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Na época da ditadura militar, na Argentina, um agente secreto da polícia (Félix) leva uma vida dupla: torturador de prisioneiros e um dedicado cidadão. Um dia, sua namorada (Maria), uma jovem professora e militante de esquerda, é presa e torturada num centro clandestino de detenção conhecido como Garage Olimpo. Mesmo estando apaixonado, ele não consegue salvá-la de seu destino fatal.
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Crueldade sistematizada, essência da humanidade.
A forma como o filme retrata a ditadura Argentina é cruel e necessário, para que essas histórias reais sejam contadas e mostradas aqueles que ainda hoje defendem a volta dos militares e suas práticas de torturas.
O filme poderia se chamar "Nos tempos da ditadura Argentina".
Um dos filmes que retrata governos e práticas fascistas da maneira mais dolorosa possível: no cotidiano. A tortura no dia a dia, como mais um trabalho.
Talvez o filme que tenha me causado um maior mal estar até hoje. E esse mal estar aumenta ao perceber que ele segue sendo absolutamente necessário. Trata-se de um capítulo que está longe de ter ficado para trás na história da humanidade, infelizmente.
Filme cru, denso e pesado como qualquer um dessa temática deve ser. Na trama, o que mais chama a atenção é a sistematização do esquema de tortura, e como tudo acontece bem embaixo do tapete da sala de estar da grande casa que é a Argentina e ninguém parece reparar (muitos, talvez a maioria por escolha própria). Os vários takes aéreos quase novelescos nos mostram mais ainda essa distância entre a viva cidade e os porões claustrofóbicos e mal iluminados. Falando nisso, as cores perdem a vida no subsolo, assim como as pessoas arrastadas para lá, e a montagem do filme deixa essa dicotomia bem clara com cortes de doer os olhos da escuridão e tons obscuros da tortura para as cores intensas e a claridade do cotidiano argentino.
É um daqueles filmes que leva a pensar que precisamos urgentemente de mais cinema autoral, já que dá gosto de ver como pequenas coisas, pequenas fugas do padrão hollywoodiano já conseguem deixar um longa muito mais interessante. Muito bom!