Escalado para o papel de Othello, ator começa a perder a noção de realidade. Obcecado pelo personagem que interpreta, ele mistura ficção e realidade e começa a achar que sua ex-esposa, que interpreta Desdêmona, o trai e planeja uma vingança shakespeareana.
Prende.
Curiosamente, "Fatalidade" tem um roteiro em que o seu núcleo lembra "Cisne Negro" de 2010. Ambas histórias tem seus protagonistas envolvidos no universo teatral (um com uma peça e outra com uma apresentação de balé) e, ao criarem a personalidade obscura de seus personagens acabam absorvendo essa retratação de tal maneira que o lado mal dos seres ficcionais acabam atravessando os palcos e entrando na vida pessoal de cada um.
Até o final, onde os dois acabam eles próprios se ferindo, são parecidos.
A diferença é que Nina de "Cisne Negro" acaba vendo o delírio se transformar num perigo para ela mesma, enquanto as alucinações de Anthony de "Fatalidade" colocam em risco a vida das pessoas ao seu redor. Isso sem contar o fato de que Anthony ser temperamental e ter a fama de entrar tanto na atuação que volta e meia carrega aquilo para fora do teatro.
O filme começa mostrando os bastidores de uma peça teatral, onde vamos acompanhando o seu processo de execução, onde sequência de "Othello" são vistas na tela, o que dá dinamismo e a percepção da qualidade interpretativa do seu elenco. Nos seus entrechos, temos em grande parte a conflituosa relação de Anthony e Brita, com ele demonstrando o seu perfil difícil, e uma curta e discreta referência ao envolvimento de Anthony com Pat, que apesar de ter pouco espaço, terá fundamental contribuição para a cerne da trama.
No decorrer do tempo, a índole maldosa do personagem Othello vai se apossando de Anthony, o levando a transtornos que farão sua mente misturar ficção e realidade.
O estilo Noir é muito bem construindo! Jogo de sombras, enquadramentos diferenciados e a costura do enredo deixam a obra num clima de suspense sutil, mas com uma interessante formação.
E não tem como não falar da atuação de Ronald Colman, incrível! Dando toda a densidade do personagem e entregando as suas nuances de maneira excelente. O Oscar de "Melhor Ator" foi mais do que merecido, com todas as honras!
Um senão aqui e acolá para algumas soluções de situações, mas nada de muito grave que afete a sua boa conclusão. Vale a conferida!
O filme demora a engatar, no início eu nem tava entendendo muita coisa. Só na segunda metade que fica interessante.
A Double Life demora demais para desenvolver seu roteiro, nos trazendo muitas cenas repetitivas e que se tornam facilmente cansativas. O diretor esquece de uma característica importante neste gênero: O suspense. A ausência disso, dificulta que consigamos ficar intrigados com historia durante o enredo.
Um filme mediano, com boa atuação de Ronald Colman.
Nossa, que filme chato... parecia uma eternidade pra terminar. Me perdoem fãs de Otelo, mas apesar de Colman ser um bom ator, não consegue salvar o filme de ser um mumbojumbo shakesperiano sem fim. O cerne do filme é explicado poeticamente (e didaticamente) pelo protagonista como se o público não estivesse entendendo o que está se passando. O clima noir só consegue ser sentido lá pela terceira parte do filme e seu final é previsível,
principalmente quando é jogado um interesse amoroso pra Brita