Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza, por mim podia ter ganho fácil, mas é um festival que vem ficando cada vez mais comercial e americanizado nos últimos tempos. A película é de uma poesia ímpar em uma época em que existe tão pouca. Tem um roteiro que me remeteu aos livros de Italo Calvino, um choque entre realidade e fábula. A parte técnica é estonteante. Fui assistir sem esperar nada, sem saber do que se tratava, para ser arrebatado, realmente gostei muito, há passagens que me lembraram vários diretores de que sou fã (indo de Malick à Bilge Ceylan), mas se mantendo fiel a um estilo próprio. Tem momentos que é mais uma experiência sensorial que narrativa e outras vice-versa. A vida só tem um propósito: o amor. Não tem como ser mais completo do que isso.
Esta filme produz aquela desejada sensação de estranhamento: Um forma de estranhamento digamos poético, simbólico e contemplativo. Diz muito no silêncio de seus planos fixos, na paisagem inebriada pela neblina, naquilo que indaga, sugere e antes propõe do que responde. É como se olhássemos para a escuridão e em seu lugar víssemos um clarão que racionalmente não podemos explicar mas que sabemos fazer alguns múltiplos sentidos mesmo que ocultos/sugeridos na imersão estética que a obra necessita. É no silêncio estranho que existimos. Só posso dizer então: Minhas mãos puras mataram um homem e o sangue desse homem purifica o meu corpo inteiro.
Maravilhoso! Cheio de simbolismos, metáforas, trilha sonora peculiar e linda! Um filme onírico que me fascinou. Lamento por ele não ter recebido nenhum prêmio dos jurados do Festival de Veneza(Que infelizmente anda a cada ano com filmes mais comerciais e de Hollywood).
Que bom que não desisto dos filmes após alguns desagrados iniciais: os diálogos deste filme incomodaram-me bastante no início, por conta de certa artificialidade. Também chateei-me com o excesso de abstração nalgumas seqüências. Mas, de repente, um dos personagens pronunciou exatamente o que eu pensava naquele momento: "que engraçado: onde o Davud aparece, morre alguém!". E fiquei muito contente por perceber que estava assistindo corretamente ao filme. Daí por diante, fluiu muito bem: a trilha musical é belíssima e há algo de angelopoulosiano na narrativa. Ótima a estratégia de interpretação múltipla da atriz que circunda o protagonista (que nunca usa capacete - risos). Muito bacana, surpreendeu-me nalguma medida. (WPC>)
Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza, por mim podia ter ganho fácil, mas é um festival que vem ficando cada vez mais comercial e americanizado nos últimos tempos. A película é de uma poesia ímpar em uma época em que existe tão pouca. Tem um roteiro que me remeteu aos livros de Italo Calvino, um choque entre realidade e fábula. A parte técnica é estonteante. Fui assistir sem esperar nada, sem saber do que se tratava, para ser arrebatado, realmente gostei muito, há passagens que me lembraram vários diretores de que sou fã (indo de Malick à Bilge Ceylan), mas se mantendo fiel a um estilo próprio. Tem momentos que é mais uma experiência sensorial que narrativa e outras vice-versa. A vida só tem um propósito: o amor. Não tem como ser mais completo do que isso.
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Esta filme produz aquela desejada sensação de estranhamento: Um forma de estranhamento digamos poético, simbólico e contemplativo. Diz muito no silêncio de seus planos fixos, na paisagem inebriada pela neblina, naquilo que indaga, sugere e antes propõe do que responde. É como se olhássemos para a escuridão e em seu lugar víssemos um clarão que racionalmente não podemos explicar mas que sabemos fazer alguns múltiplos sentidos mesmo que ocultos/sugeridos na imersão estética que a obra necessita. É no silêncio estranho que existimos. Só posso dizer então: Minhas mãos puras mataram um homem e o sangue desse homem purifica o meu corpo inteiro.
Maravilhoso! Cheio de simbolismos, metáforas, trilha sonora peculiar e linda! Um filme onírico que me fascinou.
Lamento por ele não ter recebido nenhum prêmio dos jurados do Festival de Veneza(Que infelizmente anda a cada ano com filmes mais comerciais e de Hollywood).
Que bom que não desisto dos filmes após alguns desagrados iniciais: os diálogos deste filme incomodaram-me bastante no início, por conta de certa artificialidade. Também chateei-me com o excesso de abstração nalgumas seqüências. Mas, de repente, um dos personagens pronunciou exatamente o que eu pensava naquele momento: "que engraçado: onde o Davud aparece, morre alguém!". E fiquei muito contente por perceber que estava assistindo corretamente ao filme. Daí por diante, fluiu muito bem: a trilha musical é belíssima e há algo de angelopoulosiano na narrativa. Ótima a estratégia de interpretação múltipla da atriz que circunda o protagonista (que nunca usa capacete - risos). Muito bacana, surpreendeu-me nalguma medida. (WPC>)