O corpo de Philip Michel Santore (Yves Montand), um colaborador dos regimes militares na América do Sul, é encontrado em um carro. Deste momento em diante o filme é narrado em flashback, mostrando os Tupamaros decididos a capturar Santore, que se dedicou a ensinar e difundir a tortura nos órgãos militares.
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Cinema denúnca e extremamente político, especialidade do diretor Costa Gravas. Aqui relata sobre intervenção dos EUA na América Latina e apoio a regimes autoritários durante todas as repressões e ditaduras ocorridas aqui na América do Sul. Uma coisa que me incomodou no filme, foi que se passa no Uruguai, tem o Brasil sendo citado também, mas o filme todo é falado em Francês, tirando toda nossa localização e apreço ainda mais ao filme.
O filme foca em Philip Michael Santore, um funcionário americano que trabalha para uma organização de ajuda internacional. Na realidade, ele é um agente infiltrado colaborando com o governo dos Estados Unidos na luta contra movimentos revolucionários na América Latina. No Uruguai, é sequestrado pelo Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros, guerrilheiros marxistas. E obrigado a falar para os guerrilheiros as verdades sobre as operações americanas no solo latino.
O filme com uma narrativa que coloca o dedo na ferida, tem cenas chocantes. Porém, algumas partes são bem lentas, parecendo até documentário. Mas, é um filme poderoso e deve ser motivos de estudos. A narrativa deste filme me relembrou muito "Que Isso, Companheiro" do Bruno Barreto. O filme brasileiro é mais dinâmico e tem uma melhor sessão para o telespectador.
O maior mérito do Costa-Gavras aqui é deixar claro o erro de percepção de uma informação inicialmente superficial: da desconfiança que o grupo matou o “funcionário americano inocente com esposa e sete filhos”, ao conhecimento dos métodos, do que fazia o americano e do que aconteceu até a morte.
Gravas em seu melhor momento.Outro filme político totalmente atual,meio que uma continuação direta daquilo que foi visto em "Z".
Me impressiona que regimes ditatoriais contem com algum apoio popular e que os que lutam contra os usurpadores são chamados de terroristas, quando, na verdade, doam sua vida (quase sempre com um destino triste e violento) para combater a nojeira militar e as afrontas à liberdade. Exemplos no Brasil são Lamarca, Mariguela, Mariele e outros do passado e do presente. Esse filme ressoa com a época atual, em que vemos 30% da população brasileira alinhada com ideais autoritários, fundamentalistas religiosos, ignorantes, anticulturais, revisionistas e, sobretudo, predatórios, em que querem jogar por terra as conquistas de civilidade que eles veem como sinal de fraqueza moral. Mas o fato é que os fascistas sempre são lembrados como a vergonha e terão seu lugar sempre reservado no esgoto da história.
Em um Uruguai fictício da década de 70 em que as pessoas falam francês, o sequestro de um burocrata norte-americano é a faísca que faltava para completar um processo que começou com a chegada dos conservadores ao poder (incentivado, naturalmente, pelas forças ianques). Em "Estado de Sítio", Costa Gavras mapeia a semente da situação política ditatorial de um país em seus primeiros passos (os espaços vazios no parlamento que vão aumentando no decorrer do tempo em que a obra se passa, surge como a contagem regressiva para o fim da democracia). E o faz de forma tão densa e detalhada, que 'État de Siege' não é o tipo de filme em que o espectador consegue absorver tudo de uma única sentada. Por outro lado, esse excesso de riqueza também atrapalha um pouco a experiência, já que o longa parece ser muito mais literatura do que cinema. O excesso de diálogos (ainda que bem escritos e reflexos de angústias políticas contundentes), retira um pouco o ritmo da projeção, e seus personagens perdem profundidade à medida que se aproximam demais de serem apenas arquétipos: 'o fascista', 'o guerrilheiro', 'o burocrata', etc. Ao final, aquela sensação pessimista de se estar lutando contra uma hidra. Tal como o monstro da mitologia grega, ao cortar uma cabeça outra simplesmente surge no lugar.