Um jovem matuto e aventureiro terá a sua coragem e benevolência testadas ao salvar a população de um reino, situada em meio ao sertão paraibano, de uma iminente ameaça - um dragão. Tudo isso para conquistar o coração da moça por quem se apaixona.
Juvenal e o Dragão é uma obra charmosa e de imenso valor cultural que engrandece a animação nacional ao valorizar nossas lendas e matrizes literárias. Se você busca uma narrativa inventiva, distante dos moldes hollywoodianos tradicionais e carregada de brasilidade, a jornada de Juvenal é uma sessão imperdível e cheia de carisma.
Quando vi esse filme em cartaz fiquei curiosa, por ser uma animação nordestina. E fui de coração aberto. Porém apesar de ser esteticamente bem fofinho, principalmente a edição deixa a desejar apresentando até problemas de continuidade e deixando a estória pouco fluida. As falas também pareciam atrasados com a animação, mas a dublagem tá muitoo boa (O Lucas Veloso tem muito carisma como protagonista). O final apresentou uma possibilidade de continuação, espero que dê certo e se aperfeiçoem. Tem muito potencial de trazer uma animação maravilhosa, mas ainda não foi dessa vez.
O processo de aculturação refere-se às mudanças culturais que ocorrem quando diferentes grupos entram em contato prolongado, resultando na troca, assimilação ou adaptação de práticas, crenças e valores entre eles. A aculturação foi primeiramente usada de forma técnica por antropólogos, particularmente nos estudos de Alfred L. Kroeber e Clyde Kluckhohn, que definiram o termo em 1948 como “os fenômenos que resultam quando grupos de indivíduos com culturas diferentes entram em contato contínuo e direto, com subsequentes mudanças nos padrões culturais originais de um ou de ambos os grupos”.
Digo isso porque o termo "aculturação" não saiu da minha cabeça após os lindos 10 minutos iniciais, em que se citou literatura de cordel, se via algumas casas e culturas nordestinas, e até um trato maior com a linguagem. Mas após isso, o filme parece querer navegar numa história que tem como referências a Idade Média: rei, dragão, o sobrenatural. Sobra muito pouco do Nordeste em si.
No contexto colonial, Frantz Fanon discute a aculturação como um processo violento e coercitivo, em que as culturas dos colonizados foram muitas vezes reprimidas ou erradicadas em favor da cultura dos colonizadores. Em sua obra "Pele Negra, Máscaras Brancas" (Peau noire, masques blancs), Fanon analisa como a aculturação pode ser uma forma de dominação cultural, onde o colonizado é forçado a adotar a cultura e os valores do colonizador, ao mesmo tempo em que é alienado de sua própria identidade.
Fanon vê a aculturação, nesse contexto, como um instrumento de poder e controle, que desfigura as identidades dos colonizados, criando um complexo de inferioridade e uma tentativa de mimetizar o opressor.
Nesse sentido, parece que houve uma tentativa de validar a história do filme por meio de símbolos que fogem ao povo Nordestino. Não sei o quão bem essa simbiose foi analisada pelo público.
Já o filme em si, é bem corrido, inclusive com uma edição que parece conter erros de continuidade. É uma pena, pois dentro das suas limitações, esteticamente tá bem bonitinho de acompanhar.
Juvenal e o Dragão é uma obra charmosa e de imenso valor cultural que engrandece a animação nacional ao valorizar nossas lendas e matrizes literárias. Se você busca uma narrativa inventiva, distante dos moldes hollywoodianos tradicionais e carregada de brasilidade, a jornada de Juvenal é uma sessão imperdível e cheia de carisma.
Infelizmente é bem fraquinho.
10-09-2026
Quando vi esse filme em cartaz fiquei curiosa, por ser uma animação nordestina. E fui de coração aberto.
Porém apesar de ser esteticamente bem fofinho, principalmente a edição deixa a desejar apresentando até problemas de continuidade e deixando a estória pouco fluida. As falas também pareciam atrasados com a animação, mas a dublagem tá muitoo boa (O Lucas Veloso tem muito carisma como protagonista).
O final apresentou uma possibilidade de continuação, espero que dê certo e se aperfeiçoem. Tem muito potencial de trazer uma animação maravilhosa, mas ainda não foi dessa vez.
O processo de aculturação refere-se às mudanças culturais que ocorrem quando diferentes grupos entram em contato prolongado, resultando na troca, assimilação ou adaptação de práticas, crenças e valores entre eles. A aculturação foi primeiramente usada de forma técnica por antropólogos, particularmente nos estudos de Alfred L. Kroeber e Clyde Kluckhohn, que definiram o termo em 1948 como “os fenômenos que resultam quando grupos de indivíduos com culturas diferentes entram em contato contínuo e direto, com subsequentes mudanças nos padrões culturais originais de um ou de ambos os grupos”.
Digo isso porque o termo "aculturação" não saiu da minha cabeça após os lindos 10 minutos iniciais, em que se citou literatura de cordel, se via algumas casas e culturas nordestinas, e até um trato maior com a linguagem. Mas após isso, o filme parece querer navegar numa história que tem como referências a Idade Média: rei, dragão, o sobrenatural. Sobra muito pouco do Nordeste em si.
No contexto colonial, Frantz Fanon discute a aculturação como um processo violento e coercitivo, em que as culturas dos colonizados foram muitas vezes reprimidas ou erradicadas em favor da cultura dos colonizadores. Em sua obra "Pele Negra, Máscaras Brancas" (Peau noire, masques blancs), Fanon analisa como a aculturação pode ser uma forma de dominação cultural, onde o colonizado é forçado a adotar a cultura e os valores do colonizador, ao mesmo tempo em que é alienado de sua própria identidade.
Fanon vê a aculturação, nesse contexto, como um instrumento de poder e controle, que desfigura as identidades dos colonizados, criando um complexo de inferioridade e uma tentativa de mimetizar o opressor.
Nesse sentido, parece que houve uma tentativa de validar a história do filme por meio de símbolos que fogem ao povo Nordestino. Não sei o quão bem essa simbiose foi analisada pelo público.
Já o filme em si, é bem corrido, inclusive com uma edição que parece conter erros de continuidade. É uma pena, pois dentro das suas limitações, esteticamente tá bem bonitinho de acompanhar.