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Data de lançamento
29 Maio 1954Duração
Em Londres, um ex-tenista profissional (Ray Milland) decide matar sua mulher (Grace Kelly), para poder herdar seu dinheiro e também como vingança por ela ter tido um affair um ano antes, com um escritor (Robert Cummings) que vivia nos Estados Unidos mas que no momento está na cidade. Ele chantageia um colega de faculdade para estrangulá-la, dando a entender que o crime teria sido cometido por um ladrão. Mas quando algo sai muito errado, ele vê uma maneira de dar um rumo aos acontecimentos em proveito próprio.
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Um suspense perspicaz como só Hitchcock poderia fazer.
A maior qualidade desse filme é a forma absolutamente despretensiosa e astuta com que a trama vai em uma crescente absurda, e passa de uma história aparentemente simplória para um grande suspense.
Poucos minutos após o início do filme já estamos envolvidos com o amor proibido entre os amantes, o drama da personagem de Grace Kelly (esplêndida aqui) ao narrar um episódio de chantagem ao seu amante, a agonia deles sobre revelar ao marido a paixão existente, e logo após, o plano maquiavelicamente tramado pelo personagem de Ray Milland.
Tudo vai se revelando de uma maneira sutil e detalhada, com foco em pequenas cenas que revelam pontos importantes que não passam despercebidos pelos olhares mais atentos, tudo aqui é uma pista, tudo aqui compõe o cenário de reviravolta que acontecerá lá na frente.
É muito empolgante acompanhar o desenrolar do enredo e aguardar ansioso pelo próximo minuto, justamente para tentar prever o que vai acontecer e ser completamente surpreendido.
As atuações acompanham o bom desenvolvimento da história e é quase impossível não criar uma antipatia pela frieza do marido (aliás, um dos maiores exemplos de marido imprestável do cinema), mérito do roteiro e mérito da atuação de Ray Milland, que em quase todo o filme exala um ar quase desprezível.
O final é satisfatório, em algum momento certos maridos merecem e precisam pagar a conta por tanta frieza e maldade.
Assistido novamente em 31 de agosto de 2026.
Nota: 9/10
não é atoa que ele é chamado de mestre do suspense
Embora não seja o meu clássico favorito de Hitchcock, *Disque M para Matar* é um bom filme por si só. Grace Kelly, uma atriz encantadora de uma era passada, brilha intensamente. O suspense na cena final é palpável e cru — uma marca registrada esplêndida do estilo de direção conciso de Hitchcock. No entanto, o filme simplesmente carecia da complexidade de *Um Corpo que Cai* e *Psicose*. Nós conhecíamos o motivo e o método; a única dúvida era se o restante do elenco acabaria descobrindo a verdade.
A infidelidade novamente sendo o carro-chefe em um filme. A princípio,o marido parece criar um assassinato perfeito,mas não...
O roteiro de Frederick Knott é estupendo. É impossível tirar os olhos da tela por conta de todo um embaraço criado e todas as reviravoltas acontecendo movimentam demais o filme,os 100 minutos parecem 10. A utilização de apenas um cenário principal é de uma maestria sem igual de Hitchcock. Os movimentos suaves da câmera no vai e vem encontrando os personagens é muito bem realizada e aumenta a densidade dos fatos.
No início,Margot fala para o amante que o marido mudou o comportamento,de um jeito que ela não o reconhece mais. No encontro,o marido pergunta ao amante se ele trabalha em rádio,ele diz que não... Um pouco mais na frente,o marido fala para o assassino sobre o plano e fala que o motivo é que ambos estão apaixonados e é muito fácil reconhecer quando duas pessoas estão conectadas como eles. São pequenos detalhes que lá na frente fazem muita diferença.
O terceiro ato é sublime. Pensamos que tudo vai por água abaixo,mas o roteiro se sustenta perfeitamente bem,criando um jogo misterioso entre os principais personagens. Um acusando o outro é de uma genialidade sem igual e as atuações nesse sentido são primorosas. Outro detalhe importante é quando Margot é acusada e vai para a delegacia a tonalidade vermelha vai mudando a cada novo ângulo,cada novo lado que ela olha,e de acordo que o filme vai passando,a atriz vai perdendo o brilho inicial e ficando cada vez mais borrada,triste na reta final. Hitchcock era muito bom nisso.
No mais,sempre é bom ver um marido imprestável se dando mal.
E esse filme não indicado ao Oscar em nenhuma categoria é confirmar que a Academia nunca prestou.
>Revisto em 22 de Agosto de 2026
É a elite do cinema.