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Data de lançamento
11 Julho 2012Duração
Na cidade violenta e futurista de Mega City One, a 120 anos no futuro, a polícia tem autoridade para agir como juiz, júri e carrasco. O juiz Dredd (Karl Urban), o mais temível deles, recebe uma missão: fazer um teste com uma juíza novata, a poderosa médium sensitiva Cassandra Anderson (Olivia Thirlby). No que seria apenas um dia de avaliação, os juízes aparentemente seguem para uma cena rotineira de crime, num cortiço conhecido como Peach Trees, administrada pelo clã da Ma-Ma. Quando eles tentam prender um dos capangas da organização criminosa, ela manda fechar o prédio de 200 andares e sai na captura dos juízes, que agora se encontram encurralados, numa luta implacável pela sobrevivência.
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Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita
Apocalipse do cimento, inferno urbano e vertical que espreme 800 milhões de almas perdidas em prédios. Empilhando como lixo, fritando no sol quente e no asfalto, respirando fumaça e óleo diesel. Umbral vivo, onde o diabo anda lado a lado com você no corredor do condomínio e ninguém vê, nem percebe, porque a violência virou benção e a maldade oração. A carne da humanidade foi moída, e a esperança, virou poeira no tempo...
Dredd não é um filme de herói; é um bloco de concreto de 200 andares caindo em cima da sua cabeça sem pedir desculpas. Pete Travis e Alex Garland te jogam direto no esgoto de uma humanidade que deu errado. Esquece o carnaval colorido do Sylvester Stallone dos anos 90. Esse filme de 2012 pega a essência dos quadrinhos e transforma o cinema numa máquina de moer carne claustrofóbica, crua e de uma honestidade brutal que faz falta hoje em dia.
O cenário é Mega-City One, uma metrópole maldita de 800 milhões de pessoas cercadas por um deserto radioativo. Ali, a vida não vale uma pedra de crack e a única coisa que separa a civilização do caos, são os Juízes — homens e mulheres com a função de polícia, júri e executor. Anjos de ferro, mão esquerda de Deus, cortando a maldade, com maldade. Como se o Evangelho fosse cuspido para Deus pelo povo, e a lei de Talião com seu Bezerro de dourado, nunca deixasse o altar da suas almas.
Vê um juiz sendo tudo é como que se ele fosse a mão de Deus, cortando a maldade com maldade. Sabe, como se eles voltassem para o Velho Testamento, aonde apenas a lei do 'olho por olho, dente por dente' fosse a única lei que podia amassar a alma deles."
A face de Karl Urban, é a face fria e inalterada da justiça, que não sorri, não se comove, não tem duvidas e nem medo. Dredd não mostra sentimentos. Ele é o rosto do sistema, ele não tira o capacete, não quer ser galã. Dredd é a própria lei de ferro que anda na imundisse do mundo, com as mesmas botas que caminha na sua casa.
A história é de filme policial, simples como um tiro no peito. Dredd e a novata sensitiva Cassandra Anderson (Olivia Thirlby) entram no megabloco de favela vertical "Peach Trees" para investigar três mortes e são trancados pela Ma-Ma (Lena Headey), uma ex-prostituta psicopata que comanda o tráfico da droga Slow-Mo. Quando as portas de aço se fecham e a Ma-Ma ordena a caça aos Juízes, o filme vira um survival de sobrevivência pura no concreto escuro do prédio.
Andar por andar, rompendo a escória podre com o arsenal da pistola Lawgiver que muda de munição por comando de voz, Dredd e Cassandra, rasgam os corredores, buscando uma saída enquanto os demônios da Ma-Ma, testam suas sorte, desafiando os dois anjos da morte, que não esperam um segundo para serem implacáveis.
A sacada estética do filme é genial. A droga Slow-Mo faz o cérebro da vítima perceber o tempo a 1% da velocidade normal. Então, nos momentos de maior violência — quando o sangue espirra, as paredes explodem e os corpos caem do topo do prédio —, o filme vira uma viagem psicodélica, colorida e poética. É o contraste doentio da beleza plástica da morte em câmera lenta contra a realidade cinzenta, suja e claustrofóbica desse inferno.
A ação é ininterrupta, Pete Travis, não quer você faça amigos quando assisite. Ele quer que você sinta o medo, o terror e a violência do Peach Trees. Você mergulha no inferno cinza e brutalista do prédio que parece uma cidadela de concreto, vinda do passado, de algum apocalipse no futuro. Eles sobem o edifício, matando matando matando. Sem dó, sem piedade e sem frescura. E quando você mal percebe, o filme se acaba...
"Dredd" de Pete Travis, é um filme se super heroi cult, um clássico injustiçado que fracassou nas bilheterias porque o mundo estava anestesiado por filminho de herói de piadinha e capa colorida. Ele não quer te dar uma lição de moral ou dizer que o futuro vai ser bonito. Ele te acorda com um soco na cara, mostrando que quando o ser humano se enfia de vez na Matrix do asfalto, a única coisa que sobra é o expurgo controlado pelo cano de uma escopeta.
"Dredd" é um filme rústico, selvagem e cru; é um entretenimento brutal na sua forma mais pura, sem gordura, sem enrolação que mete seus dois pés esquerdos no acelerador da destruição e da morte.
Uma obra de arte esse filme, esse remake superou o original bem de boa
Karl Urban ficou 95 minutos sem mostrar o rosto. Enfim, Cyberpunk 2077.
Gosto daquela versão noventista do personagem, mas esse aqui também é interessante, chama mais a atenção pelas cenas de ação e muita violência.
14/12/25