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Na Bancoc dos anos 30, Jan tem um pai que não o perdoa pela morte da mãe, vítima de complicações no parto. Adolescente, Jan ressente-se por causa do comportamento sexual dele, sempre acompanhado por inúmeras mulheres. O rapaz tem de suportar, ainda, as cobranças paternas, seja pelo que ele teria feito (a morte da mãe), seja pelo que ele terá de fazer (concretizar os planos do pai). O clima entre os dois piora depois que uma das amantes do pai inicia Jan na vida sexual. Logo depois, o rapaz engravida a própria irmã e é expulso de casa. Curiosamente, termina tendo o mesmo comportamento libidinoso do pai. Com uma diferença: enquanto as aventuras sexuais paternas eram uma espécie de vingança em relação ao filho, Jan lida com o sexo como pura diversão. Baseado no livro "Rueang Khong Jan Dara", que causou polêmica em seu país natal por causa do forte teor sexual da obra.
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Se alguém chegasse para mim e me perguntasse sobre o que é Jan Dara, eu responderia que é um filme sobre como o patriarcado se constitui e se reproduz numa determinada sociedade.
Através de um ciclo de estupro, violência, falocentrismo, vemos homens oprimindo homens, mulheres e até mulheres usando o machismo para ferir outros homens. Numa teia complexa em que poucos são vítimas unilaterais, todos saem despedaçados num jogo doentio de vingança perpétua.
Jan Dara sofreu a vida toda por ter sido rejeitado pelo pai machista que o relegara ao segundo plano por ele ser resultado de um estupro sofrido por sua mãe. Ele só encontra alívio no amor da tia e da bela Boonlueang. A irmã de Jan Dara, Khun Kaew, é uma menina elitista e egoísta que desdenha do irmão e que também reproduz o machismo, condenando sua criada por ela ter uma vida sexual livre e a humilhando por essa escolha. Paradoxalmente, ela acaba na mesma situação de sua criada ao engravidar (provavelmente uma gravidez resultante do abuso sexual do próprio pai) e se vê obrigada a se casar com Jan Dara, que não era seu irmão biológico. O ciclo de violência que coloca as mulheres como escravas sexuais dos desejos violentos de uma sociedade sexista e que exige dos homens uma posição sempre falocêntrica e autoritária que alguns não são capazes de alcançar, continua se perpetuando. Khun Kaew é a nova vítima de estupro e violência e Jan Dara se torna o homem que seu pai fora, ou seja, se torna tudo aquilo que ele odiou. O oprimido se torna o opressor. No final, os dois se tornam impotentes, mostrando a fragilidade da masculinidade heteronormativa.