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Duração
Deutrudes Carlos da Rocha, baiano de 24 anos, negro, analfabeto, é lavador de automóveis e vive em São Paulo. Por meio de seu depoimento e também empunhando a câmera, ele nos aproxima de sua experiência e visão do mundo.
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achei sensacional a ideia do diretor de deixar a camera na mão do entrevistado e além de ouvir sua história, ver seu ponto de vista, atraves do que ele filma, sobre os lugares
Descoberta a genialidade no trato com a amostragem popular, seu diretor dá um passo além nesta obra vigorosa, em que ele ousa compartilhar a câmera com seu personagem. O crítico Jean-Claude Bernardet chama a atenção para algumas incoerências estruturais em relação à limitação da concessão à "voz do outro" e a problemas de montagem temática [a que se refere o título, por exemplo? Qual a função da notícia que aparece nos créditos de abertura?]. Pelo sim, pelo não, os registros da gafieira são maravilhosos, o Deutrudes é bastante carismático e possui um olhar inato, e o desfecho deixa-nos com vontade de mergulhar com ainda mais vigor na obra deste cineasta subestimado. Ótimo! (WPC>)
O jogo diretor-observador levado às últimas consequências: um objeto novo pedia uma forma nova: falar sobre os nordestinos em São Paulo pedia uma nova maneira de construir e tecer a imagem do outro, que sempre é negligenciada ou neutralizada pela voz do observador, dono da linguagem e dos seus meios de divulgação: está tudo aqui. Ainda que a saldo seja a impossibilidade de se entregar plenamente a voz ao outro, o que nos resta é a beleza inegável da tentativa.