Set in Kawaguchi, just north of Tokyo in the early 60s, this simple story chronicles the lives of poor foundry workers and their families, and one girl's dreams of self-improvement through.
Conhecem Ashita no Joe, ou pelo menos assistiram ao primeiro episódio? A série começa com o Joe caminhando, com Tóquio atrás dele, atravessando uma ponte e chegando em uma área mais pobre, uma favela aos arredores da cidade. Foundry Town se passa em um cenário semelhante. Começa narrando que naquela época Tóquio já era a maior cidade do mundo, mas a poucos minutos de distância, bastava cruzar uma ponte para chegar em um cenário não tão brilhante, no caso Kawaguchi em Saitama. O filme tem muitas cenas nas margens ou perto do rio Arakawa, frequentemente mostrando a ponte que cruza o rio e leva para Tóquio. A protagonista do filme, a estudante do ginasial Jun, se senta ao lado da janela perto do rio e de lá nós e ela temos uma visão privilegiada da ponte e do movimento de carros indo e vindo.
https://i.imgur.com/FtpA06P.jpg
Pouco depois de assistir a esse filme eu me lembrei de outros como e principalmente Vinte e Quatro Olhos do Kinoshita. Os dramas são semelhantes, jovens e suas dificuldades em construir um futuro melhor para eles. Sinto como se Foundry Town fosse uma continuação de Vinte e Quatro Olhos. O outro é da década passada, 1954 e se passa na década de 1940 apesar de isso não fazer diferença porque a década seguinte foi também bastante dura. Até então se aqueles jovens iriam alcançar seus objetivos, conseguir uma vida melhor, ou até mesmo sobreviver, parecia mais uma questão de sorte. Todos eles se esforçavam e faziam o que podiam, pessoas ajudavam como podiam, mas na maioria dos casos não havia jeito. Era se contentar com pouco e nada, não havia "esperança". Já em Foundry Town há esperança, se fala explicitamente disso. "Não desanime, não desista, acredite, irá melhorar". No início da década de 1960 a situação do Japão estava melhorando muito, mesmo que não por igual, mesmo que ainda houvesse locais e populações marginalizadas havia a "esperança" de que logo tempos melhores viriam, e principalmente, diferente dos jovens de Vinte e Quatro Olhos os jovens de Foundry Town já contam com alternativas. A Jun já é uma jovem japonesa de uma geração diferente daquela dos pais, que não está presa as tradições e mentalidades retrógradas do passado como o pai, que causa muitos problemas para a família. A Jun é uma jovem que já está disposta a abandonar a família por um futuro melhor para ela caso a família insista em sabotá-la. Seu irmão mais novo é independente e também já não tem respeito e tolerância pelos defeitos do pai. E os dois podem se dar a esse luxo de serem desrespeitosos com os pais porque há para onde eles correrem, há alternativas para eles construírem um futuro melhor para eles através do trabalho e estudo. Caramba, são novos tempos até para o pai deles. Um filme como esses dramas passado na década anterior acabaria com um sentimento muito diferente.
Outro filme que me lembro e que serve de exemplo para essa impressão que eu tive é "Uma Cidade de Amor e de Esperança" (Ai to kibo no machi) do Nagisa Oshima. Ele também possui um protagonista lidando com o problema querer estudar e não poder por ter que trabalhar. Começam a aparecer alternativas, melhorias, na sociedade que podem permitir a ele superar esse impasse, só que esse filme é de 1959, então ainda há bastante otimismo e crítica sobre algo que a Jun de Foundry Town diz em um momento. Eles são pobres porque pessoas inferiores, mais fracas, miseráveis, desonestas? Ou eles se tornam assim porque são pobres? Por só pensarem no hoje e agora que eles são pobres, ou eles só pensam no hoje e agora porque são pobres e tem que sobreviver cada dia? O protagonista do filme do Oshima fez tudo o que pôde mas no fim teve oportunidades recusadas por não ter sido um cidadão 100% honesto e limpo, e aquele filme fazia no final uma dura crítica para as camadas da sociedade que poderiam fazer algo e ajudar a mudar essa situação e acabavam piorando o problema, mantendo pessoas na pobreza e cada vez mais revoltadas com sua impossibilidade de ascensão social. É possível traçar uma clara progressão entre esses três filmes.
https://i.imgur.com/ifu8TG0.jpg
Agora falando um pouco sobre outras coisas, esses filmes dificilmente são "perfeitos", são raras as exceções onde os filmes são filmados de forma redondinha como por exemplo um filme do Naruse como o "Quando a Mulher Sobe a Escada" de 1960. O ritmo e edição das cenas no início poderia ser um pouco melhor, leva um tempinho para o filme engrenar, não é algo que valha a pena comentar mas fica registrado mesmo assim. Estou pensando em rever esse filme (possui uma hora e quarenta minutos) porque ele deve ficar melhor e mais bonito agora que entendo melhor do que ele trata. A fotografia, depois que paro para pensar, não tenta apenas ser bonita em alguns momentos, ela tenta mais é ser tematicamente coerente. Há muitas imagens de ponte, pontes ao fundo dos cenários, perseguindo os personagens, personagens cruzando pontes. Cenas onde personagens trocam sorrisos enquanto conversam e esses sorrisos somem assim que viram o rosto. Realmente, é um bom filme.
