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Data de lançamento
1 Abril 2020Duração
Duplo R é um falso-documentário que se passa em um grupo de apoio para pessoas que sofrem de racismo reverso. Essas pessoas contam os motivos e as angústias que passam por serem brancas.
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Primeiro, uma confissão publicitária: sem saber do que se tratava o filme, cri que o título fizesse menção ao restaurante da personagem Norma na cultuada telessérie "Twin Peaks". Talvez seja uma piada interna inteligente e espirituosa, que revela-se ainda mais inteligente quando é desvendada enquanto sigla de algo que será acidamente contestado ao longo da narrativa falsamente documental e politicamente incisiva. O que nos leva ao segundo ponto:
Segundo, apesar de concordar ideologicamente com o diretor, muito sagaz na exposição gradual de seu tema de crítica, o curta-metragem estende-se demasiadamente na reiteração de um mesmo efeito cômico-paródico, o dos brancos ricos assumindo-se como ridículos (sem admitirem, obviamente). Por conta disso, ainda que muito bem-fundamentado e convincente, o roteiro parece dialogar apenas com quem já concorda com seu ponto de vista, referendando aquilo que já era consensual antes mesmo da sessão. Mais ou menos como um textão de Facebook em que curtimos antes de lê-lo até o final, pois conhecemos previamente o pendor autoral e defensivo de seu escritor...
O elenco está correto, mas destacam-se a jovem rapariga CEO e o professor negro, que conduz um pitoresco grupo de discussão sociológica deturpada que o vilaniza sub-repticiamente enquanto objeto de anulação identitária. A direção de arte da sala em que se passam os depoimentos é incrível, mui aplaudível. Pena que a montagem esfacela o potencial já depauperado dos discursos chistosamente truístas em sua obviedade (afinal, necessária) de ataque...
Terceiro: a despeito de qualquer insatisfação prévia com alguns aspectos da direção e do roteiro, o videoclipe não avulso do final é absolutamente genial em sua investida comprobatória do quão necessário é este filme para as atuais platéias. Percebi, então, que aquilo de que não gostei tanto ao longo da projeção tratava-se de um compêndio de aspectos geracionais que distanciam-se do modo como os espectadores mais velhos lidam com a problemática ambígua de seu enredo, tão urgente na titubeante e belicosa conjuntura política atual. Sendo assim, aplaudo efusivamente a argúcia de Hector Sousa nesta realização: parabéns! (WPC>)
Perfeito! Um dos melhores que eu assisti esse ano. Duvido você não ficar cantando a música do final por 7 dias seguidos....