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No ano de 1936, o General Metaxas governa a Grécia com o apoio de uma coalizão conservadora. O regime é marcado por atentados fascistas e assassinatos políticos. Um desses crimes de Estado é a morte de um sindicalista, da qual se acusa um preso comum, Sofianos. Ele toma como refém um deputado que o visitava na prisão, tentando ganhar tempo enquanto seu irmão e seu advogado procuram provas para inocentá-lo.
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Se o roteiro não traz algo de novo dentro daquilo que se fazia excessivamente no cinema político do fim dos anos 60 e começo dos 70, Angelopoulos entrega um direção rebuscadíssima , já demonstrando sua inclinação para planos longos silenciosos de beleza plástica inigualável.
Sofianos é um típico bandido homossexual de Jean Genet que tem um enredo trágico, envolvendo-se com o deputado do partido conservador, Kriezis. Marginal, traidor, informante e delator apresenta a ambiguidade e a alienação grupal em proveito próprio, oscilante como a graça de um tango grego composto em 1935 (a música da prisão: "Μην περιμένεις" , de Mendri Kakia (Μένδρη Κάκια).
Primeira obra-prima de Angelopoulos. Anunciação, direção virtuosística.
A leitura prévia da sinopse ajuda bastante na apreensão tramática do filme, visto que isto o que contado é apenas o ponto de partida para uma radical imersão na claustrofobia malévola de um levante sindical sufocado e assassinado de forma paulatinamente cruel. Um filme que estava a me incomodar negativamente no início - justamente por eu não estar entendendo bem a História (com H maiúsculo, sempre, na obra do diretor), mas, aos poucos, me deixou impressionado Estilisticamente, lembra bastante o Miklós Jancsó, mas o dedo mui personal da genialidade angelopoulosiana já era sentida, percebida, visivelmente encantatória. Muito bom, literalmente sufocante! (WPC>)
ótimo Luiz!