Faço bem em tentar assistir a todos esses filmes na sua ordem de exibição, sempre o mais antigo. Senão não teria visto tão bem essas relações entre eles. Esse diretor fez poucos filmes, e tenho outro dele aqui já pronto que ele fez no ano seguinte e parece ser sobre uma jovem que "se perdeu" na vida. Será uma continuação ou visão alternativa do diálogo daqui? Veremos.
COMENTÁRIO COMPLETO ACIMA: Esse filme me fez ter um pensamento... Fiquei pensando se ele poderia ser visto como um filme que dá seguimento a Vinte e Quatro Olhos do Kinoshita (e outros filmes semelhantes como aquele).
O filme do Kinoshita apresenta dramas semelhantes aos deste filme do Urayama, jovens pobres que não tem condições de continuar estudando, e a diferença que sinto é que pelo filme do Kinoshita ser da década anterior ele possuiu menos esperança.
Tudo bem, o filme do Kinoshita se passa na década de 1940 mas não faz assim tanta diferença, acho. Nesse filme do Urayama apesar de haver bastante pobreza, pais presos no passado, a situação econômica do Japão estava melhorando e oportunidades estavam surgindo, oportunidades para jovens de uma nova geração, com um outro pensamento, mais dispostos a se desprender de suas famílias pelo seu próprio bem e futuro. Por mais que as personagens desse filme passem por dificuldades, há esperança, já saídas. Nem todos irão ter sucesso, mas pelo menos não é mais como era antigamente aonde eles estavam a mercê da sorte. No filme do Kinoshita não importava o quanto os jovens se esforçassem tudo dependida de um raro caso de sorte, a grande maioria dos jovens daquele filme não tiveram o futuro que gostariam e tentaram alcançar, muitos até morreram.
A primeira vista esses filmes podem parecer muito parecidos, mas eles possuem diferenças sutis muito fundamentais. É sempre interessante ver como a sociedade mudava tão rápido naquela época.
Conhecem Ashita no Joe, ou pelo menos assistiram ao primeiro episódio?
A série começa com o Joe caminhando, com Tóquio atrás dele, atravessando uma ponte e chegando em uma área mais pobre, uma favela aos arredores da cidade.
Foundry Town se passa em um cenário semelhante.
Começa narrando que naquela época Tóquio já era a maior cidade do mundo, mas a poucos minutos de distância, bastava cruzar uma ponte para chegar em um cenário não tão brilhante, no caso Kawaguchi em Saitama. O filme tem muitas cenas nas margens ou perto do rio Arakawa, frequentemente mostrando a ponte que cruza o rio e leva para Tóquio. A protagonista do filme, a estudante do ginasial Jun, se senta ao lado da janela perto do rio e de lá nós e ela temos uma visão privilegiada da ponte e do movimento de carros indo e vindo.
https://i.imgur.com/FtpA06P.jpg
Pouco depois de assistir a esse filme eu me lembrei de outros como e principalmente Vinte e Quatro Olhos do Kinoshita. Os dramas são semelhantes, jovens e suas dificuldades em construir um futuro melhor para eles. Sinto como se Foundry Town fosse uma continuação de Vinte e Quatro Olhos.
O outro é da década passada, 1954 e se passa na década de 1940 apesar de isso não fazer diferença porque a década seguinte foi também bastante dura. Até então se aqueles jovens iriam alcançar seus objetivos, conseguir uma vida melhor, ou até mesmo sobreviver, parecia mais uma questão de sorte. Todos eles se esforçavam e faziam o que podiam, pessoas ajudavam como podiam, mas na maioria dos casos não havia jeito. Era se contentar com pouco e nada, não havia "esperança". Já em Foundry Town há esperança, se fala explicitamente disso. "Não desanime, não desista, acredite, irá melhorar". No início da década de 1960 a situação do Japão estava melhorando muito, mesmo que não por igual, mesmo que ainda houvesse locais e populações marginalizadas havia a "esperança" de que logo tempos melhores viriam, e principalmente, diferente dos jovens de Vinte e Quatro Olhos os jovens de Foundry Town já contam com alternativas.
