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Data de lançamento
1 Set. 2019Duração
Ao fazer um documentário sobre o golpe anglo-americano no Irã
em 1953, o diretor Taghi Amirani e o editor Walter Murch descobriram um
arquivo extraordinário e inédito. Documentos e filmagens em 16 mm
recontam essa história em detalhes sem precedentes, com revelações
explosivas de segredos escondidos por 66 anos. De um documentário
histórico sobre quatro dias em agosto de 1953, o filme se torna uma
investigação viva a expor as raízes das relações voláteis do Irã com o Reino
Unido e os EUA.
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Esse filme faz algo que eu acho meio reprovável: coloca um ator para encenar uma ENTREVISTA real. Pra mim, isso joga contra o jogo de realidade que o documentário tem como proposta, e não serve nem como recurso estilístico ou autoral. E no fim, esse aqui, é só mais um documentário muito bem informativo e com uma boa pesquisa sobre um assunto - quem se interessar ou quiser pesquisar o assunto, sempre chegará nele. Como cinema, no entanto, é confuso, mal montado e roteirizado (ele passa quase uma hora só se gabando de como chegou aos resultados antes de mostra-los) e tem essas questões aí que me foram caras durante a sessão.
Fun fact: Os britânicos convenceram os Estados Unidos a comprar a briga deles mas, logo após o golpe, deixaram os aliados pagar o pato sozinhos. Os ingleses saíram de cena assim que reconquistaram o controle da companhia petroleira, deixando para os EUA o ilusório e difícil papel de levar todo o crédito por aquela ação e lidar com as consequências de seus signicados. Os britânicos, aliás, são os verdadeiros culpados pelo caos no Oriente Médio. Desde o péssimo rearranjo territorial que fizeram, delimitando fronteiras de forma equivocada, até a remoção de chefes de Estado com os "chamados truques sujos".
"O golpe de 1953 foi obra do MI6. Eles [o serviço secreto britânico] não levaram a cabo na prática, no final, mas as ideias, o planejamento e o recrutamento de agentes foi, em grande parte, obra do MI6".
"Teve um efeito muito negativo nas tentativas do Irã de construir uma democracia e também teve um impacto no pensamento dos estrategistas e no dos que planejavam ações secretas".
O mcarthismo foi importante para persuadir Eisenhower sobre a intervenção no Irã.
"[Anticomunismo] é o termo mágico que permite qualquer coisa, qualquer tipo de intervenção.
"Eles foram encorajados a repetir isso em 1954, na Guatemala, quando depuseram o governo democraticamente eleito de Arbenz".
A manipulação midiática está na raiz de todos os golpes do século 21. O chefão da CIA subornou jornalistas para que eles detratassem Mossadegh; o MI6 se aproveitou da vassalagem bovarista típicas dos endinheirados irmãos Rashdian para forjar um movimento de rua que parecesse espontâneo.
"Essa multidão que foi decisiva no golpe era composta por mercenários, sem ideologia. Essa multidão foi paga".
O cinismo do Xá é embasbacante. Ele virou o rei-todo-poderoso do Irã graças à CIA e ao MI6. Mas, em dado momento, enquadra um repórter com uma pergunta constrangedora: "Você sente falta do tempo em que os britânicos poderiam manipular os assuntos internos e mudar os primeiros-ministros?". Ora, ora.
"O 11 de fevereiro é o 20 de agosto de 1953. Toda a revolução islâmica no Irã remonta às queixas do povo iraniano a partir de 19 de agosto de 1953".
"Não fosse o golpe de 1953, o sistema político e o governo islâmico provavelmente nunca teriam emergido. As relações entre EUA e Irã nunca teriam deteriorado dessa forma. O Irã seria a única democracia no coração do Oriente Médio muçulmano. Esta foi a mensagem que os EUA enviaram à geração de líderes no Oriente Médio: não queremos democracia, porque democracia vai gerar demandas para controlar os recursos".