O filme conta a história de dois jovens: Shiro e Tamura. Eles atropelam um bêbado e uma variedade de acontecimentos beirando o irreal começam a acontecer, todos os seus conhecidos morrem e no fim juntam-se no inferno, e diga-se de passagem, uma das mais cruéis e intensas visões do inferno.
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Não consegui me conectar com o filme... Tem bons momentos, mas achei muito teatral, talvez seja de fato um produto da época e da cultura de lá.
O céu é para todos.
E o inferno também.
"Jigoku", dirigido por Nobuo Nakagawa, nos entrega um terror atemporal derivado da espiritualidade humana que supõe a existência do inferno, um lugar de expiação e castigo para as almas perversas. A estética do filme é sombria e expressionista, priorizando a subjetividade e os sentimentos dos personagens. O limbo que separa a vida e a morte (Rio Sanzu) tem uma elegância trágica e a travessia dos personagens pelas diversas estruturas do inferno é quase teatral. O filme se destaca pela coragem em explorar os limites da moralidade humana, pois todos os personagens (todos!) são pecadores em algum grau e descem às trevas para enfrentar as consequências de seus atos.
Nesse aspecto, talvez a intenção de Nakagawa tenha sido a de nos servir uma temática pessimista, na qual ninguém estaria livre dessa punição eterna. Para isso, a atmosfera de "Jigoku" é propositalmente inquietante, os enquadramentos angulosos e os cenários grotescos, criando uma experiência sensorial desconfortável. Os sofrimentos retratados não são somente físicos, mas também psicológicos, como a busca interminável de Shirō por sua filha Harumi. É um túnel escuro e sem saída, onde não teremos mais tempo e oportunidade para o arrependimento ou o perdão. Sim, é assustador pensar nisso...
Mais do que um marco do cinema japonês, "Jigoku" é uma peça de arte que até hoje influencia cineastas e provoca debates sobre o papel do inferno como metáfora existencial, a qual nos ameaça com a possibilidade da morte não ser o fim... e isso é terrível.
Visualmente, o filme é muito impactante; narrativamente, é um tanto confuso, pois há diversos recomeços, várias interconexões, muitas associações e conjunções ativas; moralmente, entretanto, acho que o roteiro força a barra em seu fatalismo e determinismo, condenando ao inferno até mesmo um bebê e impedindo qualquer possibilidade de redenção. Há um exagero no modo como os pecados são criminalizados, em âmbito excessivamente julgamental. Mas é um filme que impressiona: se eu o tivesse visto na adolescência, ficaria chocado. Quero ver mais do diretor! (WPC>)
Se alguém tá procurando um sinal sobre se deve ou não ver esse filme, eu digo agora: CAI FORA, É FURADA!
O inferno deveria ter um nicho especifico pra passar esse filme