Estamos Todos Aqui

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Estamos Todos Aqui (2017)
Estamos Todos Aqui
Média do filme: 4.3 de 5 — baseado em 77 votos
MÉDIAFILMOW
4.3
77 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Chico Santos, Rafael Mellim
País de origem Brasil 🇧🇷
Duração 21 min None
Classificação indicativa de Estamos Todos Aqui: 14 - Não recomendado para menores de 14 anos

Duração

21 minutos Classificação indicativa de Estamos Todos Aqui: 14 - Não recomendado para menores de 14 anos
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Sinopse

Rosa nunca foi Lucas. Expulsa de casa, ela precisa de um lar. Enquanto busca um lugar no mangue para construir seu barraco, o projeto de expansão da zona portuária avança em direção aos moradores da Favela da Prainha. O filme foi desenvolvido a partir de escrita colaborativa com moradoras da Favela da Prainha, às margens de gigantescas transações do Porto de Santos.

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Comentários 5029
amigos querem ver
henggo
Henggo
3 anos atrás

Sabe quando você assisti a algo e parece que aquilo vai te estapeando? Vai te peitando, empurrando, chutando? Pegando no teu ombro e chacoalhando com violência, cuspindo no teu rosto? E você fica meio perdida, peio perdido, olha pra um lado, para o outro, prende o fôlego? E fica calado, pois vê realidade; vê o teu país. Eu sempre falo nas redes sociais o quão idiota é as pessoas ficarem em suas bolhas sociais do Twitter enquanto o "Brasil real" grita fome e sede. "Estamos Todos Aqui" é exatamente esse grito invisibilizado , grito mudo que só é ouvido nas eleições, durante um mês - ou então, quando os invisíveis se cansam e o formigueiro ataca. "Com quantos pobres se faz um rico?". Quer frase melhor para definir o Brasil? Cinco anos depois, estou aqui, em 2022, às vésperas das eleições gerais, vendo os candidatos encherem a boca para falarem dos "pobres, pretos, marginalizados". De novo. E de novo. E de novo. de novo... E continuam lá.

