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Não há uma verdade factual que nos liberte do desconforto; o que fica é a sensação de que há algo no ar, um pressentimento, uma intuição que se recusa a ser nomeada, mas que se faz sentir com uma força. O filme nos convida, ou talvez nos força, a habitar esse espaço de “não saber”, em que a certeza é uma miragem, e a dúvida, um fardo que a gente acaba carregando, mostrando a complexidade de nossa alma, sem respostas. Meryl Streep é um peso forte na balança deste filme.
A experiência do luto que recusa um apaziguamento narrativo da perda. Perda que não é tratada como evento a ser superado. A atuação do menino sustenta essa dimensão do enigma: há algo ali que antecede a significação, uma presença que já é potencialmente uma ausência. O filme me arrebatou. Ele parecia me dizer que o luto não é sobre apagar quem partiu, é sobre encontrar um modo de fazer sua falta existir. Que a sublimação não apaga a dor, ela nasce dela. Não é uma fuga, é um destino. Que a escrita ali é um trabalho psíquico, pra dar um contorno ao real que não se pode suportar. A gente acompanha um lento e doloroso trabalho do luto, do desligamento libidinal, mas tem algo além que se manifesta: a persistência do irrepresentável, aquilo que nunca se elabora por completo.