Dirigido por
Phillip Hochmair é um jovem ator de sucesso que se apresenta em Viena e Hamburgo. Sua vida consiste em decorar diálogos e fazer ensaios e performances, fazendo com que ele perca contato com a realidade. Quando ele encontra seu tio Walter, com quem estabelece uma ambígua amizade, ele começa a entender que a vida não é só um palco.
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Não encontro em lugar algum...
Que lindo filme!! Fui ver na Mostra de Cinema de Sp movido pela sinopse, que já maldosamente delineou a relação dos personagens como "ambigua" (odeio sinopses carregadas de spoiler, mas.. E quem não viu o filme, não continue neste comentário, por favor).
Devo confessar que não vi ambiguidade no filme. Mas sim a descoberta de uma cúmplice amizade. Uma amizade transcendente. Uma relação quase beirando o místico. Uma relação movida (pela parte do tio) pela solidão, pelo estar só. OU no máximo dos máximos a reafirmação da tese heideggeriana de "estar-com-os-outros". A união - mesmo que essa acepção esteja carregada de mística. Ao meu ver, esse foi o "centro" do filme. E não digo isso arbitrariamente. Digo pensando em cineastas como o russo Alexsandr Sokurov, que muito bem filmou a oniricidade de uma relação entre dois corpos, o brilho de uma amizade transcendente. Ou um Carlos Hugo Christensen, inspirado em Guimarães Rosa, na poesia do encontro, na poesia da relação, na poesia do dois. Logo, com esses senhores e com esse pensamento que me oponho à ambiguidade e vejo o filme. Claro, não é a verdade imutável e eterna, pois não creio nisso. No mais, um filme para ficar gravado na vida.