Centra-se nos acontecimentos reais de Nevenka Fernández, uma jovem na Espanha dos anos 1990 que corajosamente denunciou o assédio sexual por parte de seu empregador. A sua tenacidade foi pioneira na luta contra a má conduta no local de trabalho no seu país.
Primeira mulher espanhola a ganhar uma causa contra assédio sexual!
Sou apaixonado por esta diretora e sabia que, aqui, testemunharia uma abordagem cinematográfica mais convencional, em razão da urgência de seu tema. Sendo a realizadora uma feminista orgânica, ela evita - por muito tempo - o maniqueísmo de gênero, ainda que o vilão interpretado por Urko Olazábal chegue a ser caricato - o que, lamentavelmente, surge como componente verossímil, jpa que o machismo estrutural da sociedade permite que figuras hediondas como esta possas se manifestar de maneira tão exageradamente malévola e "carismática" (aspas imensas). A entrega da protagonista à personagem real é muito boa, sobretudo na primeira metade do filme, quando a abordagem é um tanto ambígua em relação a como ela deixa-se imergir naquele entremeio de corrupção e mentiras. Quando o tom "filme de tribunal" é adotado, vem consigo a música xaroposa de fundo, tão onipresente quanto redundante, o que afeta a nossa adesão - não obstante, claro, torcermos para a denúncia seja bem-sucedida (se não o fosse, na realidade, sequer este filme teríamos). Se, em determinado instante, incomodei-me negativamente com a conversa entre advogado e o namorado da vítima, por ser um enquadramento que exclui a protagonista (mostrada no reflexo vítreo de um restaurante), surpreendi-me com algo que acontece logo em seguida, um plano circular, em que a vítima encara o algoz, mas este a evita, encarcerado em sua própria culpa indisfarçada. Mesmo mediano, mais uma comprovação da competência da diretora na lida com temas espinhosos. Sou fã, reitero: na sessão em que eu estava, as reações eram altissonantes, entusiasmadas. É um filme que mexe conosco - e dói! (WPC>)