Okuto Nakamura é um estudante tímido e de aparência sombria que preza apenas duas coisas neste mundo: seu polvo de estimação e seu colega de classe de bom coração, Aiki Hirose. Desde a cerimônia de entrada na escola, Nakamura admira seu jovial colega de classe, embora à distância devido às suas poucas habilidades sociais. Depois de reunir toda a coragem dentro de si, ele finalmente decide falar com Hirose.
Nessa primeira tentativa de contato, um erro instintivo transforma a ideia de amizade em um sonho distante, pois cria uma impressão hilária em sua paixão. Na escola, espera-se que os alunos cooperem juntos em inúmeras atividades, o que significa que Nakamura passa mais tempo com Hirose. Dadas essas oportunidades, ele conseguirá se redimir e cumprir seu objetivo de se tornar um bom amigo de Hirose? Baseado no mangá ''Ganbare! Nakamura-kun!!'' de Syundei.
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O anime é ok, com um humor peculiar e uma história cômica. Tem alguns furos de roteiro, mas eles não afetam a experiência geral.
Gostei bastante! É bem engraçado, e a história flui de um jeito leve e divertido.
Em 2001, quando eu tinha 13 anos, um garoto mais velho tentou me afogar durante uma aula de natação ao me flagrar olhando para um cara. Fui salvo pelo professor. O menino foi expulso, mas as cicatrizes psicológicas desse evento estão comigo até hoje, 25 anos depois. Some isso às muitas outras violências que sofri como adolescente gay no começo dos anos 2000 e você terá um vislumbre das marcas físicas e emocionais que carrego. Por isso, enquanto eu assistia a "Força, Nakamura-kun", a todo momento eu pensava em como é incrível ter vivido para ver um anime destinado ao público juvenil tratar de um romance gay de forma tão aberta. E isso me emocionou.
Eu poderia falar sobre a localização da dublagem do anime — expressões como "Não me empurra que eu já tô na beira!", "Ataque de pelanca", "Força na peruca!" e "Verás que um filho teu não foge à luta" me fizeram rolar de rir. Poderia falar sobre a curva de amadurecimento dos personagens — o penúltimo episódio é um tapa na cara. Poderia falar sobre o final que coroa esse crescimento com algo que eu frequentemente abordo nos meus personagens: deixar alguém partir é o maior ato de amor que você pode oferecer a essa pessoa.
Mas eu quero falar sobre verossimilhança.
Vi muitas críticas alegando que o anime é "mais uma narrativa de um cara gay babando por um cara hétero". Aqui, quero retomar uma provocação que fiz na resenha sobre o filme ‘Close’ (2022): será que Nakamura está de fato atrás de um "cara hétero" ou somos nós, munidos de nossos estereótipos e preconceitos, que prejulgamos que a configuração seja essa? Não há indícios de que Hiroshi seja hétero. Muita gente interpreta a ausência de uma declaração explícita de sexualidade como confirmação de heterossexualidade.
Eu mesmo tive duas namoradas e, entre uma relação e outra, um namorado. Nem por isso me considero bissexual. Sou gay. Entende a questão?
Creio que o mais bonito que vi em "Força, Nakamura-kun!" foi essa possibilidade de ver as nuances da sexualidade. Eu sempre insisto: somos 8 bilhões de pessoas no mundo, portanto, há 8 bilhões de maneiras de experimentar a sexualidade. Nakamura é incrível porque já no primeiro episódio ele bate no peito e diz "eu sou gay". Ponto final. O modo como ele ama e as pessoas por quem se interessa são aspectos que apenas reforçam a beleza de um anime que apresenta a sexualidade sem meias palavras. Isso é um diferencial.
Sim, estamos atolados de narrativas que trazem esse interesse de um cara gay por um cara hétero — e eu mesmo reclamo disso nas redes de escritores. Mas o detalhe da verossimilhança que mencionei envolve um ponto importante: Nakamura é um adolescente.
A meu ver, uma coisa é ter uma narrativa dessas, com um homem gay adulto que cai na esparrela de se interessar por um cara hétero. É óbvio que a experiência não imuniza ninguém contra uma paixão impossível, mas um adulto costuma ter mais repertório para reconhecer os riscos emocionais dessa situação. Contudo, um adolescente ainda está construindo esse repertório — especialmente um adolescente gay. Sendo assim (e lembrando da minha adolescência), Nakamura tende a se encantar primeiro pela aparência, depois pelo contato, até entender, ao final, o que de fato ele sente. Certas críticas, eu percebo, cobram do personagem uma maturidade emocional que a idade dele simplesmente não comporta!
Claro que uma narrativa de Boys Love insiste no romance, mas eu peço que você saia dessa primeira camada. Insisto: não é sobre o Hiroshi, é sobre o Nakamura. É sobre a grandeza de um anime que, apesar de tudo o que temos vivido, mostra a beleza de olhar no espelho, bater no peito e dizer: "Beleza, eu sou quem eu sou. E foda-se!" E, ao fazer isso, você entende que não precisa da correspondência do outro para validar quem você é.
