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Duração
Ventura, um operário cabo-verdiano que mora no subúrbio de Lisboa, é subitamente abandonado pela sua esposa Clotilde. Ele sente-se perdido entre o velho quarteirão no qual passou seus últimos 34 anos e seu novo endereço num prédio de baixo custo, recentemente construído num conjunto habitacional. Todas as pobres almas que ele ali encontra parecem se tornar seus próprios filhos. Os cenários são as ruínas do bairro cabo-verdiano de Fontainhas, no noroeste de Lisboa, e o novo bairro Casal da Boba, construído pelo governo nos terrenos da maior lixeira do país.
O elenco é formado por atores não-profissionais, que desempenham os seus próprios papéis.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
A densidade de qualquer obra do Pedro Costa (o cinema dele, em geral) é realmente pesada, e não é para qualquer um. Necessita de algum grau de esforço do espectador, e aqui não é diferente. Vendo em retrospecto, acho que é um filme em que o diretor está literalmente lapidando sua essência e forma de filmar, para onde ele deve olhar, e de que forma ele deve guiar os personagens em torno de seus próprios "si". E é interessante, embora extremamente enfadonho, mas acredito que seja uma transição para o que o cinema dele se tornaria - e ainda está nessa caminhada, ousaria dizer - anos depois. E é um ponto de transição entre seus filmes anteriores, em Fontainhas, e aqueles que viriam a existir depois, principalmente em termos de rigor e narrativa. E sendo assim, e também por isso, é lindo.
Em Cavalo Dinheiro , Pedro Costa parece ter conseguido elucidar melhor sua proposta do que neste exemplar anterior menos simbólico e mais simplista eu diria. O cinema de Pedro Costa é ao mesmo tempo inquietante mas tortuoso para o espectador acompanhar a saga de seus personagens.
Filme de difícil envolvimento e entrega, porém belíssimo em isolados momentos.
O ritmo lento e a atmosfera fantasmagórica pontuam os sentimentos de vazio, perda e tristeza.
Maldição e pesadelo em uma realidade de miséria permanente, em passados e presentes de solidão e não pertencimento.
Obra bastante peculiar de Pedro Costa.
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Bom.
[spoiler][/spoiler]Nha cretcheu, meu amor,
O nosso encontro vai tornar a nossa vida mais bonita por mais trinta anos.
Pela minha parte, volto mais novo e cheio de força.
Eu gostaria de te oferecer 100.000 cigarros, uma dúzia de vestidos daqueles mais modernos, um automóvel, uma casinha de lava que tu tanto querias, um ramalhete de flores de quatro tostões.
Mas antes de todas as coisas bebe uma garrafa de vinho do bom, e pensa em mim.
Aqui o trabalho nunca pára. Agora somos mais de cem.
Anteontem, no meu aniversário foi altura de um longo pensamento para ti.
A carta que te levaram chegou bem? Não tive resposta tua. Fico à espera.
Todos os dias, todos os minutos, aprendo umas palavras novas, bonitas, só para nós dois. Mesmo assim à nossa medida, como um pijama de seda fina. Não queres? Só te posso chegar uma carta por mês.
Ainda sempre nada da tua mão. Fica para a próxima. Às vezes tenho medo de construir essas paredes. Eu com a picareta e o cimento. E tu, com o teu silêncio.
Uma vala tão funda que te empurra para um longo esquecimento.
Até dói cá ver estas coisas mas que não queria ver.
O teu cabelo tão lindo cai-me das mãos como erva seca.
Às vezes perco as forças e julgo que vou esquecer-me
(Reprodução da carta de Ventura)
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Equipe Filmow.com