Pina e Adolfo, dois solitários que se conheceram pelos classificados de um jornal, encontram-se, nutrindo a esperança de que a amizade se transforme em amor. As diferenças são extremas. Mentiras, falsidades, traições, tantos artifícios surgem para tentar ocultar a incompatibilidade. O findar do dia não escapará do trágico, e sufocados por suas próprias individualidades terão de aprender a lidar com essa nova dor.
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Antonio Pietrangeli é um dos cineastas menos lembrados do cinema italiano, que embora tenha tragicamente falecido aos 49 anos, deixou um legado de grande relevância a cinematografia mundial. Em La Visita Pietrangeli aproxima o espectador dos personagens unindo uma narrativa com toques do neorrealismo do pós guerra, uma câmera inquieta (a cena da camera dando uma volta elíptica em torno do casal quando eles estão no balanço é uma das mais bonitas) que acompanha os personagens e seus olhares, uma linearidade interrompida por flashbacks que recontam e desmistificam o caráter dos protagonistas em pequenas doses e os tornam extremamente humanos ao nosso olhar. O cenário em que se passa a história é um povoado afastado no interior da Itália. Adolfo e Pina se conheceram através de uma seção de classificados de encontros de um jornal e quando este resolve aceitar o convite e ir conhecê-la pessoalmente descobrem, em pouco tempo, a diferença de suas realidades e intenções, ao mesmo tempo que percebem a semelhança de suas solidões. La Visita é um exemplo de um cinema italiano de máxima qualidade, realizado sob uma nova ótica neorrealista e com forte influencia da Nouvelle Vague francesa.
Pietrangeli vem desde 1960 fazendo um filme melhor do que o outro, este é o meu preferido dos três que já assisti. Um filme completamente despretensioso e que tem como o tema central a solidão, a percepção da dor de se sentir sozinho nunca foi trabalhada de uma maneira tão descompromissada e tão real. Sandra Milo está apaixonante no filme, queria abraçá-la, confortá-la e dizer que ela não é a única que se sente assim no mundo. François Périer, no entanto, dá vontade de dar um murro na cara dele, consegue ser u nojento, mas que surpreende em seus momentos. A música de Armando Trovajoli é perfeita e a parte técnica tem seus belos momentos. Mistura de drama, comédia e romance.
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