Lembro de uma crítica escrita na extinta REVISTA SET, numa edição do início dos anos 90 cujo descrevia, GÊMEOS: MÓRBIDA SEMELHANÇA, positivamente a condução de ser cultuado realizador, a canadense David Cronenberg. Nem é necessário destacar a interpretação dupla de Jeremy Irons e a forma que os fez de maneira distinta e incrível. O filme é um drama-suspense muito bem realizado, interpretado, roteirizado e dirigido por um gênio do cinema aí da vivo e sagaz em seus filmes. Como demorei para conferir este filme do Cronenberg (pelo menos à epoca do vídeo era dificílimo encontrar nas vídeolocadoras). Hoje, felizmente, pude assistir no UNITV.
- nesse o cronenberg segura um pouco a mão no body horror e nos entrega um suspense psicológico muito bem realizado
- visual ótimo, aqueles médicos de vermelho sangue parecem saídos de pesadelos
- a espiral de loucura em que os gemeos vão afundando, por culpa deles próprios é devastadora
- que atuação dupla fenomenal do jeremy irons
09.05.1991