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Obviamente estamos falando de um filme acima da média, mas o grande trunfo dele é, sem dúvida, a direção e a atuação assombrosa de Inde Navarrette. (De fato, estou obcecado por ela rs.) E digo mais: boa parte da qualidade desse filme está nas costas dela. Uma atriz menos interessada ou talentosa faria o filme perder MUITO.
Agora, sendo bem sincero: eu já tinha visto praticamente todas as cenas marcantes em cortes na internet. Então, boa parte das “surpresas” já não era mais surpresa — até porque eu já conhecia as referências. A estética A24 está aqui, o jogo de luz e sombra de Kairo está aqui (e algumas cenas são quase indenticas rs), e existem momentos que parecem ter sido feitos sob medida para virar corte de 30 segundos e pipocar nas redes.
E funcionou. Não é à toa que os cortes viralizaram.
Mas é justamente aí que entra a direção.
Porque referência todo mundo tem. Hoje em dia, é só assistir meia dúzia de filmes e abrir o Letterboxd que você já sai dizendo que descobriu o cinema. O difícil é pegar todas essas referências, misturar sem virar uma colcha de retalhos e ainda conseguir criar uma identidade própria.
E o diretor consegue.
Ele pega tudo isso e transforma em algo "assustador", engraçado e estranho ao mesmo tempo — e, principalmente, consegue fazer essas três coisas sem parecer que o filme está desesperado para provar que é inteligente.
Filmaço, só não é o cinema 2.0 que estão falando por aí rs
O que dizer de um filme que começa com a frase: “Você já fez com o seu pai?” (sim, isso mesmo que você está pensando).
Temos aqui uma comédia obscura que provavelmente reúne todas as atrocidades que um ser humano pode cometer. Obviamente, temos também uma crítica à família, suas controvérsias, suas hipocrisias etc.
O que mais gosto no filme é a forma como ele foi filmado. Tudo é o mais simples e seco possível, como se nós fôssemos o “visitante”. Estamos ali, na maioria das vezes, apenas para observar.
Um filme interessante, que dá para ser analisado de várias formas... Eu diria que até tem um quê de religioso nele. Mas definitivamente não é um filme para qualquer um.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
Mulheres Comendo é um slice of life que usa a comida como uma divertida metáfora para falar de desejo, sexo e relacionamentos. Assim como não existe uma “melhor comida”, também não existe uma fórmula universal para uma relação perfeita. O que é o sonho de uma pode ser o pesadelo de outra... e vice versa.
O problema é que nem todas as histórias recebem o mesmo desenvolvimento. Algumas personagens têm transformações bem mais perceptíveis, enquanto outras parecem estar ali mais para completar esse mosaico de experiências. No fim, o filme funciona justamente como um recorte da vida de algumas mulheres: nem toda história precisa ter um grande desfecho, mas algumas poderiam ter sido melhor exploradas. Ainda assim, a ideia central é saborosa: talvez a felicidade não esteja em encontrar o melhor prato ou o melhor parceiro, mas em descobrir aquilo que você realmente quer comer (aí você escolho de que tipo de comida estou falando rs).
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