Afinal, Nakamura encontrou essa força dentro de si.
Legalzinha
Anime de gay se humilhando por hétero. Isso já é uma questão na vida de tantos LGBTs sobre se apaixonar por meninos héteros e tudo o que vem junto com isso que não sei se o salto final foi tão atrativo.
Achei realmente que sairia alguma coisa, mas no fim é mais uma vez o Japão e as fujoshis fazendo o que sabem fazer de melhor, um belo bait pra saciar as idealizações delas.
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Ganbare é um anime divertidinho de acompanhar pq o Nakamura é muito agraçadinho, mas ainda estou pensando se é realmente isso ou se a dublagem em português com localização fez a diferença, pq ela foi realmente muito boa.
Compreendo algumas pessoas gostarem e não acho isso um problema, mas para mim, a incomodação está em uma narrativa fantasiosa e pouco empática de uma realidade LGBTQIAPN+ muito comum, a paixão por meninos héteros. No fim, a narrativa segue apenas como uma sequencia de humilhações de um homem gay e pouco se importa em compreender e desenvolver esses sentimentos e/ou essas situações.
Mesmo compreendendo que essa pode não ter sido a intenção da criadora, pouco importa, visto que ela decidiu lançar a obra e, a partir disso, cada telespectador e leitor tem abertura para vivenciar e sentir as coisas de forma diferente.
Nesse sentido, o problema não é a ausência de reciprocidade. O problema é que a paixão não correspondida do Nakamura existe mais como dispositivo cômico do que como experiência emocional. O Nakamura passa grande parte da narrativa idealizando um relacionamento, fracassando repetidas vezes e se colocando em situações constrangedoras, enquanto a história raramente discute o que significa emocionalmente estar preso a alguém que talvez nunca possa corresponder aos seus sentimentos.
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No fim, o anime parece não se importar tanto com uma história sobre um romance entre dois garotos, mas sobre a experiência de um garoto gay preso à fantasia de um romance que talvez nem exista.
E é aqui que vem minha principal crítica a falta de empatia na narrativa.
Não vejo problema em não existir um romance real, mas pela limitação dos sentimentos LGBTs como mero adereço narrativo que foca-se, geralmente, em comédia e/ou constrangimento e nunca em uma experiência de desenvolvimento real.
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Compreendo que nem toda obra precise ter significado e gerar desenvolvimento e evolução, mas a questão é, existem poucas referências em produções LGBTs e isso causa pouco acesso a desenvolvimento de uma comunidade sobre autoconhecimento e aceitação.
Além disso, é importante pontuar sobre a questão da finalização da obra. Na forma como está acontecendo e como parece que as pessoas assistem, a história precisa finalizar com os dois juntos, não por uma estrutura narrativa, mas como uma compensação do investimento emocional do leitor/telespectador durante os anos.
O problema não está em uma obra ser fantasiosa. O problema está em uma fantasia se tornar tão dominante que passa a ocupar o espaço de narrativas que poderiam explorar a mesma experiência com mais profundidade, complexidade e humanidade.
Porque se não existe complexidade narrativa, não existem muitos finais possíveis além do que foi idealizado durante toda a história. E Ganbare não apresenta um desenvolvimento e complexidade que justifiquem um final diferente do idealizado.
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Durante toda a narrativa você acaba acompanhando o sofrimento, a ansiedade e a expectativa do Nakamura, o que faz com que você espere que esse investimento produza uma recompensa, que aqui é vendida como o 'romance'.
Digo tudo isso porque no direcionamento que a história está tomando, o público não está sendo preparado para uma diversidade de finais, já que está sendo condicionado a esperar algo que parece óbvio na narrativa, o romance.
Nós vemos a narrativa apenas a partir da ótica do Nakamura, o que limita a complexidade da história e nos induz a seguir apenas a idealização do protagonista. Se a história passa quase todo o tempo prometendo romance, sem desenvolver muito mais além disso, o romance se torna a única resolução que a narrativa prepara o espectador.
Basicamente, na forma que a história está sendo contada, um final romântico seria a única recompensa capaz de sustentar tudo o que está sendo apresentado.
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Para aqueles que não irão gostar da minha análise, só reflitam sobre essa pergunta: se a história terminasse exatamente como terminou o episódio 12/13, sem os dois juntos, vocês considerariam esse um final satisfatório?
Se a resposta for não, por quê?
Minha questão não é defender que eles precisem ficar juntos, pelo contrário, o ponto é refletir se a narrativa construiu alternativas emocionalmente satisfatórias para além do romance ou se, durante toda a obra, condicionou o público a enxergar a união dos dois como a única recompensa possível.
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Nota: 7.5/10