O filme ilustra um dia na vida de um viciado em drogas. Dramáticos acontecimentos extremos e episódios seguem um após o outro, todos conectados pelo protagonista do filme, o Dealer. Este é um estudo comovente e com uma intensa atmosfera, lento e não apenas sobre as drogas, mas sobre a vida moderna em geral.
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Se o filme fosse preto e branco e eu não soubesse que era do Fliegauf, acharia tranquilamente que é um filme do Béla Tarr, a semelhaça dos Hungáros é impressionante, acompanhamos o cotidiano de um traficante visitando seus clientes, um homem deitado numa capa de hospital com o corpo praticamente todo queimado, mas que no fim ainda quer usar droga, uma mulher com quem ele se envolveu e diz que quer parar mas ao mesmo tempo pede mais droga, ao injetar heroina diz que ele pode ser o pai da sua filha, a câmera vai passando lentamente acompanhado tudo ao redor, a trilha é o próprio som ambiente, triste, melancólico, depressivo, é um filme sobre drogas mas não sobre drogados, a cidade é praticamente deserta, sombria, miserável ao mesmo tempo é tudo claustrofóbico, Dealer é tão perdido quanto seus clientes, são escravos da droga, sem esperança só esperando pelo fim.
Esse filme tem uma das regências mais incríveis que já vi num filme!
A câmera cursando sem pressa parece um espectro enquanto a parte sonora soa como um fantasma no ouvido do protagonista, nos forçando pouco a pouco na condição de cúmplices.
E na medida que o filme avança lentamente, o clima vai ficando cada vez mais opressivo.
Cheguei a comparar o ator como uma espécie de mediador da morte, marcando as almas que mais tarde ceifará; mas tudo vai se revelando que ele está tão perdido e tão sem saída como seus clientes desesperados.
Benedek Fliegauf é um dos diretores mais inerentes da Europa, e num mundo de cinema mais justo, mais pessoas deveriam saber quem ele é
Vi esse filme apenas uma vez, em um festival a alguns anos atrás, mas foi o suficiente para ficar muito fresco na memória.
Lembro que ainda enquanto assistia tentei achar paralelo para a experiência, mas não parecia com nenhuma obra cinematográfica que conhecesse, o mais próximo de experiencia que associei foi a de ouvir Closer do Joy Division, o filme é extremamente depressivo.
O clima surreal é extraído da supervalorização de determinados elementos do real, na temática do filme o elemento predominante é o vicio nas drogas ilícitas. Não trata-se de conscientizar quanto aos perigos do uso das drogas, mas de um exercício de estilo e linguagem cinematográfica que extrai o horror sem artifícios fantásticos. A Terra é o próprio inferno de Dante, precisamos apenas ajustar nossa percepção.
É dessa mesma supervalorização de elementos específicos que somos capazes de perceber ao nosso redor que surge o que mais me cativou na obra que é a utilização da trilha sonora plenamente original e criativa. A trilha não é muito mais que o destaque a um elemento isolado dos sons produzidos dentro dos cenários da trama. Você descobre que a trilha é a correia de uma bicicleta ou mesmo o ronronar de um gato.
Nesse quesito é um dos melhores filmes que já vi.
No mais, é desnecessário dizer que um filme tão deprimente é obviamente arrastado, monótono e incomodo, logo não deve agradar muita gente.
Obra radical.