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Baseado no romance de ficção científica "Hard to Be A God". Uma expedição que parte da Terra para outro planeta testemunha um golpe religioso de estado, que leva ao poder uma sociedade medieval e nacionalista.
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Quem é trekker já viu ao menos 1 dezena de episódios com essa premissa. Aqui ela é usada para mostrar a degradação de forma quase voyerística. Artístico mais que inovador.
Está sempre acontecendo alguma coisa, mas nada acontece.
Mais ou menos como a nossa história no planeta Terra.
Como já falaram aqui, é realmente um filme enfadonho, cansativo de acompanhar, dada a fragilidade, ou quase ausência, de narrativa (que ainda permanece bastante inacessível para mim - vou atrás do livro). Tive que terminar no dia seguinte. Ao mesmo tempo, é uma das produções mais impressionantes e hipnóticas que já vi. Um trabalho sem igual de produção de arte: não há um canto da tela que escape, tudo está transmitindo a mensagem, tudo transborda o universo do filme. Parece até que a tela é pequena demais, e as coisas e as pessoas se espremem para aparecer nela.
A impressão de improviso em boa parte das atuações, ao invés de diminuir ou quebrar a nossa crença no que está sendo apresentado, incrivelmente a reforça, levando o filme quase ao nível de documentário. Se tem a impressão de muita verdade.
Também me peguei pensando, enquanto assistia, que passamos boa parte da nossa vida lidando com o desconforto, com a bagunça, com a decadência do ambiente em que vivemos e do nosso próprio corpo, com a sujeira e com a putrefação, numa luta sem fim para nos mantermos vivos, limpos, confortáveis e minimamente apresentáveis. Uma luta que leva do nada a lugar nenhum, cíclica, zerada a todo o amanhecer. Com exceção daquele único, último dia, em que lutamos pela última vez, e perdemos. E sabemos que vamos perder, mas é preciso travar essa luta, ainda assim.
Lendo O Capital, conforme Marx apresenta relatórios médicos sobre a situação de trabalhadores rurais e urbanos na Inglaterra no século 19 (moradia, alimentação, saneamento, dignidade…), as imagens desse filme me rondam a mente.
A câmera bêbada, a sonoplastia cacofônica, as atuações de improviso, o mise-en-scene caótico, a fotografia atmosférica e os planos longuíssimos fazem desse filme uma experiência realmente única, uma das mais imersivas que já tive. Ao contrário dos comentários abaixo, a escatologia toda não me incomodou não, achei um retrato bastante fiel de contextos medievais. O que me incomodou mesmo foi o enredo que, ao se construir de insignificâncias e mesquinharias, não forma mensagem alguma, não contempla verdade nenhuma, não transmite esperança a ninguém: é a crueza sem sentido da história humana por três horas ininterruptas e incansáveis. É um argumento um pouco tosco, admito, mas tudo que pode ser dito de ruim do filme está lá de propósito. Às vezes um filme não é pra curtir mesmo, é pra suportar por três horas mas lembrar por anos e anos.
Esse é bom pra assistir com a família ou com a namorada. Obs.: Mas só se forem cinéfilos o bastante para essa experiência nauseante.