A Jun já é uma jovem japonesa de uma geração diferente daquela dos pais, que não está presa as tradições e mentalidades retrógradas do passado como o pai, que causa muitos problemas para a família. A Jun é uma jovem que já está disposta a abandonar a família por um futuro melhor para ela caso a família insista em sabotá-la. Seu irmão mais novo é independente e também já não tem respeito e tolerância pelos defeitos do pai. E os dois podem se dar a esse luxo de serem desrespeitosos com os pais porque há para onde eles correrem, há alternativas para eles construírem um futuro melhor para eles através do trabalho e estudo. Caramba, são novos tempos até para o pai deles. Um filme como esses dramas passado na década anterior acabaria com um sentimento muito diferente.
https://i.imgur.com/IuEM2kt.jpg
https://i.imgur.com/fUP0zHc.jpg
https://i.imgur.com/vRRNiHp.jpg
https://i.imgur.com/feLp3yl.jpg
Outro filme que me lembro e que serve de exemplo para essa impressão que eu tive é "Uma Cidade de Amor e de Esperança" (Ai to kibo no machi) do Nagisa Oshima.
Ele também possui um protagonista lidando com o problema querer estudar e não poder por ter que trabalhar. Começam a aparecer alternativas, melhorias, na sociedade que podem permitir a ele superar esse impasse, só que esse filme é de 1959, então ainda há bastante otimismo e crítica sobre algo que a Jun de Foundry Town diz em um momento. Eles são pobres porque pessoas inferiores, mais fracas, miseráveis, desonestas? Ou eles se tornam assim porque são pobres? Por só pensarem no hoje e agora que eles são pobres, ou eles só pensam no hoje e agora porque são pobres e tem que sobreviver cada dia? O protagonista do filme do Oshima fez tudo o que pôde mas no fim teve oportunidades recusadas por não ter sido um cidadão 100% honesto e limpo, e aquele filme fazia no final uma dura crítica para as camadas da sociedade que poderiam fazer algo e ajudar a mudar essa situação e acabavam piorando o problema, mantendo pessoas na pobreza e cada vez mais revoltadas com sua impossibilidade de ascensão social. É possível traçar uma clara progressão entre esses três filmes.
https://i.imgur.com/ifu8TG0.jpg
Agora falando um pouco sobre outras coisas, esses filmes dificilmente são "perfeitos", são raras as exceções onde os filmes são filmados de forma redondinha como por exemplo um filme do Naruse como o "Quando a Mulher Sobe a Escada" de 1960. O ritmo e edição das cenas no início poderia ser um pouco melhor, leva um tempinho para o filme engrenar, não é algo que valha a pena comentar mas fica registrado mesmo assim.
Estou pensando em rever esse filme (possui uma hora e quarenta minutos) porque ele deve ficar melhor e mais bonito agora que entendo melhor do que ele trata. A fotografia, depois que paro para pensar, não tenta apenas ser bonita em alguns momentos, ela tenta mais é ser tematicamente coerente. Há muitas imagens de ponte, pontes ao fundo dos cenários, perseguindo os personagens, personagens cruzando pontes. Cenas onde personagens trocam sorrisos enquanto conversam e esses sorrisos somem assim que viram o rosto.
Realmente, é um bom filme.
https://i.imgur.com/DyEZQGA.jpg
https://i.imgur.com/5JKUSqd.jpg
Faço bem em tentar assistir a todos esses filmes na sua ordem de exibição, sempre o mais antigo.
Senão não teria visto tão bem essas relações entre eles.
Esse diretor fez poucos filmes, e tenho outro dele aqui já pronto que ele fez no ano seguinte e parece ser sobre uma jovem que "se perdeu" na vida. Será uma continuação ou visão alternativa do diálogo daqui? Veremos.
COMENTÁRIO COMPLETO ACIMA:
Esse filme me fez ter um pensamento...
Fiquei pensando se ele poderia ser visto como um filme que dá seguimento a Vinte e Quatro Olhos do Kinoshita (e outros filmes semelhantes como aquele).
O filme do Kinoshita apresenta dramas semelhantes aos deste filme do Urayama, jovens pobres que não tem condições de continuar estudando, e a diferença que sinto é que pelo filme do Kinoshita ser da década anterior ele possuiu menos esperança.
Tudo bem, o filme do Kinoshita se passa na década de 1940 mas não faz assim tanta diferença, acho. Nesse filme do Urayama apesar de haver bastante pobreza, pais presos no passado, a situação econômica do Japão estava melhorando e oportunidades estavam surgindo, oportunidades para jovens de uma nova geração, com um outro pensamento, mais dispostos a se desprender de suas famílias pelo seu próprio bem e futuro. Por mais que as personagens desse filme passem por dificuldades, há esperança, já saídas. Nem todos irão ter sucesso, mas pelo menos não é mais como era antigamente aonde eles estavam a mercê da sorte. No filme do Kinoshita não importava o quanto os jovens se esforçassem tudo dependida de um raro caso de sorte, a grande maioria dos jovens daquele filme não tiveram o futuro que gostariam e tentaram alcançar, muitos até morreram.
A primeira vista esses filmes podem parecer muito parecidos, mas eles possuem diferenças sutis muito fundamentais.
É sempre interessante ver como a sociedade mudava tão rápido naquela época.