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Sinopse
Documentário que examina os estereótipos racistas que alimentaram a cultura popular do período antebellum até a explosão do Movimento dos Direitos Civis nos anos 60.
Assisti a este documentário graças à disponibilização de um amigo, que está realizando um TCC sobre o Marlon Riggs, e fiquei atordoado: um dos filmes mais desconfortáveis que eu já vi! O relato é muito didático e expositivo, configurando uma história paralela (porque sufocada) da cultura audiovisual norte-americana. Não sei se entendi bem a crítica ao 'blaxploitation' no desfecho, mas fiquei impressionado com a exposição dos estereótipos adotados e mui reproduzidos por Hollywood. Gosto muito de O JUIZ PRIEST, clássico fordiano amplamente analisado ao longo da narração, mas concordo com o que foi argumentado, obviamente. Uma pena que os direitos televisivos deste excelente documentário impedem a sua divulgação mais ampla: é um filmaço! Muito mais acessível, em termos enciclopédicos e/ou generalistas que LÍNGUAS DESATADAS. Mas igualmente merecedor de aplausos apaixonados! (WPC>)
O documentário Ethnic Notions é um grande filme que destacou a evolução dos estereótipos sobre os negros e tentou aprofundar o por quê dessas imagens terem sido criadas. Tais imagens que foram divulgadas pela mídia por meio de livros, desenhos animados, e demais instrumentos de divulgação, foram mais do que para entretenimento. Os afro-americanos foram pintados como menos que humanos, violentos, selvagens, que não tinham a menor ideia de como viver independentemente da escravidão. Essas imagens também serviram como um catalisador para controlar psicologicamente os afro-americanos, pois só eram vistas sob uma luz favorável para servir aos brancos. Em primeiro lugar, o filme fala sobre entretenimento e como os negros foram introduzidos na cena de atuação. Infelizmente, os afro-americanos foram introduzidos no mundo da representação por meio do "Blackface" (uma prática que tem pelo menos 200 anos. Acredita-se que ela tenha se iniciada por volta de 1830 em Nova York, E.U.A; Era uma prática na qual pessoas negras eram ridicularizadas para o entretenimento de brancos. Estereótipos negativos vinham associados às piadas, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. No século 19, atores brancos usavam tinta para pintar os rostos de preto em espetáculos humorísticos, se comportando de forma exagerada para ilustrar comportamentos que os brancos associavam aos negros. Também ridicularizavam os sotaques dos personagens que incorporavam nas peças. Isso surgiu numa época em que os negros nem eram autorizados a subir nos palcos e atuar, por causa da cor da pele. Mesmo no século 20, era muito raro atores negros receberem posição de destaque. Papéis que exigiam uma aparência africana ou asiática eram frequentemente desempenhados por atores brancos usando blackface, ou seja, com a pele tingida; mas não se trata apenas de pintar a pele de cor diferente, os brancos começaram a pintar seus rostos e a agir como se fossem escravos ou negros. Sua atuação incluiria cantar, dançar, contar piadas e outros bufões. Logo os afro-americanos tiveram que pintar seus rostos de preto e agir como as pessoas que se faziam passar por eles para serem bem sucedidos. Um famoso ator de rosto negro que fazia parte da comunidade africana era Bert Williams. O processo de criar carvão vegetal para pintar seus rostos incluía queimar duas rolhas e misturar as cinzas com água. As interpretações feitas com uso de blackface em shows e programas populares eram normalmente imprecisas e profundamente ofensivas, mas muitos brancos enxergavam — e ainda enxergam — como uma forma aceitável de entretenimento. Esse gênero de comédia, no entanto, tem sido publicamente acusado de racismo há décadas. O movimento Campanha Contra a Discriminação Racial, do Reino Unido, enviou em 1967 uma petição contra o programa da BBC que usava atores com rostos pintados de preto. A BBC inicialmente acolheu os pedidos e os cantores chegaram a se apresentar sem maquiagem por um ano. Mas o programa voltou ao seu formato original e durou mais 10 anos (Ou seja, a BBC e nem qualquer outra empresa de entretenimento está preocupada com coisa alguma que não sejam seus lucros!). Além disso, a mídia era uma ótima maneira de criar e manter estereótipos ofensivos