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Data de lançamento
7 Fev. 1997Duração
Mak Dong é de uma pobre família sul-coreana: sua mãe, uma irmã casada com um alcoólatra, um irmão vendedor de ovos e um outro deficiente mental. Liberado do exército, no trem a caminho de casa, ele vê alguns rapazes assediando uma mulher. Ele tenta ajuda-la. Ao se reencontrarem, Mak Dong descobre que ela é namorada de um mafioso. Sem perspectivas e apaixonado por ela, Mak Dong começa a trabalhar para a máfia. Agora ele tem duas famílias, mas parece que não consegue lidar com nenhuma delas.
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As Novas Desventuras de Cliff Booth
Galera, por onde vocês assistiram?
Uma mistura de elementos que provoca também um mix de sensações.
Cena do Mak Dong conversando com o irmão ao telefone me acertou.
Não curti a trilha sonoro acho que pesou um pouco, mas no geral acabei feliz por ter assistido, aquela família é tão real e tem tanto amor envolvido que eu me senti abraçada.
Apesar de triste é extremamente belo!
Quando assisti Em Chamas, fiquei fascinado por tudo envolta daquela obra. Não conhecia nenhum trabalho do diretor, e logo fui atras do que ele tinha feito. E então eu chego a Green Fish, seu primeiro longa. E... bem... Lee Chang-dong mudou bastante seu estilo nessas ultimas duas décadas.
Green Fish tem uma direção curiosa. Por um lado muitas escolhas nesse âmbito tem uma certa energia fremente, uma identidade própria e se nota a ambição que o diretor possui. Um exemplo que ele faz umas vezes é de nos fixar em um plano, fazer a câmera caminhar para outro (acompanhando um objeto, ou coisa assim) e voltar para o plano inicial com uma nova identidade (seja um novo personagem nele, ou até mesmo um personagem mais perto da câmera). Esse exemplo serve para nos dar um paralelo sobre a relação do que a câmera acompanha e as imagens do primeiro plano, o que traz um significado simbólico interessante. Ele também usa muito a imagem de espelhos e reflexos, que sempre são colocadas em personagens que estão passando por um conflito com algum outro que está no plano (ou na cena descrita). Muitas vezes esses personagens tem algo a esconder, ou estão em um momento de desolação emocional, e o espelho está lá para demonstrar a mascara que eles colocam em si, para que o arredor não note o desastre interno que eles carregam. Dois exemplos que veem a cabeça são:
Quando a Shim Hye está passando maquiagem, e a câmera é colocada sobre o seu ombro, mas vemos o espelho da maquiagem refletindo sua expressão. E de fundo você vê os dois personagens que ela tem atrito (o protagonista e o ''mafioso''). Outro exemplo é quando o protagonista mata o rival do seu chefe. É uma cena agitada, que mostra a desespero do protagonista de sair daquela situação, de limpar o sangue, de não deixar vestígio algum, mas, então, a câmera congela (faz movimentos mais leves, no caso) um rapaz bêbado sai de um dos box do banheiro, e, enquanto esse rapaz saí, a câmera nos leva até o protagonista ao lado de um espelho, paralisado e assustado, se escondendo de um fator externo. O reflexo esconde os sentimentos do protagonista, e quando o rapaz saí, o protagonista volta a se agitar e então corta. Um terceiro exemplo ocorre momentos antes dessa cena, onde o personagem principal encara o chefe pelo espelho. O espelho, nesse caso, demonstra sua verdadeira intenção, mas, novamente, esconde isso pro externo, até finalmente o assassinato acontecer.
Por outro lado, essa energia na direção não deixa com que o filme respire em alguns momentos em que ele se privilegiaria disso. Algumas tomadas podiam ter sido mais estendidas, alguns momentos podiam ter sido revestidos por uma camada de silêncio maior, para fazer com que o momento se torne um momento, e não só mais uma cena no compilado de outras muitas.
Além disso, alguns momentos narrativos simplesmente não são tão bem montados. Acho pobre, por exemplo,
quando você tem uma cena do chefe punindo um rapaz por ter tido um caso com a mulher de um dos seus amigos pessoais, e na próxima cena você tem o protagonista começando a ter um caso mais sério com a mulher que o chefe gosta.
Inclusive, a relação entre o protagonista e a personagem da Shim Hye, que ao meu ver é um dos pontos mais importante da obra, deixa a desejar. Por um lado eu vejo o desequilíbrio emocional da Shim sendo refletido nessa vontade dela de ter uma relação verdadeira, mas, por outro, a obra não me vende de que a relação entre os dois era, de fato, verdadeira. E, assim, dá para entender a situação da Shim. É algo até desesperador ver esse desejo dela pelo protagonista. Mas, o protagonista, em si, não tem muitos motivos pra tudo isso. Digo, o motivo que é colocado é que... bem... ele quer beijar ela por que nunca beijou uma mulher antes? Não, pera, ele nunca beijou uma mulher que amasse, antes. Mas ele ama a Shim? Desde quando? Ta, mas, então, se ele segue tão fielmente o chefe, por que se relacionar com a garota? Ele queria ter a experiência de ser parecido com o chefe? Se for isso, nunca foi dramatizado. Bem... não existe motivação no protagonista para esse lado da história. Ao menos, não uma motivação convincente o suficiente.
No fim, Green Fish é uma obra interessante, com uma certa ambição e energia. Mas narrativamente é inconstante, um dos lados importantes da história não é tão bem aproveitado, e a direção tem seus deslizes. Eu consegui apreciar a história, mas sinto que poderia ter sido melhor contada. Não é dos melhores do diretor, mas não é de se jogar fora!