Últimas opiniões enviadas
"A Visita" é um daqueles filmes antigos que, surpreendentemente, consegue manter a sua crítica principal ainda fresca nos dias que correm (SEM SPOILERS neste texto).
Resolvi assisti-lo sem conhecimento da história - Ingrid Bergman que me trouxe até aqui -, então, de início, fui levado a acreditar que o longa-metragem contaria somente a história de um reencontro romântico entre velhos amantes, mas eu não poderia estar mais enganado.
Esta motivação serve para elaborar um cenário onde o ideal de justiça é posto em cheque diante da hipocrisia e do egoísmo coletivos, sendo que a produção se utiliza, muito bem, da comédia dramática para desenvolver essa crítica social. Há cenas que me provocaram riso sincero, tamanho o absurdo das situações (p. ex., o momento da "caçada"), e outras trouxeram bons momentos de tensão.
Todos os atores fizeram um excelente trabalho, a exemplo de Irina Demick (Anya) e Ernst Schröder (o prefeito), mas o destaque vai, inevitavelmente, para Ingrid Bergman e Anthony Quinn. Os protagonistas tem uma química entre si que é irresistível não acompanhar.
A presença de Bergman, por sua vez, é imponente em tela: sua naturalidade em atuar e beleza magnífica (na época com irreconhecíveis 49 anos) tornam a moralmente ambígua Karla Zahanassian, personagem atípica em sua carreira, como "um ímã" que atrai nossa atenção. Pena que Bergman sequer foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 1965!
Pois bem, o filme é incrível, merecendo uma "visita" (perdão pelo trocadilho, não resisti) de quem aprecia uma boa obra sem se importar com o ano de produção.
Após muitos anos, eis que surgiu a oportunidade de reassistir à "Cisne Negro".
Enquanto estava na sessão, tentei relembrar os motivos pelos quais aquele filme havia me impressionado na primeira vez que o assisti - e se ainda continuaria gostando da produção.
Então me recordei: a capacidade de criar tensão com um ritmo frenético, sem atrapalhar a fluidez das cenas; a performance soberba de Natalie Portman; a metáfora do embate contra o próprio eu.
Desde os primeiros minutos da trama, o filme consegue incutir no telespectador certa inquietude sobre a relação da protagonista Nina consigo mesma e com os demais personagens à sua volta. E na medida em que a história avança, cria-se um ritmo frenético de cena para cena - sobretudo pelo trabalho de câmera e os efeitos visuais - que é prazeroso de se acompanhar.
Por sua vez, a atuação de Natalie Portman voltou a me fascinar. A atriz parece que simplesmente "nasceu" para interpretar Nina, com a sua expressividade ímpar. Destaque para a maquiagem e o figurino, que não somente realçaram a beleza de Portman, mas trouxeram vivacidade à companhia de balé.
Também não poderia deixar de citar o excelente trabalho de Darren Aronofsky ao elaborar, na forma do surrealismo psicológico, a metáfora do embate contra o próprio eu. De fato, o maior inimigo de Nina é ela mesma - a influência da superproteção da mãe e o rígido controle laboral/pessoal exercido por seu chefe são essenciais para gerar a sua obsessão extrema em alcançar a perfeição como bailarina. E a vulnerabilidade de Nina cria um sentimento de identidade com quem assiste. Afinal, também não somos, por vezes, os maiores opressores de nós mesmos?
Pois bem, diante de tudo, continuo impressionado como na primeira vez que assisti.
Últimos recados
Oi, João, obrigado de novo, mas só que pela curtida da minha lista de filmes sobre História do Brasil e espero que tenha gostado dela. Abraços.
Oi, João, obrigado pela curtida da minha lista de filmes sobre o Oriente Médio e espero que tenha gostado dela. Abraços.
É fato: a história introduzida nesta primeira temporada de "Golden Kamuy" traz uma abordagem inovadora, se comparada com a da grande maioria dos animes à solta na indústria que, por sua vez, têm argumentos excessivamente repetidos.
O que mais despertou minha atenção é o tom sombrio da história que é - parcialmente - adotado. Afinal, a ideia de que o mapa do tesouro está contido não em um papel comum, mas nas peles de homens criminosos não é algo que se vê por aí com frequência. A interação entre os personagens também é destaque, sobretudo o combate sangrento (e cenas de lutas bem arquitetadas) entre aqueles que buscam a tão sonhada fonte de riqueza.
No entanto, o anime tem seus defeitos. Como disse acima, a atmosfera sombria não é predominante, pois divide lugar com uma comédia, muitas vezes, forçada demais. Esse estilo misto prejudicou bastante minha imersão na história (fiquei enrolando para terminar os 12 episódios).
Como sou persistente - ou otimista, quem sabe -, vou dar uma chance à segunda temporada, na esperança de que a qualidade da história evolua.