Um simples fazendeiro iraquiano que recebe um convidado inesperado batendo em sua porta. Um convidado que deve ser escondido da família, amigos e 150.000 soldados americanos. O convidado é o presidente Saddam Hussein.
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Neste dia, há 22 anos — em 13 de dezembro de 2003 — Saddam Hussein foi capturado por forças dos EUA no Iraque.
Encontrado escondido em um buraco subterrâneo próximo à cidade de Tikrit, seu local de origem, Saddam apareceu desorientado, barbudo e muito distante da imagem do ditador que governara o país com mão de ferro por 24 anos, marcados por repressão sistemática, perseguição de opositores políticos e massacres contra populações curdas e xiitas. A cena tornou-se um dos símbolos mais poderosos da invasão do Iraque iniciada poucos meses antes, em março de 2003.
Para o governo de George W. Bush, foi apresentada como a prova definitiva do sucesso da intervenção militar e como um passo decisivo para estabilizar o país. A mensagem era clara: o antigo regime estava morto. Tratava-se de uma tentativa de legitimar a guerra após o fracasso em encontrar as armas de destruição em massa que haviam servido como principal justificativa para a invasão.
Mas a história mostrou rapidamente que a queda do ditador não significava o fim do conflito — muito pelo contrário. A captura de Saddam não encerrou a violência no Iraque nem impediu a escalada de uma insurgência que, nos anos seguintes, mergulharia o país em um ciclo de guerra sectária, terrorismo e instabilidade. A dissolução do Estado iraquiano, das Forças Armadas e do partido Baath abriu um vácuo de poder que seria explorado por milícias, atores regionais e, mais tarde, pelo Estado Islâmico.
No plano internacional, o episódio marcou um ponto de inflexão. A guerra do Iraque corroeu a credibilidade dos EUA, aprofundou divisões entre aliados e alimentou um ceticismo duradouro em relação a intervenções militares. Para muitos países do Sul Global, a captura de Saddam reforçou a percepção de uma ordem internacional marcada por assimetrias de poder, seletividade jurídica e uso político da força.
Saddam Hussein seria julgado por um tribunal iraquiano e executado em 2006. Ainda assim, 22 anos depois, o legado de sua captura continua evidente: um Iraque fragilizado, um Oriente Médio mais instável e uma lição para a política internacional — derrubar um regime é sempre mais fácil do que construir um Estado funcional no seu lugar.