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Data de lançamento
31 Março 2017Duração
Num mundo pós 2029, cérebros se fundem facilmente a computadores e a tecnologia está em todos os lugares. Motoko Kusanagi, conhecida como Major, é uma ciborgue com experiência militar que comanda um esquadrão de elite especializado em combater crimes cibernéticos.
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Reassisti porque estou fazendo um vídeo "sobre" o filme, e eu reamente gosto e acho que terem colocado a Scarlett Johansson ajudou (sem querer rs) a mensagem de indentidade que o filme passa rs
PS: Tenho meu próprio filmow só apra obras japonesas, vem conhecer: https://dougelias.com/movie/a-vigilante-do-amanha-ghost-in-the-shell
"Ghost in the Shell" de Rupert Sanders é uma carcaça visual de luxo pra um cinema míope e americanizado, que não conhece o anime japonês clássico dos anos 90.
O perigo de Hollywood quando tenta adaptar uma obra-prima oriental é confundir a reprodução da estética com a compreensão da alma da obra. O anime original de 1995, dirigido por Mamoru Oshii, é um marco do cinema de animação raiz, carregando a herança direta do impacto revolucionário de Akira no fim dos anos 80. Era um futurismo rústico, sério, adulto e profundamente realista, ambientado numa Tóquio futurista marrom, cinzenta, chuvosa e claustrofóbica. Essa versão live-action entrega um belíssimo espetáculo visual colorido, com hologramas gigantescos, mas peca gravemente em seu conteúdo, transformando aquela atmosfera cyberpunk neo-noir numa visão artificial e higienizada para agradar ao grande público.
A escalação de Scarlett Johansson pra viver o papel da Major Motoko Kusanagi gerou uma polêmica imensa na época, mas o verdadeiro problema do filme vai muito além da troca de nacionalidade da protagonista. Johansson é, indiscutivelmente, uma das atrizes mais brilhantes e magnéticas de sua geração, e sua atuação genial é o que muitas vezes apaga a estranheza de um roteiro covarde. O erro fatal do longa não foi a escolha do elenco, mas sim a americanização do enredo. A história abriu mão de uma discussão filosófica profunda sobre a crise existencial da fusão entre homem e máquina para se apoiar no caminho fácil da jornada clichê de vingança e a busca pelo passada, diminuindo o peso psicológico que tornava o clássico dos anos 90 tão impactante.
Cenas icônicas, como o antologico salto da Major do topo do arranha-céu para iniciar uma ação policial, ganham uma roupagem visual impecável e um acabamento técnico espetacular. Porém, ao assistir à obra com o olhar de quem conhece o material original, fica evidente que falta a sujeira e a crueza suburbana daquela sociedade perdida. Essa mania da indústria ocidental de pasteurizar histórias densas, acende a luz vermelha e perigosa que ilumina a Disney com suas adaptações. Imagina tentar adaptar "Akira" limpando a violência brutal, a corrupção política e o peso apocalíptico da rivalidade entre Kaneda e Tetsuo?
No fim das contas, Ghost in the Shell é um filme bacana de se assistir pelas cores, pelos efeitos e pela presença de tela da belíssima Scarlett Johansson, mas a adaptação continua sendo um filme todo errado, que serve apenas como um vislumbre fascinante do que a tecnologia atual pode criar visualmente, ao mesmo tempo que se torna o exemplo perfeito de uma armadura colorida e luminososa, mas sem nenhuma alma dentro.
Estadunidenses deveriam ser proibidos de se aproximarem de obras japonesas.
Cyberpunk lindo, filosofia rala e Scarlett Johansson existencial.
Visualmente impressionante, mas superficial na adaptação dos temas profundos do anime original. Falta alma, sobra estética.
Tinha potencial pra ser pior