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Data de lançamento
10 Out. 2002Duração
Uma pequena plantinha brota do chão de uma casa velha utilizada por anjos. De dentro desta planta surge uma garota, que eles chamam de Rakka (que significa "queda" ou "cair"), porque ela sonhou que estava caindo quando estava dentro da planta que a abrigava. Depois nascem pequenas asas nela e os outros anjos a presenteiam com uma auréola. A partir daí, Rakka vai se descobrindo em um mundo diferente, com aqueles anjos. Vê-se em uma cidade cercada por um muro muito alto, que os isolam do mundo exterior. Quem afinal são os Haibane? Porque eles não podem deixar a cidade? Porque humanos convivem com eles? O que são os misteriosos encapuçados aos quais eles não podem dirigir a palavra? São coisas que vamos descobrindo junto com Rakka e sua singela história.
Estúdio: Radix • Episódios: 13 • Duração: 24 min.
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Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita
Acho que as Haibane são pessoas que morreram jovens e recebem a oportunidade de "se tornarem completas em si mesmas" antes de seguirem para a vida após a morte... Todos os nomes das Haibanes podem ser apropriados a um incidente ou causa de uma morte precoce.
No entanto, acho que as Haibane de asas pretas ou ligadas ao pecado provavelmente foram suicídios, enquanto as outras simplesmente morreram jovens.
Esse anime me lembrou que o que faz a comunidade interessante são as visões diversas.
* O que vi foi uma pessoa encontrando sua base de acolhimento, mas sem o amor próprio. Rakka ainda estava muito apegada ao mundo que deixou.
* O sonho caindo do céu representa a fuga do mundo antigo (opressão/impulsividade) para o novo (segurança/aprendizado/afeto). Os corvos não aceitam isso, assim como pessoas/ideais que deixamos para trás.
* Não sei se vejo a fuga da muralha como voltar às origens (com novos ideais) ou apenas a vontade de viver sozinho sendo independente.
* Acho que o cigarro simboliza o peso da responsabilidade. Reki vive pelo dom, mas quer o sonho, descanso.
* As pessoas brincando pela cidade parecem relax, mas sabem exatamente o que querem. Esperam a oportunidade, mas não vivem em casa remoendo o que não chegou.
* A janela do perdão só foi aberta porque Rakka estava por perto para fazer a ligação com as duas. Foi a semente plantada de uma oração antiga. É lindo.
* O episódio final tem uma vibe Silent Hill que eu amei. Mostra que uma pessoa pode ter duas perspectivas diferentes sobre si mesma: Eu "luto contra a dor" ou "eu sou a minha dor"? Algumas pessoas não conseguem se libertar sozinhas da sua depressão, e precisam de alguém que as lembre que o que foi feito até ali não foi em vão. A nossa dor não nos define se pudermos ser melhores do que isso.
Eu senti algo estranho, um conforto, um alívio no coração. Talvez eu tenha interpretado de forma errada, mas acho que esse anime é uma reflexão sobre amadurecimento.
Mais do que isso, a calmaria da pequena cidade me passou a ideia de um mundo após a morte, um lugar tranquilo onde simples mortais escolhidos, os penas de carvão, dividem suas rotinas.
Trilha sonora linda, traço delicado e um capricho visual capaz de encantar e enternecer.. Belíssima obra.
Foi um dos primeiros animes que eu assisti na adolescência e foi um dos primeiros a me deixar realmente emotivo. É de uma sensibilidade tão ímpar - além de uma beleza estética - que não dá pra não ignorar.
A linguagem poético-reflexiva construída por "Haibane Renmei" é singular. Desde o episódio primeiro que me descobri imerso neste universo, e com o desenrolar da trama (que poderia muito bem confundir-se com um mero slife of life, principalmente em sua primeira metade), os mistérios que a cercam vão ganhando mais intensidade - sem, contudo, exaurir a agradável atmosfera trazida pelo anime.
Certamente, em meio à pluralidade de temáticas que a obra aborda com maestria, a questão do amadurecimento sobressai-se. Embora a maturidade seja geralmente relacionada à experiência que se atinge com a idade adulta, creio que o fator da idade não se aplicaria muito bem às Haibanes (seres com auréola e pequenas asas, e que dão nome ao anime), conforme percebemos no seu universo. E esses seres, especialmente as protagonistas Rakka e Reki, terão que enfrentar esse processo interno de autodescobrimento na enigmática cidade de Glie. Nesse sentido, achei incrível o fato da obra, ao tratar as temáticas e os personagens com naturalidade, não pender para aquela melancolia maçante e o pseudo-existencialismo, já exaustivamente repetidos em outras produções japonesas.
Enfim, acompanhar o anime "Haibane Renmei" se mostrou uma experiência incomum, mas igualmente especial. Favoritei!