Empolgado que fiquei perante PÃO E GENTE - e fã que sou do diretor/ator-co-roteirista - , ansiei por conferir esta nova produção, que continua o anterior em mais de um sentido. Porém, sendo menos explicitamente brechtiano e transferindo os anseios coletivos para um contexto em que há um protagonista definido, com anseios, traumas, angústias e lembranças definidas, apresentadas aos poucos, em encontros e 'flahsbacks'. Se, quando adere aos instantes musicais, o filme cresce bastante, quando mostra Terceiro Mundo treinando soquinhos (que não lhe serão efetivamente úteis enquanto defesa), o filme perde um pouco de sua pujança, que já escancara a crítica contra a gentrificação na ótima seqüência de abertura, com os dois simpaticíssimos garis. Gosto de como o sexo (eventualmente agressivo) surge enquanto adesão ao convite/conselho à não-solidão e fica óbvio que o protagonista ainda tateia a sua adesão à utopia socialista que lhe surge quase inconscientemente, na metáfora do Côro de Fúrias. Ainda que o filme não seja pessimista, em sua exposição das mazelas do Capitalismo, há algo de falido na projeção quase sobrenatural da concretização de um ideal, na vegetação de Taubaté, num reencontro com o pai. Minha mãe assistiu ao filme ao meu lado e, quando lhe perguntei se ela havia gostado, ela respondeu "não sei dizer, pois não sei o que vi". Em razão de o protagonista parecer lutar para conservar algum personalismo advindo de suas frustrações e sentimentos feridos, o tom de exortação coletiva da obra demonstra-se hermético, pouco acessível, interditado à porta do cinema pornográfico, onde Terceiro Mundo consegue rasgar as bandeiras imperialistas. Se houve a intenção de um aceno estético ao Cinema Marginal, este padece de uma higienização imagética que vai na contramão da aceitação ao reaproveitamento0 do lixo urbano, levado a cabo pelos personagens. É um filme gostoso de ser visto (nunca vi um personagem do Renan Rovida ser tão sorridente, por exemplo!), mas que parece capitular diante da percepção de que "nem todo mundo que nos afaga gosta de nós". Amei o cachorro Wi-Fi! (WPC>)
Empolgado que fiquei perante PÃO E GENTE - e fã que sou do diretor/ator-co-roteirista - , ansiei por conferir esta nova produção, que continua o anterior em mais de um sentido. Porém, sendo menos explicitamente brechtiano e transferindo os anseios coletivos para um contexto em que há um protagonista definido, com anseios, traumas, angústias e lembranças definidas, apresentadas aos poucos, em encontros e 'flahsbacks'. Se, quando adere aos instantes musicais, o filme cresce bastante, quando mostra Terceiro Mundo treinando soquinhos (que não lhe serão efetivamente úteis enquanto defesa), o filme perde um pouco de sua pujança, que já escancara a crítica contra a gentrificação na ótima seqüência de abertura, com os dois simpaticíssimos garis. Gosto de como o sexo (eventualmente agressivo) surge enquanto adesão ao convite/conselho à não-solidão e fica óbvio que o protagonista ainda tateia a sua adesão à utopia socialista que lhe surge quase inconscientemente, na metáfora do Côro de Fúrias. Ainda que o filme não seja pessimista, em sua exposição das mazelas do Capitalismo, há algo de falido na projeção quase sobrenatural da concretização de um ideal, na vegetação de Taubaté, num reencontro com o pai. Minha mãe assistiu ao filme ao meu lado e, quando lhe perguntei se ela havia gostado, ela respondeu "não sei dizer, pois não sei o que vi". Em razão de o protagonista parecer lutar para conservar algum personalismo advindo de suas frustrações e sentimentos feridos, o tom de exortação coletiva da obra demonstra-se hermético, pouco acessível, interditado à porta do cinema pornográfico, onde Terceiro Mundo consegue rasgar as bandeiras imperialistas. Se houve a intenção de um aceno estético ao Cinema Marginal, este padece de uma higienização imagética que vai na contramão da aceitação ao reaproveitamento0 do lixo urbano, levado a cabo pelos personagens. É um filme gostoso de ser visto (nunca vi um personagem do Renan Rovida ser tão sorridente, por exemplo!), mas que parece capitular diante da percepção de que "nem todo mundo que nos afaga gosta de nós". Amei o cachorro Wi-Fi! (WPC>)