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Na Itália, após o fim da 2ª Guerra Mundial, Karen (Ingrid Bergman), uma lituana, se casa com um pescador, Antonio (Mario Vitale), para deixar de viver em Farfa, um campo de concentração, pois não conseguiu um visto de emigração para a Argentina. Porém a vida na aldeia de Antonio, que fica numa ilha no Mediterrâneo aos pés do vulcão Stromboli, é bastante dura. Karen não consegue se acostumar a isto, fazendo-a entrar em conflito com o marido e a população local.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
- meldels, coitada dessa mulher, comendo o pão que o diabo amassou mesmo, saindo de campo de concentração para ir para aquela ilha maldita
- e o pior que a intenção era ir pra argentina, a pobre
- ilha com vulcão em atividade, esse povo não tem nada na cabeça mesmo
- pra piorar aquele povo arrombado invejoso conservador que mora lá, se eu fosse ela ia embora nadando
- muito massa as cenas de pesca, atum é gigante
- desnecessária a cena do coelhinho
Eu estava lendo um poema de Emily Dickinson e, de repente, lembrei de Stromboli. A associação veio quase automaticamente, por causa da imagem do vulcão. No poema, Dickinson descreve justamente essa quietude que esconde violência:
“Guardam dentro — armamento apavorante,
Fogo, e fumaça, e canhão,
Tomando Vilas para o café da manhã,
E homens apavorantes —”
Há, porém, uma diferença interessante. Em Dickinson, o vulcão está dentro da pessoa; é uma metáfora para emoções comprimidas que talvez um dia irrompam. Já em Stromboli, o vulcão está fora, na paisagem, esmagando psicologicamente a personagem. A natureza torna visível aquilo que, em Dickinson, permanece interior. No final do poema, Dickinson imagina até a possibilidade de uma revelação tardia, como a redescoberta de Pompeia:
“Se algum amoroso Antiquário,
Na Manhã da Retomada,
Não gritará de alegria ‘Pompeia!’
Às Colinas retornar!
A fuga final pelo vulcão, quando ela sobe a montanha atravessando pedra, vento e exaustão até um colapso espiritual, parece à primeira vista o oposto do poema. Dickinson fala de uma contenção. O rosto permanece imóvel enquanto a dor titânica permanece guardada. O filme, ao contrário, leva essa pressão até um ponto de ruptura. Mas talvez não seja exatamente o contrário. Pode ser o mesmo processo em duas fases diferentes. O poema descreve o estado vulcânico latente, a tensão silenciosa que o rosto humano sustenta. Stromboli imagina o que acontece quando essa tensão já não pode mais ser contida. A caminhada no vulcão seria então a erupção espiritual. É certamente uma das minhas cenas favoritas.... Subindo o vulcão, ela entra num espaço onde não há mais nada que organize a experiência. Pela segunda vez, eu compartilhei um estado psicológico de exaustão e desorientação. Estar ali, dentro de um cenário quase lunar. Quando ela finalmente quebra e grita, não é um clímax dramático clássico. É algo mais primitivo... medo, desespero, pedido de ajuda, isso é o que torna a caminhada tão perturbadora. Ela parece menos uma fuga física e mais uma travessia interior, algo entre pânico, revelação e esgotamento.
Gosto muito de como a violência é retratada aqui pelo prisma da personagem de Ingrid Bergman, de cenas sutis como quando seu marido é encurralado no beco pelos outros homens do vilarejo ou do furão atacando o coelho, ou na cena fantástica da pesca e, claro, da onipotência do vulcão. Tudo é desconforto, tudo é ânsia e impulso para a fuga, movida desde o início da trama pela própria força da mulher. É esse último ponto que me fez querer um final menos apoteótico com as súplicas ao divino.
A vida é dura e nem sempre o caminho mais fácil é o melhor, como Karen teve que descobrir a duras penas. O filme apresenta uma boa dualidade entre os habitantes que não querem sair, e até voltam, da ilha e a Karen, que está sempre em movimento, em busca de algo. 21/09/2025
Eu acho o Rossellini o mais chato de todos os diretores do neorrealismo italiano. Acho que só consegui chegar ao final desse filme por causa da Ingrid Bergman.