O curta Estamos Todos Aqui mostra pessoas que sobrevivem à margem da sociedade, contando o drama das famílias da Favela da Prainha, no Guarujá-SP. A Favela da Prainha é uma comunidade na periferia do Guarujá, região litorânea de São Paulo, em processo de reintegração para expansão do Porto que há perto do local. Rosa Luz, personagem principal do curta, é uma mulher trans que foi expulsa da casa de sua família. Para sobreviver, começa a realizar pequenos trabalhos, chamados como “corres”. Ela inicia a construção de seu barraco perto do mangue, a parte mais carente da favela; portanto, a mais disponível. A apresentação é pesada, com clima tenso e as personagens (tanto Rosa, quanto os moradores) possuem consciência de que estão à margem da sociedade. Uma das cenas mais fortes do filme é Rosa Luz correndo pela Favela da Prainha, o retrato do desespero de quem pode perder tudo em um piscar de olhos. A discussão subjacente, a mensagem subliminar, ou não, é o valor da ação coletiva, a importância da união para o sucesso de conquistas. Os moradores se unem porque necessitam reivindicar seu direito a moradia. Por fim, o final de Rosa Luz representa a seguinte mensagem: apenas a luta popular muda a vida de quem está na base e na margem da sociedade. Pobreza, território, sobrevivência e relações causam desconforto; a mim, e por que não estou a fazer nada? basta se emocionar? indignar-se? qual o resultado prático disto? Rosa nunca foi Lucas, seu nome de batismo. Expulsa de casa, ela precisa de um lar. Enquanto busca um lugar no mangue para construir seu barraco, o projeto de expansão da zona portuária avança em direção aos moradores da Favela da Prainha. O filme foi desenvolvido a partir de escrita colaborativa com moradoras da Favela da Prainha, às margens de gigantescas transações do Porto de Santos. Rafael Mellim e Chico Santos criaram, em 2011, o Coletivo Bodoque, a partir do qual procuram documentar memórias e experiências atuais de conflitos e rupturas com a ordem hegemônica e suas consequências. Realizaram documentários em curta-metragem e vídeos ao lado de ativistas e militantes da luta no campo e na cidade. A importância, e até a genialidade do curta, está na narrativa que não recorta e tenta promover um diálogo a luta LGBT e outras lutas de comunidades periféricas, especialmente sobre direito à moradia, além de suscitar discussões sobre o domínio das corporações, o capitalismo e o abismo da desigualdade social. Em geral, e digo isso com muito cuidado, a luta de gênero é apresenta como uma luta pessoal, ou de um pequeno grupo e desassociadas de outra discussões; tenho dúvidas se isso é deliberado, na tentativa de não reduzir a discussão de gênero no meio de outras discussões; portanto, de focar; ou se o reducionismo não seria uma falta de cuidado, que, em muitos casos, acaba reduzindo a discussão de gênero como isolada; e isso é tudo que ela não é! É claro o discurso, desde o título, de que nada acontece isoladamente, ainda que hajam particularidades significativas. A personagem Rosa (vivida pela artista, youtuber e militante trans Rosa Luz) é representativa dessa complexidade, pois traz mais camadas e intensidade na articulação entre a sua narrativa pessoal e a narrativa do que é coletivo. A narrativa pessoal, por certo, tem o condão de evitar a ideia de que o assunto pode ser diluído e, portanto, reduzido; tal como a ideia de que a questão econômico-financeira fosse a mais importante, ou a preponderante! tendo sido expulsa de casa e sofrendo preconceitos, é também representativa de coletivos marginalizados, tanto em relação à transexualidade, quanto à sua condição de raça e classe. Sua presença forte como mulher trans, negra e periférica se impõe em corpo e fala, trazendo energia e performance material para as questões levantadas pelo filme. Na contramão da apatia, dos planos contemplativos e de andanças melancólicas muito já vistos no cinema brasileiro contemporâneo, há aqui a pulsante corrida de Rosa, que a própria câmera parece quase não dar conta de acompanhar, tamanha velocidade. Os “corres” não são apenas desejo de seguir ou fugir, mas como a própria gíria diz, são os enfrentamentos cotidianos; a ideia de que hoje demos um jeito e amanhã teremos de dar outros. A previsibilidade da vida, quase um dogma para a classe média, é uma impossibilidade para os pobres. Há também caminhadas firmes por entre os barracos, que passam a impressão de labirintos sem saída, mas que não são capazes de tirar o vigor da personagem, que luta, resiste, apesar de tantas barreiras físicas e sociais. Somos provocados inclusive pelo jogo metalinguístico entre realidade e ficção, que, em vários momentos, explicita a composição da personagem e pergunta: “Como você acha que deve ser o final dela?” O processo de construção de Rosa acontece enquanto o filme se desenvolve. São chamadas a participar dessa composição as mulheres entrevistadas da Favela da Prainha e também quem assiste ao filme. O que nos leva a refletir que todos nós fazemos parte da construção dessas personagens na nossa realidade social, não somente na ficção; mais que isso, a indignação com o que assistimos torna-se claramente suficiente; dado que se materializa em nada ou quase nada; a empatia, nesse caso, não é capaz de movimentar-se em nenhuma direção; eles, sempre eles, se tornam invisíveis para a sociedade! As entrevistas são o resgate da realidade nesse processo híbrido. As falas das moradoras são seus testemunhos e compartilhamento de experiências. Mas não só. Elas se posicionam, provocam, questionam diretamente o poder que lhes oprime. Elas não estão passivas na condição de entrevistadas, elas tomam o dispositivo para si e falam diretamente com quem assiste. Embora seja essencial que não nos esqueçamos da posição que os realizadores do filme ocupam como mediadores dessa interação. É, verdadeiramente, um soco do estomago!

alice_d
Alice
7 anos atrás

A INTERSECCIONALIDADE na tela em seu estado da arte!

rosacapitu
Rafaela Rosa
7 anos atrás

eu amo esse filme!!! eu amo esses diretores!

gustavohenriquemarcondes
H. Marc
7 anos atrás

alguém pode passar algum link para que mim?

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