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Em Columbus, Kogonada transforma a arquitetura em linguagem afetiva. Mais do que cenário, os edifícios funcionam como dispositivos de mediação entre personagens que não conseguem, de início, acessar a si mesmos nem aos outros. A cidade surge como uma forma de pensar e sentir.
Logo na abertura, a conversa entre Casey e o amigo introduz um problema central: a falha de atenção como sintoma de desencontro. O exemplo do pai que lê e do filho que joga videogame revela não apenas interesses distintos, mas a impossibilidade de compartilhamento. Cada um habita um “espaço mental” próprio, sem interseção. Essa ideia ecoa ao longo do filme como uma espécie de planta baixa emocional: relações que não se conectam, afetos que não circulam.
É nesse contexto que surge Jin, marcado por uma relação distante com o pai, um renomado teórico da arquitetura agora hospitalizado. A indiferença de Jin em relação ao trabalho do pai não é apenas intelectual; é um bloqueio afetivo. Ele recusa a arquitetura porque ela é também a linguagem do pai e, portanto, de uma intimidade que não se realizou. Sua vontade de ir embora é, antes de tudo, uma tentativa de escapar desse espaço emocional não resolvido.
Casey, por outro lado, encarna o movimento oposto. Ela encontra nos edifícios uma forma de elaboração sensível do mundo. No entanto, sua permanência em Columbus não é simples apego; há também uma estagnação afetiva, ligada à mãe. Se Jin foge, Casey permanece, ambos presos, ainda que em direções contrárias...
Quando começam a circular juntos pela cidade, o filme constrói sua verdadeira dinâmica. Casey guia Jin por edifícios que a emocionam, mas o ponto de virada não está na contemplação em si, e sim na pergunta que ele faz: por que isso te afeta? A partir daí, o que era um saber aparentemente objetivo, a arquitetura como conhecimento, revela-se profundamente subjetivo. Jin, por sua vez, começa a ler os livros do pai, um gesto mínimo, mas decisivo: ele inicia uma aproximação tardia, mediada pelo pensamento.
Essa troca não evolui para um romance convencional, e isso é fundamental. O filme recusa o clichê da resolução afetiva pelo amor. Em vez disso, propõe algo mais interessante: um deslocamento interno. Casey e Jin não se reconfiguram. Cada um passa a ocupar um novo “espaço” dentro de si.
O desfecho explicita essa inversão. Casey finalmente parte, rompendo com sua imobilidade, enquanto Jin permanece, mas agora em estado de espera, o que implica abertura. Aquele que queria fugir aceita ficar; aquela que não conseguia sair decide ir. A arquitetura emocional se reorganiza como possibilidade. Essa recusa de conclusões fáceis dá ao final uma sensação de continuidade, como se a vida dos personagens ainda estivesse em construção.....
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Tá vendo?! Temos mais uma paixão em comum. Além da literatura, tem o cinema tmbm rs
Mas sim, Hammet é lindo tmbm... e sim, a atuação da Jesse fodástica mesmo.
Obs: dei uma stalkeada nps teus favoritos e adorei o que vi por lá... vários amores e vários q tao na minha lista de desejos rs já até baixei alguns que vi na sua lista :)
Olha só! Você por aqui! rsrs já éramos amigos e eu não sabia haha então és uma cinéfila também! que massa :) Te achei lendo os comentários do filme Sonhos de Trem! que eu acebei de assistir e achei lindo!! confesso que dos indicados ao oscar... esse foi o que eu mais gostei! :)
ooi, parece que restou vc e eu nessa rede, somos a resistência
Paula não sofre por falta de amor romântico no sentido convencional. Ela sofre por ocupar um lugar emocionalmente precário. Sua relação com Roger é chamada de “livre”, mas essa liberdade é estruturalmente desigual. Roger ama Paula apenas até o ponto em que ela não exige transformação dele. Roger circula pelo mundo com uma espécie de leveza masculina. Existe nela uma forma de espera sedimentada, uma experiência longa de adaptação ao incompleto. O relacionamento produz um curioso estado de suspensão: nem ruptura, nem permanência plena. O filme nunca transforma Philip numa solução limpa para Paula... ele aparece como possibilidade de recomeço, mas um recomeço carregado de instabilidade desde o início.
A repetição entre o início e o final produz uma sensação difícil de localizar emocionalmente. Não chega a ser desespero. Há algo mais frio nisso. Uma circularidade sem catarse. O filme termina com o mesmo arranjo. Paula retorna ao ponto de origem carregando uma experiência que não consegue integrar completamente à própria vida. A última cena também possui uma crueldade silenciosa porque quase nada acontece. A expressão dela é difícil de nomear justamente porque o filme evita emoções conclusivas. Não há choro libertador nem revolta tardia.