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Data de lançamento
5 Set. 2021Duração
França, 1963. Anne é uma aluna jovem e brilhante com um futuro promissor pela frente. Mas quando engravida, vê desaparecer a oportunidade de terminar os estudos e escapar aos constrangimentos das suas origens sociais.
Perante a aproximação dos últimos exames e a barriga a crescer, Anne resolve tomar medidas, ainda que tenha de enfrentar a vergonha, o sofrimento e se arrisque a ir para a prisão.
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Ótimo filme! Aborda um tema extremamente delicado com uma sutileza incrível. E as palavras finais do médico "... espontâneo" são um respiro não só para personagem, como para o espectador que acompanha o drama da jovem.
Militar sobre "em favor" do aborto é tarefa pra DESOCULPADO, pra não dizer algo mais pejorativo. O Máximo que se pode conferir é o Direito a quem vai Gerar escolher se prefere ou não ter vínculos com a mesma OBJETO da vida, e caso a escolha seja Não se ter amparo LEGAL nisto. Garantir o Direito a Vida, e a da mesma há um LAR seria o mais sensato... o qual maioria não escolhe militar não é mesmo!? Porque será? Eu como pessoa adotada sei da Importância disto! Após gestação viver ou não com seu FILHO, isso sim tem cabimento a uma escolha... agora "escolher " se pode ou não matar determinada criança apenas porque não foi fruto de uma relação convencional bem sucedida, lamento... Não consigo imaginar crueldade mais absoluta. Os que aqui torcem pela legalização do Aborto deveriam tentar ser médicos pra assim um dia terem a responsabilidade de enfiar uma agulha no coração de um ser indefeso e puro, pra saber o quanto isso empaquetaria no restos de suas vidas.
Isto me fez chorar. Entre tantas cenas que me marcaram, há uma, em especial, que permaneceu como um eco silencioso: o momento em que Anne é levada ao hospital após o aborto. O rosto da Anne está banhado por uma luz hospitalar que já parece branca demais, quase a caminho do apagamento. som é o único elemento que continua vivo. “o que eu coloco no prontuário?”, e depois, “aborto espontâneo”. A voz vem de fora do quadro, sem corpo, sem rosto. Logo depois, a imagem desaparece e a tela fica branca. Esse é o ponto em que a linguagem da instituição (o diagnóstico, a voz do médico, o registro burocrático) toma o lugar da linguagem da mulher. A tela branca é o equivalente visual desse “nada” — o nada que o discurso oficial deixa em torno da experiência dela.
O branco, portanto, é um campo de negação. Há um paralelo aqui com o que teóricos como Tanya Shilina-Conte chamam de white frame: o branco como “espaço de suspensão”, onde o fluxo da imagem se interrompe e o espectador é jogado no abismo do não-ver. Ao mesmo tempo, psicologicamente, esse branco também é o limite da consciência. É a saturação da dor, o instante em que a percepção implode.
O Acontecimento não é um filme sobre vergonha. Anne permanece fiel ao próprio desejo, mesmo quando tudo ao redor conspira para negá-lo. O olhar de Diwan é implacável, e é justamente nessa recusa da vergonha que o filme se torna político e cru.
Aborto sempre rende bons filmes.