Diálogos com Solzhenitsyn

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Diálogos com Solzhenitsyn (1998)
Бесе́ды с Солжени́цыным
Média do filme: 4.3 de 5 — baseado em 24 votos
MÉDIAFILMOW
4.3
24 Avaliações
5 comentários
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Aleksandr Sokurov
Duração 188 min (3h08)

Dirigido por

Duração

188 minutos
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Sinopse

Aleksandr Sokurov visita o vencedor do Nobel de Literatura, Alexander Soljenítsin, para uma série de diálogos sobre a vida do escritor, seu exílio da URSS em Vermont, o retorno à terra natal, a perseguição sofrida pelas autoridades soviéticas, as prisões e o trabalho forçado a que foi submetido, a sua luta durante a segunda guerra, a revolução russa, sua obra, visão de vida, religião e outros temas.

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jordisonfrancisco
Jordison
10 meses atrás

Nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, enquanto servia como oficial do Exército Vermelho, Aleksandr Solzhenitsyn cometeu um gesto que, na União Soviética, equivalia a uma sentença de morte moral.
Ele escreveu uma carta.
Uma carta privada.
Nela, ousou criticar Josef Stalin e a maneira como conduzia a guerra.
A carta foi interceptada.
Em 1945, Solzhenitsyn foi preso. Perdeu a patente, o nome e a liberdade. Condenado a oito anos de trabalhos forçados no sistema de campos conhecido como Gulag, não teve julgamento real, nem direito à defesa. Apenas o ritual burocrático do terror: papel carimbado, portas fechadas, e depois o silêncio — interrompido apenas pelo vento, pela neve e pelo som do arame farpado.
Nos campos, o jovem matemático deixou de ser apenas um prisioneiro. Tornou-se testemunha. Viu como o medo podia virar regra, como o sofrimento se tornava administrativo, e como a dignidade humana era reduzida a um número, um turno, uma pá de terra congelada.
Quando a pena terminou, a liberdade não veio. Foi enviado ao exílio interno, para uma aldeia perdida no Cazaquistão. Ali sobreviveu ensinando, vivendo com pouco, pensando muito. Sozinho.
E foi ali que ele se transformou.
Em 1956, após a morte de Stalin, Solzhenitsyn recebeu permissão para retornar à Rússia europeia. Passou a dar aulas. E a escrever — sempre em segredo. Dessa escrita clandestina nasceu Um Dia na Vida de Ivan Denisovich, o retrato seco e devastador de apenas um dia comum em um campo de trabalho.
O manuscrito chegou às mãos de Nikita Khrushchov, que autorizou pessoalmente sua publicação, como parte do processo de desestalinização.
Foi um terremoto moral.
Pela primeira vez, a União Soviética lia, em letra impressa, o seu próprio horror. O livro se espalhou rapidamente, lido em voz baixa, discutido com cuidado. Mas a abertura durou pouco. Quando Khrushchov caiu, Solzhenitsyn voltou a ser perigoso. Suas obras foram proibidas, sua casa revistada, seus manuscritos confiscados.
Oficialmente, ele deixou de existir.
Na sombra, escreveu o que se tornaria sua obra mais temida: Arquipélago Gulag. Durante anos, escondeu páginas em casas de amigos, decorou trechos inteiros, escreveu sabendo que, se fosse descoberto, não sairia vivo. Em 1973, após o KGB apreender uma cópia, o texto foi contrabandeado em microfilme para o Ocidente.
E então, o mundo ouviu.
A União Soviética já não podia silenciá-lo. Solzhenitsyn tornara-se uma consciência global, laureado com o Prêmio Nobel de Literatura. Em 1974, foi deportado. Viveu anos no Ocidente — admirando suas liberdades, mas também denunciando sua fragilidade moral, seu vazio espiritual e sua facilidade em trocar a verdade pelo conforto.
Com a queda da URSS, voltou à Rússia.
Não como político.
Não como vencedor.
Mas como alguém que sobreviveu para contar o que outros não puderam.
Morreu em 2008.
Mas deixou um aviso que ainda inquieta:
> A linha que separa o bem do mal não atravessa Estados nem ideologias.
Ela atravessa o coração de cada ser humano.
Solzhenitsyn não escreveu para ser admirado.
Escreveu para que ninguém pudesse dizer que não sabia.
E por isso sua voz ainda pesa.
Porque há verdades que, uma vez ditas,
não podem mais ser enterradas.

alanrezende
Alan
4 anos atrás

Um absurdo!
Esse filme deveria ter 30 horas. Soljenítsin é INTERMINÁVEL!
De uma sapiência ungida. Poético até no silêncio ou fora de cena. Profundo do olhar às mais brandas palavras sobre os mais abjetos assuntos.
Que artista!
Parabéns a Sokurov por ter dado voz e homenageado não apenas Soljenítsin, mas também Tarkóvski, dois dos maiores poetas (na acepção mais sublime do termo) do século XX, que foram terrivelmente perseguidos e arrancados da pátria que tanto amavam.

editado
claudia_lemos_
Maria Claudia Lemos
5 anos atrás

Que pena! Apenas 34 visualizações e 2 comentários. Essa pérola está disponível no Youtube completamente de graça...

editado
leonjones
Leones
8 anos atrás

Perfeito, perfeito...
Sobre o sofrimento, só me restou as lágrimas.

pirangy
Ariel
8 anos atrás

As reflexões de Soljenítsin sobre o espírito humano são arrebatadoras. Sokurov trabalha como o perfeito entrevistador, cujo papel é extrair a verdadeira realidade de um conhecimento que só poderíamos encontrar num poço de magnânima sabedoria. O filme em seu formato consegue ainda expressar algo que teimamos para enxergar: que é na simplicidade das coisas que encontramos a raiz de nossa devastação - e que as respostas para o sofrimento podem ser descobertas uma vez que respeitemos a condição de fazer as perguntas certas.

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