Rafa é uma criança autista de oito anos de idade, filho do casal Miguel (Maksin Oliveira) e Cris (Letícia Cannavale). Miguel estava afastado de casa, depois de uma briga, anos antes. A reunião dos irmãos da família trará à tona traumas da infância, todos registrados pela câmera do perspicaz Rafa.
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A câmera que perscruta, indaga, vivencia e expõe a percepção de uma criança autista. Um filme com a visão de um menino - não é a toa que impressiona a encenação que cria alguns elementos: todo filmado em um plano-sequência de improvisação e ações onde os personagens transcorrem em cena, ora na frente do foco ou "por trás" das lentes, enquanto o personagem "invisível" filma as situações que vão desde diálogos sobre relações familiares e intimidades.
Eis o primeiro longa-metragem de Filipe Codeço, altamente experimental, revela ser um estudo sobre as noções e olhares de um autista diante do que está ao seu redor. O menino em questão vê o pai que retorna à casa dos familiares, junta com a sua mãe, para resolver questões sobre a morte do avô. É então que o único cenário, o interno da casa, se sustenta em verbos e colocações sobre luto, carência, afetos e rancores familiares vem à tona em cenas de intensas brigas entre quatro paredes.
A narrativa flui tal qual um modo-teatral já que não há interrupções, assim os personagens criam suas ações durante os 84 minutos de projeção. Há momentos em que a câmera enquadra as interações dos personagens; outros os diálogos se mesclam aos planos sem foco e em outros parece flutuar entre cenários como forma de também tornar a história mais detalhada - como a tomada em que a câmera percorre os quadros dos familiares nas paredes da sala. Codeço cria um cinema naturalista com propriedade.