“o que podemos perceber de Israel sem cair na dicotomia?”. Boa pergunta, que se desdobra em outra: “existem imagens possíveis?” Là-Bas, ganhador do Grande Prêmio da Competição Internacional do Festival de Documentário de Marseille, em 2006, é uma forma de provar que não existem imagens possíveis.
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As Novas Desventuras de Cliff Booth
"Looking outside the window, I look inside myself."
Em "Là-Bas", Chantal Akerman foi enviada a Tel-Aviv para fazer um documentário sobre a situação política da região. Chegando lá, a ansiedade e angústia eram tamanhas que ela não conseguiu sair do apartamento.
Assim se configura o filme, cuja premissa é, já de início, a incapacidade de agir frente a um sentimento paralisante.
Entra-se, então, em contato com um grande silêncio, e colocamo-nos na posição de quem ao mesmo tempo em que é voyeur, está em introspecção.
Olhar para fora é, antes de tudo, olhar para dentro.
A câmera parada na janela que espera ansiosamente por algo nos coloca diante da nossa própria incapacidade de lidar com o que não veio, com o não-dito, com o Outro e, principalmente, com o vazio.
Estando na Sociedade do Espetáculo, parece não fazer sentido que vejamos as coisas serem como são, existindo sem se fazer aparecer, e que ao mesmo tempo nos é permitido também olhar sem corpo, sem estar ali.
Toda vez que eu penso nesse filme, que vi há 4 anos, descubro coisas novas e penso que ele é infinito por isso.
Não é um filme para se assistir acompanhado.