Sega, um taiwanês nascido nos anos do governo japonês, sente-se mais próximo da nacionalidade e cultura japonesa do que das autoridades chinesas, que assumiram o controle do país em 1945. Os japoneses contribuíram para o desenvolvimento da ilha e de suas infra-estruturas sociais, deixando como herança sistemas eficientes de saúde e educação. Por outro lado, seu filho Wen-Jian, nascido e criado sob o governo chinês, possui fidelidade natural à cultura chinesa e mostra-se impaciente com o carinho de seu pai para com a cultura japonesa - principalmente após receber aulas sobre as ambições imperialistas japonesas e as atrocidades da guerra.
Considerado por Martin Scorsese como o terceiro melhor filme dos anos 90.
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Wu destinara a direção ao Hou Hsiao-hsien, mas acabou tomando as rédeas da produção e emulando o estilo do diretor pretendido. Pudera, Hou e Wu foram grandes parceiros e uma dupla basilar na New Wave taiwanesa. No próprio título, “Duo Sang” carrega sua maior mensagem (sendo este o nome do genitor de Nien-Jen, fica nítida a homenagem). É o mais profundo e comovente filme que conheço abordando a figura paterna... Sega é tão verossímil que saltou da tela e me fez lembrar do meu pai. A longa duração do filme é um deleite, contendo várias cenas icônicas, sendo também possível acompanharmos a história contemporânea de Formosa (inclua aí todas as mudanças político-econômicas que a ilha enfrentou). Um monumento ao perdão irrestrito, ao amor incondicional e aos laços de sangue que tanto separam quanto unem para sempre.
“Durante toda a vida do meu pai, se alguém o perguntasse: Quantos anos você tem?
Ele responderia: Eu nasci no 4º ano do Imperador Japonês Showa.”