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Realizado em 1964 por Alain Schneider, sob a supervisão estreita de Beckett, a curta-metragem muda “Film” tem como protagonista um Buster Keaton envelhecido, cujo personagem fantasmagórico procura subtrair-se a todos os olhares. O argumento de Beckett explora uma das teses principais do filósofo irlandês George Berkeley (1685-1753), o “esse est percipi” (“ser é ser percepcionado”).
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Revi este filme numa péssima cópia, a propósito de uma aula deleuzeana e, caramba, como o filme cresce quando revisto em grupo! Incrível o quanto o roteirista Samuel Beckett foi audacioso ao conter o espevitado Buster Keaton desse jeito (risos). Puro testemunho sobre as variações da imagem-movimento. Muito bom! (WPC>)
Um curta sem áudio, apenas um uma onomatopeia. Totalmente visual. E Buster Keaton sempre foi um artista que valorizou muito a comédia visual. Samuel Beckett escolheu muito bem. Fora que estamos conhecendo um Buster Keaton fora do seu lado cômico, lado palhaço, longe das gags. Estamos vendo Buster Keaton como um artista pleno e completo.
Filme minimalista, simples e intrigante, mas cheio de mensagens. Intrigante.
Vi este filme por acaso, sem programação, sem saber quase nada sobre ele, num sábado, a fim de ilustrar um capítulo deleuzeano que lia entre amigos... De repente, me deparo com uma comédia filosófico-metalingüística que transforma em situação cotidiana um questionamento cotidiano, tão genial quanto sutil... Fiquei impressionado ao final da sessão (não somente eu, aliás). Buster Keaton, absolutamente genial, como sempre! (WPC>)
Uma realidade sensível, transparente, ou melhor, "superexposta", se seguirmos com Paul Virilio, que nos fala do mundo sem antípodas, sem faces ocultas; e ainda: realidade bombardeada de signos, se lembrarmos da semiótica. Do regime das imagens, circulantes e em movimento -- lição antonioniana de Blow-Up (1966) -- o argumento de Beckett me fez lembrar de uma frase antológica do filme "O sangue de um poeta" (1930), de Jean Cocteau (outro que perseguiu espelhos), que diz: “os espelhos deveriam pensar mais antes de refletir as imagens”. Duro espelho, como diz um poema do Ivan Junqueira. Não há como cobrir, fugir. Somos. Somos aí, no mundo. Ser-no-mundo, como pensará Heidegger. Frente aos outros, aos olhos, espelhos. Janelas. Portas.
Genial curta. Genial Beckett.
Foda, muito bom!