O soldado alemão Jesper se alista para uma missão no Afeganistão, apesar de já ter perdido um irmão durante uma operação no país. Ele e seu esquadrão são designados para proteger um posto de uma vila da influência crescente do Talibã. Com a ajuda de Tarik, um jovem intérprete inexperiente, Jesper busca a confiança da comunidade local e da milícia afegã aliada. Quando as vidas de Tarik e sua irmã, Nala, são ameaçadas pelo Talibã, Jesper tem que escolher entre suas obrigações militares e sua consciência.
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Um bom drama de uma guerra bem atual.
Muito bom esse filme... claro que do ponto de vista de quem busca um filme no gênero de guerra, vai achar seu ritmo um pouco lento... mas o foco dessa obra são os conflitos de ideologias e princípios, dramatizados no contexto do ambiente da guerra e tendo como principal obstáculo a dificuldade da comunicação e a empatia moralista do protagonista... é um filme que transmite uma mensagem forte sobre os bastidores da guerra... vale a pena assistir...
Um dos grandes problemas do mundo atual é a falta de comunicação entre as pessoas. E não me refiro a comunicação por meios materiais como facebook ou twitter, mas sim à comunicação humana, ou seja, ouvir a dor do outro e através disso sentir uma conexão de empatia com ele. Desta forma, se comunicar não é saber falar, mas sim saber ouvir e sem esse tipo de interação, o mundo se torna um lugar caótico onde cada um tenta gritar mais alto para se poder fazer escutar, mas que ninguém entende ninguém.
Assim, faz todo o sentido do mundo o diretor Feo Aladag ambientar o seu filme “Entre Mundos” no Afeganistão, bem como utilizar como um dos personagens principais o tradutor Tarik (vivido pelo ator Mohsin Ahmady). O jovem, que vive com sua irmã Nala (Saida Barmaki), certo dia é chamado para servir de intérprete a um esquadrão de soldados alemães chefiado pelo soldado Jesper (Ronald Zehrfeld), designado para proteger uma aldeia que se insurgiu contra o Talibã. Assim, sendo Tarik uma peça fundamental para que Jesper consiga se entender com o líder da aldeia, o diretor ilustra com genialidade a necessidade carente que o planeta tem da comunicação entre os diversos povos para que possam trabalhar juntos, em união.
Se saindo muito bem na escolha do elenco, o filme conquista o gosto do espectador através da interação sincera entre Jesper e Tarik, que aos poucos vai se tornando uma amizade verdadeira. Ronald Zehrfeld consegue fazer muito bem o papel do soldado que, a fim de afastar seus demônios pessoais, se entrega ao campo de guerra quase como se este fosse uma válvula de escape (e o seu personagem, Jesper, lembra muito o protagonista de outra obra semelhante, o excelente Guerra ao Terror). Já Mohsin Ahmady consegue passar com perfeição todo o medo e a insegurança de um jovem que, a recém saído da adolescência, tem consciência de estar trabalhando para “o lado errado”. E o seu temor que o Talibã tente uma retaliação contra a sua irmã é totalmente justificável (Aliás é interessante perceber como o corpo físico dos dois atores ajudam a refletir a economia de seus respectivos povos, enquanto o soldado alemão é alto, forte e viril, o tradutor afegão é franzino e excessivamente magro). Já o trabalho da competente atriz Saida Barmaki acaba sendo limitado pelo roteiro que lhe confere menos cenas do que deveria, ainda que um dos momentos mais tensos do filme gire justamente em torno dela.
Buscando fazer um filme que consiga ser seco, cru e sufocante, Feo Aladag é auxiliado no processo pela força opressiva das montanhas e do deserto afegão, que complementam os planos do filme a todo momento. Mas é a forma como o diretor utiliza o simbolismo e insere as suas críticas a geopolítica internacional que torna “Entre Mundos” tão interessante. Por exemplo, quando Jesper repreende o chefe da aldeia pela forma com que puniu um de seus subordinados, não é de surpreender que ele receba a seguinte resposta seca “Você invade o país dos outros. Quem é você para falar de humilhação?”. Da mesma forma, o diretor não economiza momentos em que os superiores de Jesper simplesmente se negam a mandar mais auxílio, sem apresentar nenhuma justificativa, dando a entender que mesmo eles estão pouco se importando com a vida daquele povo. Não fica difícil concluir, portanto, que é a própria arrogância dos povos ocidentais que acaba jogando os povos do Oriente Médio contra eles.
Assim, ao perceber a prepotência crescente de seus superiores, Jesper entende cada vez mais a importância de se comunicar com as pessoas. E a conversa que ele tem com o chefe da aldeia em certa altura da projeção, sobre as experiências anteriores de ambos na guerra, é vital para que o personagem se dê conta que, apesar do idioma, os dois homens são muito semelhantes e o que estava prejudicando as suas interações era justamente a ausência de algo que unisse os dois indivíduos. E não é à toa, também, que, em uma determinada cena que se passa numa aula de engenharia, o roteiro mencione a necessidade de se construir pontes. Mas, infelizmente, os seres humanos não parecem estar interessados em construir pontes, muito pelo contrário, acham muito mais interessante desperdiçar e matar qualquer possibilidade de comunicação.
triste realidade, filme super atual, mostra que na guerra, todos saem perdendo
Excelente!!