sobre os negros. Os estereótipos foram criados para promover essa loucura. Personagens como Mammy, Uncle Tom e Sambo foram criados. Uma Mammy era uma escrava afro-americana extremamente gorda com um trapo sobre a cabeça. Seu propósito era cozinhar, limpar e servir alegremente a dona da casa. Ela era sempre interpretada pela mulher negra mais obesa, barulhenta e pouco atraente que estava disponível. Os executivos de TV precisavam encontrar uma maneira de eliminar todo o sex appeal da mulher negra, a fim de garantir que ela não fosse uma ameaça para a patroa da casa. Na realidade, isto era uma mentira porque o estupro entre os escravos era comum na realidade. Na sociedade de hoje, você pode ver uma mulher negra com excesso de peso em uma garrafa de xarope que chamaríamos de tia Jemima. Nos desenhos animados, ela era a chefe de sua própria casa a fim de tirar a masculinidade do homem negro, ao contrário da casa do senhor dos escravos, onde o dono do escravo era a figura masculina. Outro personagem era o tio Tom que era um homem sul-africano sem emprego, sem dentes, inglês impróprio, que adorava cantar e dançar em seu tempo livre. Este pintou os afro-americanos como preguiçosos, indóceis e despreocupados. Isto também pintava homens negros como crianças que nunca cresceram. Esta imagem foi importante após a emancipação dos escravos porque mostrou aos brancos que os negros nunca seriam capazes de se adaptar ao fato de serem livres; até porque nunca, de fato, o são! Não podemos esquecer de Sambo, que era uma criança negra. Sambo, eu acho que é o personagem mais importante, criado para dessensibilizar a matança inocente dos negros. Os desenhos animados do Pequeno Sambo podem ser vistos com ele sendo perseguido por animais ou estando em perigo evitável. Muitos dos finais dos livros e desenhos animados infantis do Pequeno Sambo é a morte. Um exemplo claro disto é a rima infantil "Dez pretos pequenos". Um por um, cada pequeno Sambo morre sem razão ou causa, a não ser sua própria incompetência. No final do dia, todos esses três personagens compartilharam as mesmas características. Cada personagem tinha uma grande cabeça, grandes lábios, grandes olhos e analfabetos. O estereótipo da cabeça grande pode ser ligado ao estereótipo de que todos os negros gostam de comer melancia. Estas imagens dos negros eram usadas como uma forma de endossar o tabaco, xarope de panquecas e muito mais. Antes a mídia da escravidão era usada para pintar escravos como servos felizes que não se importavam de forma alguma com a escravidão. Após a emancipação dos escravos, a mídia pintou os afro-americanos como incompetentes para viverem livres do controle dos brancos. A mídia também encorajou a imagem de que agora os afro-americanos não são mais escravos de que começarão a cometer atos de crimes sem sentido porque são selvagens. Os afro-americanos também foram feitos para parecer que iriam atrás das virgens brancas e eu acho que essa imagem foi feita para desencorajar as relações inter-raciais. A imagem encantadora dos afro-americanos só foi usada quando eles estavam em papéis de servidão a suas contrapartes brancas. Até mesmo soldados negros foram ridicularizados durante esse tempo. Os afro-americanos no cinema eram os mais felizes quando atuavam de escravos, criadas, mordomos, dançarinos e cantores felizes, vestidos com uniformes arrumados e com sorrisos no rosto. Isto é importante porque os afro-americanos enfrentavam a segregação, o linchamento, as leis Jim Crow e a pobreza. Uma feliz opressão foi forçada a entrar em telas de TV para diminuir a validade da opressão que eles realmente enfrentavam. Em conclusão, Ethnic Notions traz grandes pontos de conexão com a história, a guerra e o entretenimento. Personas foram feitas de afro-americanos para criar uma falsa realidade sobre a segregação, escravidão e outras situações ofensivas enfrentadas, socialmente criadas para que os afro-americanos jamais se esquecerem de que foram, e de certa forma, ainda são escravos. Estes estereótipos ainda hoje se mantêm e devem ser levados a sério. Estão fantasiados, agora já não mais com Blackface, mas ainda estão por aí...Por isso o documentário é importante e precisa ser visto; você pode até não concordar totalmente com a visão do diretor, mas não pode ignorar que ele faz-nos relembrar que muito do passado ainda por aí está!
