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Data de lançamento
13 Ago. 2009Duração
Alienígenas aterrissaram, mas acabaram exilados em uma favela nos limites de Johannesburg, na África do Sul. Depois de tomar conhecimento do misterioso segredo da tecnologia bélica extraterrestre, um solitário humano passa a ser caçado pelas estranhas vielas da favela alienígena e descobre o que significa ser um completo estranho em seu próprio planeta.
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18.10.2009
Não precisou de mais de um minuto após a notícia do Wikus para que absolutamente todas as pessoas virassem as costas para ele.
:(
Que roteiro absurdamente besta! Aguentei 45 minutos dessa palhaçada!
A fisionomia dos aliens desse filme me lembrou em algum aspecto os oods de doctor who
Em vez dos aliens invadirem Nova York ou Los Angeles com naves imponentes explodindo monumentos, como um carro velho, a nave deles quebra nos céus de Joanesburgo, na África do Sul. E em vez de eles serem conquistadores de mundos, os alienígenas se tornaram refugiados, jogados na favela, cercados por arame farpado, passando fome, virando traficantes, matando e pegando puta. Sim, os filmes de ficção científica que saíram da caixinha com abordagens novas sempre mudaram o gênero, e "Distrito 9" fez esse feito.
Neill Blomkamp tirou o glamour de Hollywood e joga a ficção científica no terrão, na poeira, no meio do lixo, da miséria e da exploração, apresentando uma estética visual nova, uma coisa palpável e mais realista. Com problemas sociais, políticos e econômicos, que fizeram dessa ficção científica uma "social científica", que flerta com a situação de países pobres, com sérias chagas na sua história. Usando o formato de falso documentário (mockumentary), com imagens de arquivo, entrevistas fakes e câmeras de segurança, faz tudo parecer real demais. O racismo e a crueldade do Apartheid são escancarados ali, só que mudando a cor da pele para casca de um inseto.
A trama acompanha Wikus van de Merwe, um burocrata preconceituoso que trabalha para uma corporação privada que só quer despejar os aliens de seus barracos e roubar suas armas. A grande virada do roteiro é quando Wikus se infecta por um fluido extraterrestre e começa a se transformar fisicamente e contra a sua vontade, justamente naquele ser que ele tanto odiava e perseguia. Ver a nojeira dele perdendo a pele, os dentes, as unhas, comendo ração de gato e se escondendo na favela funciona como uma punição poética e visceral. E mesmo no desespero e todo fudido, Wikus ainda carrega a mentalidade torta do opressor, o que torna o drama do personagem incrivelmente mais real e complexo.
O visual do filme impressiona pela crueza e pelo realismo da computação gráfica. Aquelas bocas de gafanhoto se mexendo e a linguagem de inseto dos aliens se integram perfeitamente aos cenários reais de pobreza extrema da África. E quando o filme vira a chave para a ação, o ritmo é avassalador. Quando a indústria armamentista local vê que o infeliz do Wikus conseguiu disparar as armas biológicas dos alienígenas, eles chegam a babar sangue de alegria, porque agora eles finalmente poderiam decifrar o DNA deles pra usar a tecnologia.
As cenas de ação são épicas, é um corre corre do capeta, um tiroteio foda, com o protagonista vilão unindo forças com o chefe dos alienígenas contra a milícia violenta da indústria, que quer a todo custo arrancar seu couro. A promessa insana e dramática do alienígena de reverter a transformação de Wikus para humano foi o motor amargo para esse maldito ajudar os "Camarões" a fazer sua nave encalhada pegar de novo.
No fim, o longa deixa uma marca profunda na história do cinema por ter a coragem de misturar entretenimento de ação da melhor qualidade, com uma crítica social pesada e sem filtros. "Distrito 9" é uma obra-prima corajosa, que rompeu com os padrões estabelecidos da indústria, com uma história que flerta com a realidade, efeitos visuais revolucionários e um protagonista que não vale nem o ódio, mas que você acaba torcendo por ele pela causa toda.
Puta clássico.