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Data de lançamento
16 Maio 2014Duração
Lu Yanshi, prisioneiro político, é libertado no fim da Revolução Cultural. Quando volta a casa, descobre que a mulher sofre de amnésia. Ela não o reconhece, e, todos os dias, espera o regresso do marido, sem perceber que este está ao lado dela.
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É um drama silencioso e devastador. O filme não faz um alarde espalhafatoso e digamos barulhento, ele dói. Mostra como a repressão política comunista não apenas prende corpos, mas desmantela memórias, afetos e identidades, pq ué era a intenção da tal “revolução cultural”
A atuação de Gong Li é o coração da obra, ela entregou uma atuação digna de um Oscar, Globo de Ouro, Cannes e etc; contida, repetitiva e profundamente triste, traduzindo uma mente presa no passado.
A crítica ao período é clara, mas feita com sutileza (como eu disse sem alardes) não há discursos inflamados, apenas consequências humanas irreversíveis.
Comunismo um câncer que destrói à conta gotas um povo.
- gosto demais que com o passar do tempo o yimou tomou mais coragem para fazer várias críticas ao regime que o país passou, mesmo que não seja tão explicito
- uma história de amor diferente, com o elenco de confiança do diretor, só que aqui bem mais maduros
- achei meio truncado, mas a coragem de colocar um final amargo me ganhou
O filme trata da história da família formada pela esposa Feng, o marido Lu Yanshi e a filha Dan Dan. O Marido é preso no processo da Revolução Cultural de Mao e solto muitos anos depois. Ao retornar pra casa, encontra a mulher com Amnésia. Sem reconhece-lo, Feng não acredita que aquele é seu marido, mas segue aguardando ansiosamente seu retorno, e, ao mesmo tempo, tendo uma relação conturbada com a filha, que teve participação na delação do pai.
Não nos é dado muitas informações sobre a questão política de fundo. Por exemplo, não sabemos muito bem a razão pela qual Lu foi procurado e preso, a não ser um vago “ter feito críticas”. Com o fim da Revolução cultural, quando ele é absolvido, também não é abordado quase nada sobre as mudanças que ocorrem no país. O foco aqui são as relações familiares.
Feng segue uma vida relativamente normal, com bilhetes na parede lembrando de objetos e ações que ela deve executar no dia-a-dia. Expulsou a filha de casa e vive só, mas alimentando as lembranças do marido e seu amor por ele. E aguardando seu retorno.
Dan Dan no começo do filme era uma bailarina da escola estatal, abandonou a dança e agora trabalha numa fábrica, mora no alojamento do local onde trabalha, divide quarto com colegas e busca o perdão da mãe, que esquece tudo, mas não os erros do passado da filha, quando adolescente. Além de lidar com o remorso de ter delatado o próprio pai.
O marido, ao retornar, lida com a amnésia da mulher e com a dificuldade de conviver com a filha, que praticamente desconhece, pois esteve ausente desde que ela era muito nova.
Mas o foco e a força do filme está mesmo na tentativa de Lu Yanshi de fazer com que sua mulher o reconheça, o que vai se transformando, aos poucos, no esforço de trazer um pouco de felicidade e paz para sua mulher. E claro, finalmente conviver com ela.
A direção contemplativa, o enredo sensível e belo e as atuações muito competentes - com destaque para Gong Li em mais uma ótima parceria com o diretor – dão ao filme o tom de leveza necessária, mesmo com dramas pessoais tão carregados: Como viver lembrando apenas das grandes emoções do passado e esquecendo todo o resto, inclusive não reconhecendo o próprio amor que tanto a move? Ou, como viver carregando uma grande culpa, cheia de remorso, e como lidar com pai que nem conhece? Ou ainda, como depois de décadas de exilio lidar com os efeitos que sua falta – e suas escolhas? - fez? Como abrir mão das suas próprias necessidades para satisfazer as dos seus entes queridos?
O roteiro ainda insere, em determinado ponto, um momento de tensão sobre um trauma do passado de Feng, o que tira Lu de sua calma de maturidade e por um breve momento parecia levar o filme a uma certa trama de vingança, mas logo depois Lu já deixa isso de lado e volta a se concentrar no seu propósito de cuidar de Feng.
Amor para a eternidade não tem a mesma força e envergadura de outros filmes do diretor, mas tem muito sucesso no seu propósito de retratar os dramas e a beleza dessa história. A cena final é a síntese disso. Temos as sequelas de uma vida trágica e, mesmo assim, a possibilidade que os afetos nos trazem. Lembrando Riobaldo, de Grande Sertão Veredas: “Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”.
Alguém tem um link on desse filme pra eu baixar? Só achei links off :/
Zhang Yimou nunca erra,ainda mais trabalhando com seu elenco de confiança.Um dos trabalhos mais novos do diretor,mas não perde a mão e realiza algo parecido com aqueles clássicos de início de carreira.Todo mundo bem maduro aqui.Gong Li protagoniza bem demais e seu drama move o filme.