Assisti a este documentário graças à disponibilização de um amigo, que está realizando um TCC sobre o Marlon Riggs, e fiquei atordoado: um dos filmes mais desconfortáveis que eu já vi! O relato é muito didático e expositivo, configurando uma história paralela (porque sufocada) da cultura audiovisual norte-americana. Não sei se entendi bem a crítica ao 'blaxploitation' no desfecho, mas fiquei impressionado com a exposição dos estereótipos adotados e mui reproduzidos por Hollywood. Gosto muito de O JUIZ PRIEST, clássico fordiano amplamente analisado ao longo da narração, mas concordo com o que foi argumentado, obviamente. Uma pena que os direitos televisivos deste excelente documentário impedem a sua divulgação mais ampla: é um filmaço! Muito mais acessível, em termos enciclopédicos e/ou generalistas que LÍNGUAS DESATADAS. Mas igualmente merecedor de aplausos apaixonados! (WPC>)
O documentário Ethnic Notions é um grande filme que destacou a evolução dos estereótipos sobre os negros e tentou aprofundar o por quê dessas imagens terem sido criadas. Tais imagens que foram divulgadas pela mídia por meio de livros, desenhos animados, e demais instrumentos de divulgação, foram mais do que para entretenimento. Os afro-americanos foram pintados como menos que humanos, violentos, selvagens, que não tinham a menor ideia de como viver independentemente da escravidão. Essas imagens também serviram como um catalisador para controlar psicologicamente os afro-americanos, pois só eram vistas sob uma luz favorável para servir aos brancos. Em primeiro lugar, o filme fala sobre entretenimento e como os negros foram introduzidos na cena de atuação. Infelizmente, os afro-americanos foram introduzidos no mundo da representação por meio do "Blackface" (uma prática que tem pelo menos 200 anos. Acredita-se que ela tenha se iniciada por volta de 1830 em Nova York, E.U.A; Era uma prática na qual pessoas negras eram ridicularizadas para o entretenimento de brancos. Estereótipos negativos vinham associados às piadas, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. No século 19, atores brancos usavam tinta para pintar os rostos de preto em espetáculos humorísticos, se comportando de forma exagerada para ilustrar comportamentos que os brancos associavam aos negros. Também ridicularizavam os sotaques dos personagens que incorporavam nas peças. Isso surgiu numa época em que os negros nem eram autorizados a subir nos palcos e atuar, por causa da cor da pele. Mesmo no século 20, era muito raro atores negros receberem posição de destaque. Papéis que exigiam uma aparência africana ou asiática eram frequentemente desempenhados por atores brancos usando blackface, ou seja, com a pele tingida; mas não se trata apenas de pintar a pele de cor diferente, os brancos começaram a pintar seus rostos e a agir como se fossem escravos ou negros. Sua atuação incluiria cantar, dançar, contar piadas e outros bufões. Logo os afro-americanos tiveram que pintar seus rostos de preto e agir como as pessoas que se faziam passar por eles para serem bem sucedidos. Um famoso ator de rosto negro que fazia parte da comunidade africana era Bert Williams. O processo de criar carvão vegetal para pintar seus rostos incluía queimar duas rolhas e misturar as cinzas com água. As interpretações feitas com uso de blackface em shows e programas populares eram normalmente imprecisas e profundamente ofensivas, mas muitos brancos enxergavam — e ainda enxergam — como uma forma aceitável de entretenimento. Esse gênero de comédia, no entanto, tem sido publicamente acusado de racismo há décadas. O movimento Campanha Contra a Discriminação Racial, do Reino Unido, enviou em 1967 uma petição contra o programa da BBC que usava atores com rostos pintados de preto. A BBC inicialmente acolheu os pedidos e os cantores chegaram a se apresentar sem maquiagem por um ano. Mas o programa voltou ao seu formato original e durou mais 10 anos (Ou seja, a BBC e nem qualquer outra empresa de entretenimento está preocupada com coisa alguma que não sejam seus lucros!). Além disso, a mídia era uma ótima maneira de criar e manter estereótipos ofensivos sobre os negros. Os estereótipos foram criados para promover essa loucura. Personagens como Mammy, Uncle Tom e Sambo foram criados. Uma Mammy era uma escrava afro-americana extremamente gorda com um trapo sobre a cabeça. Seu propósito era cozinhar, limpar e servir alegremente a dona da casa. Ela era sempre interpretada pela mulher negra mais obesa, barulhenta e pouco atraente que estava disponível. Os executivos de TV precisavam encontrar uma maneira de eliminar todo o sex appeal da mulher negra, a fim de garantir que ela não fosse uma ameaça para a patroa da casa. Na realidade, isto era uma mentira porque o estupro entre os escravos era comum na realidade. Na sociedade de hoje, você pode ver uma mulher negra com excesso de peso em uma garrafa de xarope que chamaríamos de tia Jemima. Nos desenhos animados, ela era a chefe de sua própria casa a fim de tirar a masculinidade do homem negro, ao contrário da casa do senhor dos escravos, onde o dono do escravo era a figura masculina.
