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Data de lançamento
31 Out. 2019Duração
Após rastrear uma remessa potencialmente suspeita de armas ilegais na selva venezuelana, Jack Ryan se dirige até a América do Sul para realizar algumas investigações. Ele logo descobre uma conspiração secreta e sai em missão com seus companheiros de trabalho pelo mundo todo.
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2ª temporada troca investigação por ação!
NOTA: 4,5/5 (EXCELENTE)
Ser comum não é uma fraqueza; ao contrário, pode ser uma virtude. Em um cenário televisivo saturado por produções que competem por atenção com recursos baratos e efeitos visuais exagerados — explosões a cada poucos minutos, cenas sanguinolentas em excesso, confrontos caóticos e perseguições frenéticas que mais confundem do que entretêm, diálogos carregados de clichês dramáticos e reviravoltas indiscriminadas —, assistir a Jack Ryan é como uma pausa refrescante para redescobrir uma abordagem clássica de ação e espionagem, que conquista sem precisar recorrer aos artifícios espetaculosos comuns ao gênero. Apesar de não ser uma obra sem falhas, a série consegue nos oferecer uma reflexão interessante sobre o que consumimos freneticamente na televisão e no cinema atualmente.
Na sua segunda temporada, criada por Carlton Cuse e Graham Roland, baseada na icônica personagem de Tom Clancy — que já foi protagonista de várias adaptações no cinema —, a narrativa pode ser apreciada independentemente de quem assistiu à primeira. Aqui, Jack Ryan aparece como um analista que, por indicação de um senador aliado, viaja à Venezuela — país em crise — para confrontar uma liderança corrupta, com evidências de um navio carregado de armas. A conversa, porém, não resolve nada, e um atentado subsequente coloca Jack numa espiral de investigação e vingança, apoiado por seu antigo chefe Jim Greer, que também está na Venezuela investigando o mesmo navio, enquanto lida com problemas de saúde. A trama é direta, bem estruturada e evita desvios desnecessários, como romances ou subtramas que não contribuam para o enredo principal, demonstrando que os roteiristas aprenderam a fazer uma narrativa mais enxuta e focada.
A temporada mantém a essência de um storytelling mais realista, ainda que utilize elementos tradicionais da franquia de Clancy — o analista que precisa ir às ruas e agir no campo —, reforçando a identidade do personagem. Para manter o interesse, há duas linhas narrativas paralelas que convergem: uma envolvendo eleições manipuladas na Venezuela e outra com uma equipe de soldados de operações especiais liderada por Greer na selva. Jack, por sua vez, embarca em uma missão por Londres, envolvendo uma perseguição a um assassino e uma colaboração com Harriet “Harry” Baumann, o que traz à tona momentos de alta intensidade, reminiscentes do estilo Bourne, mas sem perder a coerência do conjunto.
Krasinski se mostra uma escolha acertada para o papel, equilibrando sua postura desajeitada e o olhar de bom rapaz com momentos de inteligência e controle em situações de alta pressão — a cena de luta no banheiro, por exemplo, exemplifica bem isso. A química com Rapace, apesar de sua altura diferente, funciona dentro do tom mais simples e direto da temporada. Wendell Pierce também entrega uma atuação mais contida, refletindo a condição física mais fragilizada de seu personagem, o que acrescenta uma camada de melancolia à sua figura, contrapondo-se à energia e ao cinismo de Michael Kelly, que interpreta o agente-chefe da CIA na Venezuela, trazendo uma atuação vibrante e cheia de nuances.
A produção se destaca pelo uso predominante de efeitos práticos e filmagens em locações reais na Colômbia — que substitui a Venezuela — além de Londres e Moscou, reforçando a atmosfera de veracidade e evitando os exageros visuais muitas vezes comuns em produções de alto orçamento. A fotografia é funcional e objetiva, buscando transmitir a sensação de uma narrativa “como ela é”, com planos que aproximam o espectador da ação, seja durante o atentado, nas cenas na selva ou nas ruas de Londres. A edição aposta em planos-sequência mais longos, evitando cortes rápidos que fragmentam a ação, o que reforça a estética mais clássica e “old school” da série.
Em suma, a segunda temporada de Jack Ryan é um exemplo de que menos pode ser mais. Uma produção eficiente, econômica e bem equilibrada, que não tenta ser algo maior do que realmente é, mas que consegue ser atual, tensa e extremamente satisfatória do começo ao fim. Uma alternativa inteligente ao excesso de efeitos e fórmulas batidas, que comprova que uma narrativa bem construída, com foco e autenticidade, ainda fazem toda a diferença. Que essa qualidade se mantenha!
PS: A série Jack Ryan antecipou o cenário atual há sete anos, mas poucos levaram o aviso a sério.
Na segunda temporada, a trama da CIA já destacava que o valor da Venezuela vai muito além do petróleo: o país detém depósitos estratégicos de ouro, tântalo e terras raras, fundamentais para a indústria tecnológica global.
Enquanto os canais oficiais justificam as ações recentes e a queda do regime como uma luta contra o narcotráfico, quem conhece os bastidores da geopolítica entende que o verdadeiro motor são os recursos naturais. O que parecia ficção de entretenimento revelou-se um roteiro fiel aos interesses americanos na região. A intervenção atual apenas confirma que, no jogo do poder, a riqueza mineral dita as regras.
Finalizado em 19/06/2025
Que declínio em relação à 1ª T.
Essa temporada não tem o mesmo nível de qualidade da primeira, mas ainda se mantém com uma trama interessante e cenas de ação muito bem executadas.
Nota: 7/10
Essa 2ª temporada é AINDA MAIS MENTIROSA que a 1ª!
amei!
nota 10/10