O Barão Frankenstein (Udo Kier) é casado com a própria irmã (Monique Van Vooren). Seu grande projeto científico é criar um homem e uma mulher perfeitos e, para isso deve selecionar os corpos que servirão para sua experiência. Finalmente ele encontra o casal que procurava, mas os jovens ainda não estão mortos. Ainda...
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Quando Mary Shelley prefaciou a edição de 1831 de "Frankenstein", ela descreveu:
Eu vi — com os olhos fechados, mas claríssima, a visão de minha imaginação — eu vi o pálido estudante de ciências ocultas de joelhos ao lado da coisa que construíra. Vi o espectro terrível de um homem estirado, que então, ao pôr-se em ação uma poderosa máquina, mostra sinais de vida, e se agita em movimentos difíceis, só parcialmente vivos. [...] O artista ficaria aterrorizado com seu sucesso; e se precipitaria para longe de sua odiosa proeza, tomado pelo horror.
A visão aterrorizou Shelley, ao ponto dela acreditar que os leitores também iriam experimentar do mesmo sentimento. Daí surgiu o romance e... o resto você já sabe. Desde 1910, a obra da autora ganhou várias adaptações no cinema; algumas mais notáveis, e outras nem tanto.
De todo modo, a longevidade do romance de Shelley é incrível e impulsionou releituras curiosas. É o caso de “Carne Para Frankenstein”, filme nada convencional que resultou da parceria de Paul Morrissey, Antonio Margheriti e Pat Hackett. Trata-se de uma obra bastante camp em sua estética, com inclinações para a paródia e o sexploitation.
Para apreciar bem esse espetáculo de nudez, atuações over e diálogos risíveis, é preciso abraçar o anacronismo sem preconceitos. Não que esse olhar vá tornar o filme um produto artístico irretocável, longe disso. É um filme que cambaleia entre o mediano e o ruim. Só que por trás do seu véu de tosquice, há algo de intencionalmente político – até mesmo no comportamento hiper sexualizado de seus personagens.
Fica muito óbvio que o incestuoso barão von Frankenstein é um adepto da crença na raça pura. Ele quer um nariz perfeito para a sua criatura; um nariz que represente todos os “valores puros” – quanta bobagem. Udo Kier entendeu bem o ridículo do seu personagem, de maneira que a sua composição é carregada de maneirismos que provocam riso e asco.
Aliás, o roteiro, se é que há algum, focaliza o criador ao invés da criatura – nesse caso, um ser que surge a partir da costura de dois cadáveres retalhados.
De algum modo, Morrissey realiza uma abordagem que respeita a essência do material original. Não foi exatamente Shelley que criou a tradição de atacar as convenções sociais por meio do bizarro, mas é inegável que ela é um marco.
Embora, legatário dessa tradição, o “afilhado” do Warhol também eram movido por um impulso exibicionista; precisava mostrar a “arma” de Joe Dallesandro para o público. Anos 70 etc.
Um bagaceira erótica com sangue de tinta guache, que tem o seu charme.
Uma versão mais erótica, doentia e sanguinolenta da história do monstro, a bizarrice da trama já começa pelo Dr. Frankenstein que é casado com a propria irmã e ainda curte uma necrofilia, o personagem principal é obstinado pela criação da "criatura perfeita"...
A fita tem muitos efeitos artesanais, o sangue parece tinta guache, existe uma clara precariedade na produção, mas ela não incomoda muito...
O Udo Kier faz um Dr. Frankenstein histriônico e com sérios problemas psiquiátricos!
As atuações são exageradas na melhor forma possível. O que me impressionou foi o teor da violência, embora também exagerada, ela é filmada de uma forma bem gráfica e realista, sendo até desconfortável em certos momentos. Adorei, recomendo.
Obs: O dvd da darkside collection tá maravilhoso, já merecia uma nota alta só pela embalagem.
História muito louca... gostei demais do filme.