Outro personagem era o tio Tom que era um homem sul-africano sem emprego, sem dentes, inglês impróprio, que adorava cantar e dançar em seu tempo livre. Este pintou os afro-americanos como preguiçosos, indóceis e despreocupados. Isto também pintava homens negros como crianças que nunca cresceram. Esta imagem foi importante após a emancipação dos escravos porque mostrou aos brancos que os negros nunca seriam capazes de se adaptar ao fato de serem livres; até porque nunca, de fato, o são! Não podemos esquecer de Sambo, que era uma criança negra. Sambo, eu acho que é o personagem mais importante, criado para dessensibilizar a matança inocente dos negros. Os desenhos animados do Pequeno Sambo podem ser vistos com ele sendo perseguido por animais ou estando em perigo evitável. Muitos dos finais dos livros e desenhos animados infantis do Pequeno Sambo é a morte. Um exemplo claro disto é a rima infantil "Dez pretos pequenos". Um por um, cada pequeno Sambo morre sem razão ou causa, a não ser sua própria incompetência. No final do dia, todos esses três personagens compartilharam as mesmas características. Cada personagem tinha uma grande cabeça, grandes lábios, grandes olhos e analfabetos. O estereótipo da cabeça grande pode ser ligado ao estereótipo de que todos os negros gostam de comer melancia. Estas imagens dos negros eram usadas como uma forma de endossar o tabaco, xarope de panquecas e muito mais. Antes a mídia da escravidão era usada para pintar escravos como servos felizes que não se importavam de forma alguma com a escravidão. Após a emancipação dos escravos, a mídia pintou os afro-americanos como incompetentes para viverem livres do controle dos brancos. A mídia também encorajou a imagem de que agora os afro-americanos não são mais escravos de que começarão a cometer atos de crimes sem sentido porque são selvagens. Os afro-americanos também foram feitos para parecer que iriam atrás das virgens brancas e eu acho que essa imagem foi feita para desencorajar as relações inter-raciais. A imagem encantadora dos afro-americanos só foi usada quando eles estavam em papéis de servidão a suas contrapartes brancas. Até mesmo soldados negros foram ridicularizados durante esse tempo. Os afro-americanos no cinema eram os mais felizes quando atuavam de escravos, criadas, mordomos, dançarinos e cantores felizes, vestidos com uniformes arrumados e com sorrisos no rosto. Isto é importante porque os afro-americanos enfrentavam a segregação, o linchamento, as leis Jim Crow e a pobreza. Uma feliz opressão foi forçada a entrar em telas de TV para diminuir a validade da opressão que eles realmente enfrentavam. Em conclusão, Ethnic Notions traz grandes pontos de conexão com a história, a guerra e o entretenimento. Personas foram feitas de afro-americanos para criar uma falsa realidade sobre a segregação, escravidão e outras situações ofensivas enfrentadas, socialmente criadas para que os afro-americanos jamais se esquecerem de que foram, e de certa forma, ainda são escravos. Estes estereótipos ainda hoje se mantêm e devem ser levados a sério. Estão fantasiados, agora já não mais com Blackface, mas ainda estão por aí...Por isso o documentário é importante e precisa ser visto; você pode até não concordar totalmente com a visão do diretor, mas não pode ignorar que ele faz-nos relembrar que muito do passado ainda por aí está!