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Durante o período Heian, mil anos atrás, um misterioso arco-íris branco cobre o céu de Kyoto e diversas calamidades começam a acontecer. Preocupado com as desgraças que se abatem sobre seu povo, um imperador pede ajuda a um astrônomo para que decifre um antigo documento chinês que guarda, possivelmente, o segredo de tantas tragédias. Neste filme, Tomu Uchida realiza um experimento cinematográfico notável reunindo animação, teatro kabuki, dança butô e uma fábula do imaginário popular japonês. Saudado pela revista britânica Sight and sound, uma das mais prestigiosas publicações sobre cinema do mundo, Estranho amor é uma das obras-primas do cinema moderno japonês. Por seus méritos, o filme ganhou sessões especiais no Festival de Berlim de 2005.
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É sempre gratificante descobrir uma obra tão especial como essa. A inclusão dos elementos do teatro Kabuki foi brilhante, e o modo como utilizaram o movimento dos cenários, em vez de movimentar a câmera em certas cenas, foi bem legal de ver.
Filme que me surpreendeu positivamente, quebrando algumas expectativas (é bom não ler muito sobre ele). O roteiro, episódico, conta histórias sobre as desventuras daqueles que amam a partir de um personagem central, Abe no Yasuna, interpretado por Hashizô Ôkawa, e três personagens femininas interpretadas por um mesma atriz, Michiko Saga. A estrutura faz muito uso de esteticismo teatral, até mesmo nos efeitos visuais: em uma cena, por exemplo, borboletas voam sem que o filme não esconda que são apenas fantoches guiados por linhas visíveis ao espectador; e com o avanço da história essa estrutura teatral fica cada vez mais explícita. O filme traz como personagens figuras reais da história japonesa, mas que com o tempo foram assimiladas no folclore e mitologia, servindo como fonte para peças do teatro kabuki. Abe no Seimei, filho de Yasuna, que no filme aparece apenas como um boneco figurativo (novamente o recurso teatral), é personagem recorrente de muitos filmes, livros e mangás no Japão (é, por exemplo, um dos personagens do mangá "Nura - A Ascensão do Clã das Sombras", editado aqui no Brasil pela editora JBC). A estrutura, entretanto, não é propriamente de um teatro filmado, pois a linguagem é cinematográfica, mas faz uma homenagem e uma mescla de estilos muito bela e inteligente.